Das palavras das cartas · Lunna Guedes

em meio a um turbilhão: uma resposta acalma a mente e o coração

DSCF2157

Cuiabá amanheceu com nuvens grossas e o pé de vento que mora no meu quintal dançando com as folhas de tudo que é planta e fazendo o pássaro balançar no bebedouro.

Bambina mia,

…Acordei ainda madrugada com notícia de uma morte. Alguém importante do meio da imprensa e da política partiu. A partir daí, o dia foi de correria e de movimentos. Entre notas e manchetes, lamentos e choros, assim correu a manhã.

O sol apareceu mais bravio do que sempre. Ardia a pele e embora entre todos os atropelos, a vida continuava acontecendo magias no meu quintal.
E como a vida continua apesar de tudo, havia um aniversário para se comemorar hoje – mesmo sem festa – *ela ganhou flores, e fez uma manhã pesada se tornar leve entre risos, emotions e carinho.

*Ela é a quem chamo de minha Jane. Companheira de momentos bons e ruins. Mulher com jeito de menina traquina e sempre antes das apresentações nos eventos, mesmo entre timidez – ela odeia microfones – ela dizia: Me chamo Jane…eu, me atrevia para acalmá-la, dizer: e eu sou Tarzan. E era riso entre as pessoas. Desde então, ela se tornou minha Jane e eu a Tarzan dela. oooooooooooooooo… O dia foi diferente, estranho, com jeito de luto e ao mesmo tempo de festa – como pode? – Estranho esses sentimentos que me movem e por vezes, pesam em mim.

Mas, como a magia sempre preenche meus dias e o encanto me surge em forma de palavras, veio essa missiva que iluminou minha tarde. Alinhavou em mim costuras de paz na alma. Deus é sempre generoso comigo e a natureza me traz gente que me inunda a alma. E veio ela..  e adoçou um dia intenso, extenso com minhas cores desenhadas em letras que esparramou em meu coração e que sorvo até agora o sabor da delicadeza. É quase chá de flores que rescende em todos os aposentos da casa.
E assim, encerro o dia. Com a alma em transe pelo simples poder que as palavras trazem. O poder do carinho e que devolvo para você, embrulhado em papel de presente e o laço do meu abraço…

Bacio,
Mariana Gouveia

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Carta à minha bambina aos cuidados do outono

DSCF3689

Querida L

Aqui é primavera e você brinda, vive e comenta outonos. Os dias me dizem mais de você do que pensa. Eu caminho no meu quintal – descalça – em sua homenagem. Eu “chovo” sobre as flores que se abrem em minha velha caixa de eternit. Coloco a mão na terra e comemoro teu dia, teus momentos e tuas missivas. Abro meu caderno de receitas e anoto aquela que você adoraria experimentar. Também tenho a alquimia da arte de cozer. E penso que hoje eu declamaria Borges enquanto preparava uma massa para você.

Descobri com uma amiga barista como se faz um café especial. Não entendi muito bem como seria esperar que a água não deva ser fervida e sim, aquecida no limiar onde as bolhas começam a agitar a água – é alquimia, menina! Ela diz. E essa palavra – alquimia – me leva até você. Que usa as palavras e as transforma em poesia, em encanto e em tudo que eu queria escrever. Ouro puro, no quilate exato das palavras!

Visito lugares que você visitou através de seus olhares. Caminho com as mãos entre os bolsos, junto com você, respeitando seus silêncios e descubro que se há algo que posso desejar é seu abraço, para confirmar a quentura que já sei como é. Costuro momentos que conheci através de você. As fitas de cetim se transformam em laços. Esses laços que o destino traça e une pessoas em diferentes mundos.

Esse laço que te presenteio num abraço. Hoje, a noite deu-me seu presente. Se pudesse, mandaria o cheiro que rescende no nome da flor que se abre para te dedicar momentos – dama da noite.
A dama da noite se abre e dizem que ela faz isso uma vez ao ano e justamente hoje, ela faz a festa aos olhos seus…

Que a vida te seja bela. Que te seja leve os dias. Mesmo os mais complicados.
Que seu ombro seja forte o suficiente para carregar os fardos que por ventura sejam direcionados a você. E que nunca te falte uma lambida de cão, um riso de cumplicidade e uma palavra que mereça ser escrita. Que o outono continue a te encantar e assim, você continua a nos encantar sempre.

