Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Lunna Guedes também escreve diário

Sim, Lunna Guedes também escreve diários e com ela o ritual é quase uma alquimia. Fico imaginando Lunna a escrever seu diário e ainda assim vivenciar os diários de mais três pessoas. Imagino o chá a ser preparado em um rito que já conheço, a varanda a se oferecer como ponto-abrigo-lugar e as palavras acontecendo. Isso é mágico. Há canções que chegam até ela nos fones de ouvidos, enquanto Jane dog pede atenção.

Foi tudo isso que me fez aceitar o convite e embarcar junto com ela e mais duas outras autoras e viajar dentro das estações. Aos sábados talvez tenha o significado de sabático – penso eu – dentro desse nosso tempo de estar e ser.

” — abre parênteses —

Ainda não é outono por aqui e também não é mais verão — são dias fora do calendário, com suas datas disso e daquilo. É tempo de espera, como se a realidade estivesse a preparar uma xícara de chá.

— fecha parênteses — “

Lunna Guedes escolheu os sábados logo após uma conversa nossa sobre cotidianos. e estará junto comigo, Roseli Pedroso e Aden Leonardo no lançamento de nossos diários em uma live via Facebook pela página da Scenarium. No dia 28/11/2020, às 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda.
É só chamar (11) 99241-5985

Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

Aden Leonardo também escreve diário

Sim, a Aden Leonardo também escreve diário e escreve com jeito de quem brinca de viver ou de morrer. Aden é ácida, é doce, é amarga, é agridoce.

Varanda para abrigar o tempo é um diálogo solitário com as páginas. Aden Leonardo é um instante que dura a vida inteira. Quase sem pressa Aden se faz dentro dos dias e das estações.

“Um dia qualquer, você vai beber água e na sua sala um Benito di Paula vai tocar num piano de cauda um samba triste.
Só então você vai prestar atenção.
Que a sua vida estará sempre entre os dedos de um artista antigo. Se você merecer, claro, vai ouvir e chorar.
Porque tudo dura apenas alguns minutos. E é muito bom.”

Aden tem um quê de mistério que gosto de tentar desvendar e estará junto comigo, Roseli Pedroso e Lunna Guedes no lançamento de nossos diários em uma live via Facebook pela página da Scenarium. No dia 28/11/2020, às 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda.
É só chamar (11) 99241-5985

Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

Roseli também escreve diário

Quando recebi o convite para escrever o diário, dentro do Projeto Diário das Quatro Estações fiquei feliz ao saber que teria a companhia de mais três autoras. Cada uma com sua especificidade e hoje apresento para vocês, Roseli Pedroso.

Sim, a Roseli também escreve diário e generosa deixou que outras mulheres assumissem seu diário: Carminha, Lígia e Verônica. Ao longo dos dias, semanas, meses, cada uma desfilou através de suas confissões, o rumo que suas vidas tiveram. Tudo isso se transformou em Equação Infinda.

Sempre retorno à escrita quando a situação aperta. Esse exercício me conforta nos momentos de crise.
Minha trilha sonora, hoje, The Pretenders, cantando I’ll stand by you. Vamos combinar que até para sofrer tem-se que ter classe.
Tenho perdido muitas pessoas queridas para essa praga que toma conta do planeta: AIDS. Ontem enterramos o Glen, colega de longa data. Rapaz alegre, brincalhão, uma fera na tecnologia e um excelente dançarino.

Roseli tem uma lindeza na escrita e interpretação e estará junto comigo, Aden Leonardo e Lunna Guedes no lançamento de nossos diários em uma live via Facebook pela página da Scenarium. No dia 28/11/2020, às 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda.
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Desvios para atravessar os quintais · Projeto Diário das quatro estações

A cidade de minha escrita

A cidade que escrevo em meu diário atravessa a rua de cima e me leva para além dos limites dela…

A minha escrita caminha por tantas cidades dentro de uma só e não só por ela. Mas dela, eu cito o sol que se põe… a lua mais brilhante e dos desvios sobre os quintais e seus telhados antigos.

