Corredores, codinome: Loucura foi o primeiro livro do Clube do Livro da Editora Scenarium livros artesanais. Para quem não conhece, a Editora Scenarium trabalha com livros costurados artesanalmente – São livros únicos, verdadeiras obras de arte com conteúdo selecionado para que o leitor desfrute o melhor da sensação de ter um livro nas mãos – Recomendo fortemente que 1) não deixem de conhecer a editora e participar do clube do livro e 2) considerem ler com uma boa xícara de chá por perto!
Vou começar dizendo o que Corredores não é: Corredores não é um livro de fantasia. Corredores não é um livro para leitura rasa. Corredores, codinome: Loucura não é um livro para ler e esquecer. Pelo contrário: É um livro para se pensar, refletir, chorar. É uma leitura que dói, corrói a alma. É uma leitura real.
Sou uma grande admiradora do trabalho da Mariana Gouveia –…
Desde que me entendo por gente sempre tive contato com animais. Sejam eles cães, aves, insetos, cavalos e até um beija-flor. Quando menina, os insetos me perseguiam e vinham parar na minha mão. As borboletas, joaninhas e libélulas. Com os cães, minha relação sempre foi intensa. Tinha a Diana, uma cachorra perdigueira, que me seguia aonde eu fosse. Depois, Catita, uma golden retrivier que me deu Guga. Ambos já morreram velhinhos. Ganhei Meg logo quando Catita morreu. Era uma viralata caramelo, de pequeno porte. Viveu por 14 anos. Nos mostrou o amor de uma forma tão intensa que mesmo depois de 8 anos de sua morte, ainda reina aqui, nas conversas, na saudade. Lolla chegou até nós depois de sabermos que ela recebia maus tratos e lá vou eu, marido e filho tirar ela das mãos do seu dono. Assim que ela nos viu fomos abraçados por ela e seu olho pedia ajuda. A trouxemos e com sua doçura preenche nossos corações com amor e fome. Não conheço ninguém que tenha mais fome que ela.
Lolla já existia por aqui quando Yoshi chegou. Eu a retirei de seus antigos donos, que a maltratavam. Se apaixonou por ele – assim como nós aqui de casa – assim que o viu.
Acompanha seus passos, seus movimentos e até suas poses. Onde está ele, ela fica.
Ela, super doce… ele, ranzinza e mau humorado. Mas, ela sempre está ali, ao lado. E o amor é nítido entre os dois, mesmo ele sempre querendo tomar o lugar dela nos cantos da casa, do quintal, da varanda.
E basta dar um lambeijo, e ela sabe que ele acalma. E basta o abraço, e ele cede.
Os dois são a alegria, as companhias, o voltar a ser criança na correria no quintal até ela pedir arrego e deitar cansada, mesmo com ele insistindo na brincadeira.
E como não podia deixar de ser, também é meu pet, um menino voador, que nasceu aqui no meu quintal e já teve sua história contada aqui e aqui. Chiquinho é meu beija-flor e possui o dom de me acalmar e como não poderia resumir minha vida com ele em uma simples foto, resumi num mosaico alguns instantes.
Mariana Gouveia Projeto 6 on 6 Scenarium Plural Editora.
A cidade cumpria seu rito de anos … O sol castigava a todos, como sempre… Naquele dia, o mar cantava em meu ouvido.
Maresia pura em minha boca. Peguei minhas mãos – tuas – toquei de leve meu corpo… era pele gozo, vontade. Naquele dia – como nunca havia sido de ninguém – fui sua,
Mariana Gouveia Cadeados Abertos – Diário das Quatro estações Scenarium plural Editora *magem: Mira Nedyalkova
Desde pequena que a palavra Censura ronda a minha vida. Nasci em plena Ditadura e mesmo não tendo convivido cara a cara com ela… bateu em minha porta e misturo as duas coisas porque aprendi que uma está de mãos entrelaçadas com a outra. Eu ainda era menina e ouvia a história sobre meu pai ter sido Delegado da cidade, onde nasci/cresci. Uma cidadezinha do interior de Goiás, que era distrito e muito tempo depois virou município.
sabes o aconchego do filigrana comum das mãos… sabes de todas as estações sabes da cor que me banha de luz dos enigmas que a palavra traduz sabes do paladar da flor. Do meu amor, sabes tu.
Guarda nelas os desejos mais profundos. Que me mostra sutilmente para o mundo. Que me guarda Em caixinhas de segredos Como se bailarina em caixinha de joias fosse… Como se eu fosse doce, Como se fosse.
E eu, amarga. Amo essa mulher que me larga, Que me busca, Traduz-me em dicionários exclusivos Que me lê em poesias como livros. Amo essa mulher que é flor, que é poesia, melodia. Que me enche de encantos todo dia.
Que é mulher em mim Que se confunde com meu nome, Com o que amo, que me chamo. Nem percebo que quem me respondeu É essa mulher que sou eu…