Sua frase: quando foi que a Solidão se tornou um problema? me tocou em cheio. Lembrei-me das conversas com minha irmã caçula ultimamente. Ela se recupera há um ano de um transplante renal. Antes, à espera da cirurgia, ela fazia hemodiálise dia sim, dia não. Também se queixava da solidão entre ela e a máquina.
Agora, já em franca recuperação, a solidão do dia a dia está mexendo com ela. Os filhos cresceram, casaram, mudaram e o marido trabalha o dia todo e em alguns dias, até o período noturno. Ela mora no interior de Mato Grosso, em uma cidade pequena e por mais que eu indique opções para amenizar esse sentimento, não tive sucesso.
A gente cresceu rodeados de irmãos, primos e quando cada um seguiu sua vida, a solidão pairou em quase todos eles. Eu adoro a minha solidão. Gosto de estar comigo, de vagar no meu quintal, de falar com os pássaros, insetos e plantas. Lido bem com esse espaço de estar só. O moço daqui de casa sai de madrugada e só volta no fim do dia. Claro que tenho a companhia de Yoshi e meu quintal tem passagem para o seu, onde nossas mãos se cruzam em carinho e mensagens.
Não tenho problema em estar só. O artesanato me acompanha nas longas manhãs. A não solidão de Rubem me atordoa, mesmo gostando de algumas companhias de vez em quando, mesmo não estando de mãos dadas as minhas nunca estão vazias. Sempre servem de pouso para a solidão de voos e de outras pessoas.
Mariana Gouveia