*poderia ter escrito isso tudo em italiano, para ainda mais delicar-te nos momentos – essa palavra delicar-te não existe – eu a criei. Mas, de italiano só sei poucas palavras. Treino-as todos os dias parar renovar meu carinho per te.

bacio
Buon Compleanno!

Mariana Gouveia

O lado de dentro

Invasor

Invasor


Chegou como se fosse dono.
Ficou.

Trouxe no bico o canto
a sede.

Nos espaços – a asa
Na liberdade – aconchego

Não havia marcação
território livre
apenas a doçura
nos plásticos das flores

Invasor, intruso
e domina a arte de conquistar
o riso.

 

Mariana Gouveia
O Lado de Dentro

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Carta à minha bambina aos cuidados de Outubro.

10675796_740018849367814_2840142578943985602_n


O Outubro aqui é rosa e eu aspiro Exemplos em palavras tuas. O calor não me permite o café, é quase como estar em um forno e ainda assim a brisa morna me leva até você.

A palavra missivas me cai como música. Cheiro o envelope pardo e pinto ele com a cor do seu sorriso. O meu vestido florido canta a primavera que ainda passeia no meu quintal.
As papoulas, vindas como sementes ganham folhinhas verde esperança em um vaso que cultivo, reverencio e “faço chover” nele todos os dias.

Meu tempo, tão contado em minutos nesses dias loucos, avesso às minhas poesias, reverbera em mim vontades, que planto e amadureço em mim.
Vontade plantada de ver esse riso solto, de lamber focinho do cão…de pular as poças d’ água e de ficar apenas em silêncio…é impossível eu ficar em silêncio diante de tantas impossibilidades. Flor de viagem plantada no meu quintal.

Exemplos antecipando desejos de abraçar e conhecer o riso largo. De estender conversa sobre o personagem principal de amar.

Exemplos contando histórias que aconteciam. Ainda hoje o noticiário falou algo sobre isso – lembrei –
Mas o movimento de ter nas mãos a fita que ela costurou e ler as palavras que ela escreveu e a frase dedicada a mim – sonhos vão além de sonhos, seu pai falou um dia. Realizá-los é a meta. Seja a amora no quintal, o boldo que floriu lilás ( e eu só sentia o gosto amargo pela boca adentro) e o carteiro que já me conhece e sabe que nunca vou estar na hora da entrega e que ele amorosamente faz a gentileza de voltar na hora em que tem alguém em casa.

Não fosse isso, hoje, eu não escreveria essa carta. E a mágica de uma lua enorme invadindo a sala e eu, dignificada no olhar não cantaria Bocelli o hino que me leva até você.
A melodia interrompe os gritos da noite, o latido do meu cão, o cri-cri dos grilos debaixo da pedra de amolar, que tem a minha idade – Sim! Eu tenho uma pedra de amolar facas que já era antes de mim, e quando meu pai mudou me confiou a herança única de levar comigo a pedra que ele buscou em uma aventura que escrevo em outra carta.

Amanhã, amanheço com o dia o calor, que segundo a meteorologia muda o tempo em quase todos os outros estados, mas que aqui, continuará esse mesmo calor que aquece a pele, a alma, a vida

Mariana Gouveia.

 

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Das cartas que escrevi…

DSCF2463

Querida L
Abro o dia de amanhã e é como se um envelope fosse aberto. Adoro o cheiro. Trazem histórias dentro dele.

Somos o contrário – Eu possuo os dias, com seus voos rasantes de beija-flor anunciando o normal do milagre que me acontece todo dia – enquanto você adora os silêncios gritantes da noite que te rodeia.

Às vezes, as coisas me acontecem como milagres. Ei-lo hoje, em forma de cheiros de envelopes rondando meu lugar. Acho que essa sensação dentro de mim se chama felicidade. E foi você quem trouxe. A primavera irrompe o muro do quintal e traz a delicadeza da flor do hibisco onde uma borboleta pousa.