Mais do que uma cidade, uma legião delas me inspiram… inclusive, até as que nunca visitei. Mas, quando o sol se propõe a oferecer um espetáculo diferente todos os dias.

“A minha rua tem uma cidade vazia… cheia de casas sem habitantes e com quadros ocos. De vez em quando, peregrinos com ideais de sonhos cruzam por ela. Atravessam seus muros e plantam nos quintais – chegam a abrir as portas e janelas – mas logo vão embora deixando as casas mais vazias ainda e as aves desabitadas penduradas em galhos secos de árvores sem cor. As estações acontecem dentro das horas do dia. A primavera se perde no calor imenso que queima tudo. A minha rua tem uma cidade em ruínas e essa solidão imensa sem você. Nos quintais a esperança foi moída e os mitos que cuidavam dos jardins se desmitificaram todos. A solidão da minha rua tem tatuagem da presença de alguém. Tatuagem desbotada, igual aos grafites feitos nos muros tortos da minha cidade. Tem a maresia rasgada em mil pedaços dentro da noite e tem a vitrola antiga a entoar fados só para registrar que o mar é logo ali, além da esquina.”

Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais.
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  as 17 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

Desvios para atravessar os quintais · Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

O que eu escrevi em meu diário

No meu diário falei sobre os rumores dos dias dentro do que eu vivia ou imaginava. Muitas vezes, vesti a solidão das pessoas e escrevi:

“O homem da esquina contou sobre o pássaro solitário. Nunca havia motivo para voo, nem pouso. Falou que ele ficava ali, parado sem nenhum motivo aparente de alegria. E
que a missão dele era encaminhar aves sem rumo. Que a maçaneta da porta da casa azul foi ele quem fez. Que o pé de amoras foi plantado no quintal em um dia de chuva e que ele ficou ali, com o céu a derramar a água e o cheiro de terra molhada a invadir as janelas onde violetas brotavam… Que a água foi dando vida entre a raiz e a terra e que
naquele dia desejou o pássaro para ser parte da árvore que nascia, pois pássaros nascem para pousar em galhos, onde frutos oferecem o universo no sumo e não para pousar em fio, seco, sem vento, suporte ou sem algo para a fome. Desenhou para mim as palavras dentro do mesmo tempo — a ave e a árvore. Os dois. Entre o reencontro e a perfeição.
Que era assim que tinha sonhado e que passaria a vida inteira a ser ponte para asa e
pouso. Havia quem dizia que era doido — o homem — e que o sonho era tão maluco
quanto ele… Eu, apenas imaginava que não importava o que falassem dele porque
dentro dos olhos dele o céu criava jeito de espaço e morada para pássaros sem árvores.
E que das mãos dele, com instinto de cansaço ainda continuavam espalhando sementes
em dias de chuvas. Em cada dia ele repetia a história… com uma ave diferente, uma
árvore nova e seu quintal se juntava ao meu, em oração pelas aves sem árvores e ele
criava dentro de sua história, um motivo para viver.”

Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais.
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  às 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

Desvios para atravessar os quintais · Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

As quatro estações da minha escrita

Primavera

Foi sentada na varanda observando o quintal que prestei atenção nos desvios que os pássaros, borboletas e insetos faziam através do muro, em um lado transversal no céu. Parecia uma rota programada. Dali, senti os cheiros das flores, da grama cortada em alguma casa vizinha, do café na madrugada enquanto o sabiá laranjeira anunciava o dia nascendo. Passei pelas quatro estações dentro da minha escrita.

Verão

Escrever não precisa de explicações


Eu poderia detalhar cada mapa e cada imagem… cada planta e cada estação dentro do dia. O sol, esse companheiro que vem e faz sempre questão de mostrar que é verão todo tempo se acanha quando falo de chuva, de lua e vento. Os cães me espanta quando os vejo em pleno meio dia deitados no chão com as pernas abertas como se assim absorvessem a energia emanada dele.

Escrever um diário é entrega de alma e foi isso que fiz. Em delicadas porções fui me dando dentro da leveza das folhas que o vento carregava no quintal. Não posso dizer que ousei. Acho que escrevi cartas e não enviei. Um dia, às vezes, tão igual ao outro e tão diferente dentro de mim.

