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Onde tenho o meu pensamento que me dói estar sem ele

Sempre respondo a pergunta de como e porquê me tornei escritora e qual é a sensação de escrever um livro. Claro que a influência de minha mãe – que amava livros – cabe nas minhas respostas. Desde pequena, eu e meus irmãos fomos incentivados a ler por ela. No meio de sete crianças, era natural que algum ou outro não morresse de amor pelos livros. Um seguiu outro tipo de arte, outras, partiram para o artesanato.

Quando li seu texto de hoje sobre livros e escritores, as lembranças me levaram até meu pai. Talvez, minha maior inspiração era os causos que ele contava e eu nem tenha me dado conta disso, porque lá no início da minha escrita, ainda criança, queria ser contadora de histórias, como ele. É o que acaba se tornando um escritor… um contador de histórias.

Enchi cadernos e mais cadernos de causos que eu queria contar e dizia que se eu tivesse pelo menos um expectador para ouvir, já estava de bom tamanho. Como eu havia crescido em uma fazenda, minhas histórias envolvia a natureza, os bichos, os homens do lugar, até que surgiu o primeiro amor, a mudança para a cidade grande. Foi quando caiu em minhas mãos a vivência de Maria – minha personagem do meu primeiro romance Corredores – codinome: loucura.

Meu pai ainda viu meus sete livros serem lançados, no formato tão cheio de ternura que eu nem poderia imaginar. Um livro artesanal, costurado com fitas de cetim, com toda dedicação de sua curadoria e do Marco Antônio, que deixa em mim tanto afeto e saudades. Tenho certeza de que cada leitor que recebeu em mãos um desses livros teve o mesmo brilho nos olhos que meu pai, mesmo que nos últimos lançados, ele quase não entendia o que a gente lia.

Ainda tenho algumas histórias para contar. Ainda quero tocar o coração de quem me lê e sendo repetitiva, ainda quero que você edite as minhas palavras com a mesma emoção com que toca minha alma e me alcança todos os dias em causos onde a gente ri, chora e nos cruzamos entre quintais, esquinas, luas, tempestades e sóis.

Mariana Gouveia

2 comentários em “Onde tenho o meu pensamento que me dói estar sem ele

  1. Contar história é o que faz de uma pessoa uma escritora, simples assim. Mas há no momento atual uma gama de histórias que não precisam ser contadas. Poderiam muito bem ficar nas páginas daquelas benditas revistas de fofoca e pronto. As suas não cabem ali e precisam ser lidas (por mim e por outros tantos). rs

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