Trovões fazem sua festa no céu anunciando uma tempestade. O vento sacode as folhas do pé de canela e o cheiro invade as  salas do escritório e eu aspiro vontades.

Vontade de chá, de silêncios, de sair sem rumo sentindo a chegada da chuva. O céu muda sua cor e eu fico apenas a espiar da janela esse dia que cheira primavera.

Quase que para além, das palavras eu ouço o vento que o menino grava para sua mãe e envia feito mensageiro em um vídeo só para dizer que lá pelas bandas da casa deles choveu também.

Contou as poças d’água no quintal. Do ninho que algum pássaro perdeu por causa do vento, das mangas ainda verdes e que frágeis vão virar comida de pássaro no chão. Finaliza dizendo que lá para os lados do meu lugar um sol fraquinho vence a chuva da primavera e faz presença onde meus cães sentem minha falta.

Falta pouco para o dia findar. Tão pouco, que quase sinto que é amanhã, onde começará tudo outra vez.

Mariana Gouveia

Caderno de Notas

Pé de vento

is life 207-1

         Apenas os espelhos esvoaçam em redor da cabeça morta violentamente sobre ideias.
E a imagem conglomera-se.
Oh cabeça, escuro labirinto duplo,
madeira trémula, espelho espelho,
com sua imagem de um lado delirante,
e sua arguta flor, seu pássaro cheio de sons emplumados.

(Herberto Helder)

Em frente da casa dela tinha um pé de vento. Morava ali desde quando era menina. Bastava passar pelo o portão e o vento surgia rotineiro nas saias dos seus vestidos, nos seus cabelos. Havia um menino que brincava com o vento. Corria a empinar sua pipa. Nessa hora entrava para dentro e dava as costas para a noite, que se desenhava lá fora.
E o vento se tornava enfurecido na janela. Assoviava amedrontando as cortinas.
A árvore tão forte e que já era grande quando ela nasceu, retorcia seus galhos e espalhava suas folhas pelo quintal. Durante o dia aventurava-se a enfrentar o vento. Saía devagar e debaixo da figueira e abria os braços e dançava. Trazia o riso de louca no olhar. Enfrentava vez ou outra o desafio de ser ela mesma, ali, na rua nua de risos. Janelas fechadas, portões que rangiam em sintonia com o vento. Ninguém nas calçadas perdidas. Nenhum som se ouvia pela rua inteira. Apenas o menino que corria com sua pipa ladeira abaixo. Parecia voar e olhava para ela com medo. Sentia isso. Seu olhar percorria o olhar do menino e ao sentir o medo dele entrava na casa de novo e dali da janela, entre as cortinas medrosas, olhava o vento dominante. Sabia que ria dela.

Olhava a mesa e havia ali, deixado pela mãe o copo de água e o comprimido. Lembrou do cata-vento que ganhou para brincar com o vento e que ela preferia usar os dedos imitando um. Alguém dissera que o vento ali, era amigo. Alegrava a alma. Mas, ela não sabia se isso era verdade. Nem sentia se era.
O que era verdade, vinha da palavra loucura que assombrava os dias. Tremia nos silêncios dela. Via ela estampada nas lembranças que insistiam em percorrer todas as noites os mesmos caminhos.

Na casa dela os objetos mudavam de lugar. As fotografias ficavam na cozinha no balcão cheio de tecidos do lado da máquina de costura, onde a mãe ficava o dia todo e parte da noite debruçada fazendo roupas para as pessoas. As fotografias ali, entre as linhas e agulhas. Volta e meia via a mãe espiar os parentes nos retratos amarelados pelo tempo. Percebia que chorava às vezes. Havia sempre uma cadeira na varanda que atrapalhava o corredor. A cama da mãe era na sala. Mas, ela desconfiava que a mãe não dormia nela há muitos anos. O sofá, que ficava perto da pia, já tinha o corpo da mãe tatuado do lado direito.