Inverno

E foi assim que dentro de minha escrita as estações vieram morar. Talvez eu te diga que a primavera é a estação que me encanta… Quem sabe, na rota entre os desvios você se encontre no verão ou prefira a sensação boa de inverno… mas eu entendi que eu moro no outono de mim… Isso me leva à minha infância onde o campo semeado quase pronto para a colheita dourava as manhãs… aquela cor, nunca mais saiu de minha memória. Aquela cor desenhou a bússola que olhei e tracei as palavras dentro de minha escrita.

Mariana Gouveia
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  as 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

Desvios para atravessar os quintais · Projeto Diário das quatro estações

As quatro estações do ano

Primavera

Dizem que as flores esperam que em todos os jardins seja
sempre primavera

Escrever dentro das quatro estações é um processo de conhecimento. Os dias que acontecem dentro delas se misturam em nuances que aproveito nas palavras do diário.

Verão

Aqui, onde moro é verão o tempo todo e poucas vezes, acontecem todas em um só dia.

Outono

O vento, esse mensageiro de poesias

O outono, quando acontece aqui, espalha as folhas pelo chão.

Inverno

Os nomes das coisas antecedem as estações.
Nem era dia de nada e ainda é dia de alguma estação…
Como digo que a flor só nasce na primavera?
E quem sabe se a folha só assopra no vento do outono?
No inverno, o frio é esse vazio de pele, mas e no verão?
Quem cala essa voz que grita?

Denominar cada uma é estranhar o ritmo que acontece aqui. Não sei em qual estação minhas palavras vão te alcançar. É mais do que um diário… É uma rota que tracei e marco você, na bússola que te guia nos Desvios para atravessar os quintais.

Mariana Gouveia
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  as 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

Desvios para atravessar os quintais · Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

Sim, eu escrevo diário

Novamente, mais uma vez abro as páginas do meu diário. Dei o nome de Desvios para atravessar os quintais. Cada dia, diante dos muros e sem poder sair por causa da pandemia meu olho atravessava as rotas que as borboletas e os pássaros faziam e com isso eu conseguia atravessar a barreira da solidão e mergulhar nos quintais das ruas do meu bairro.

As lembranças de grande parte de minha infância são retratadas nos dias que se misturam dentro das quatro estações e é nelas que o lápis deu cor ao branco das folhas.

As miudezas do dia a dia… o artesanato que minha mãe ensinou… o amor contado nos segredos das horas… Tudo serviu de inspiração para te contar coisas que a gente só conta em um diário.

Então, te convido a vir comigo nessa rota até onde meu olho encontra com a emoção da escrita.

O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  as 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

Mariana Gouveia
Ph: Pinterest

Cadeados Abertos · Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

Das maresias

A cidade cumpria seu rito de anos … O sol castigava a todos, como sempre…
Naquele dia, o mar cantava em meu ouvido.

Maresia pura em minha boca.
Peguei minhas mãos – tuas – toquei de leve meu corpo… era pele gozo, vontade.
Naquele dia – como nunca havia sido de ninguém – fui sua,

Mariana Gouveia
Cadeados Abertos – Diário das Quatro estações
Scenarium plural Editora
*magem: Mira Nedyalkova

Projeto Diário das quatro estações

Há um pássaro dourado voando em minha mão…

E era feito de escamas – quase peixe – um tsuru desenhado na mente. Era de lata, a ave, que cantava em silêncio, tal qual a menina muda que conheci dias atrás. Há um pássaro preto, preso em minha mão, era feito de laços – um coração em presente – com suas asas negras a soltar penas com seu canto a ecoar memórias. Palavras que encontrei em um caderno velho onde escrevia histórias de amor.
Há um pássaro sem cor na minha mão. Era sem asas e sem pena – não cantava dentro da noite… Mas quando amanhecia e o vento sacudia as folhas das árvores do quintal, ele voava e se tornava um beija-flor e era colorido com seu canto amanhecido de sol.

Mariana Gouveia
No bico do beija-flor beija a flor
*texto que fará parte do Projeto Diário das Quatro Estações 2020 pela Editora Scenarium Plural