Havia mais janelas que cortinas. Esqueceram o rádio ligado e o gato de porcelana que ficava a olhar o pé o tempo todo e a mãe sempre dizia que havia ganhado no dia do casamento morava na mesa ao lado das taças que ninguém nunca bebeu nada nelas e embaixo de um quadro sem definição alguma e que ela nunca entendia porque a mãe ainda mantinha um quadro ali. Era um quadro bordado por uma bisavó ou tetravó. Tinha não sei lá quantos anos. Um rosto bordado que acabava em vários outros, onde as linhas haviam sido rompidas por uma limpeza mais abusada.

Assim, ela passava os dias e durante a noite ficava com as cortinas abertas, para que a luz da lua entrasse e seus dedos ágeis imitavam cata-ventos. Via a treva engolir a noite e o dia ir. Assim como ela ia sempre embora para dentro de sua loucura no fim da noite. Ia embora com o pé de vento.

Mariana Gouveia

 

*Este post é parte integrante do projeto Caderno de Notas – Quarta Edição, do qual participam as autoras Aurea Cristina, Claudia CostaFernanda FarturettoLunna GuedesMaria CininhaMariana Gouveia e Tatiana Kielbeman

 

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Carta ao meu pai aos cuidados de Agosto

DSCF3158

abe, pai. Quando ouvi essa palavra pela primeira vez foi como se eu fosse marcada pela força que ela emana e descobrisse que ali, naquelas três letras estava todo amor definido.
A pronúncia, entre balbucios e riso e teu olho cheio de água plantou em mim uma árvore da qual me espelho até hoje.

Virei essa árvore e a minha raiz vem do alicerce forte que você me deu. E quando por vezes uma ventania espalhava minhas folhas vida afora, eu me agarrava na certa de que minhas raízes estavam seguras no amor, no exemplo e no amparo que você sempre me deu.

Muitas vezes, quando me rebelava em meu espírito de filha, você me mostrava caminhos, indicando-me onde era mais fácil trilhar. Por mais que eu me perdesse nas buscas, sua mão estendia-me a direção.

Me ensinou a ter consciência das perdas que por vezes tive.
Ensinou-me a valorizar cada ganho e principalmente a ter respeito por tudo. A vibrar com vitórias sem parecer prepotente. A vencer sem derrubar ninguém. Me ensinou a ser eu. Tão própria dentro do meu mundo e tão raiz tua.

Te desenho hoje na simplicidade dos dias. Você, pai, de sorriso largo, de persistência intensa. Com toda vontade de viver exemplifica o amor incondicional.

Feliz Dia dos Pais!

Mariana Gouveia

 

Caderno de Notas

A noite é quando tudo se junta dentro de nós.

DSCF2794

 

Tropeço nas coisas que eu mesma esqueci pela sala. O interruptor acende ao meu toque e a luz pálida ilumina lugares que prefiro nem ver. As fotos dispostas em fila no balcão, a agenda esquecida ainda de manhã. Na geladeira, não há quase nada comível. Apenas um tomate que escapou da última salada, alguns biscoitos recheados e um iogurte com data de validade suspeita. Respiro resignada.

A mente me leva para lugares onde eu gostaria de estar. Talvez nem desejasse tanto, mas era exatamente onde me caberia nesse instante.
Da janela, vejo vultos das folhas do hibiscus mutabilis que dançam a melodia noturna e brinca com a lua que desafia o equilíbrio da cortina.
Não gosto desse espaço de solidão dentro de mim. Converso com os cachorros para esvair a sensação do sozinha que me atinge, mas parecem tão solitários nos sonos de cada um que nem me ouvem. Abanam o rabo quase que instintivamente para voltar a sonhar no mundo dos cães.

O chuveiro me convida para o banho. A melodia da água caindo quase me acorda desse torpor, mas foi só a solidão desamparada que esfrega na minha cara do quanto essa casa foi cheia de vida, de gente, de presenças. Eu estou só. Pela primeira vez em tantos anos que não lembro quantos. A cama é só minha e isso é mais angustiante do que os barulhos que ouço.
Conto carneiros, conto estrelas, canto canções e o sono vagueia pelo lugar onde os cachorros dormem. Fugiu da minha cama, acelerado, como se adivinhasse que as lembranças e a tal liberdade conquistada não são coisas para se viver dormindo. Por companhia, só a lua que agiganta diante de mim e do vazio da solidão.

Mariana Gouveia
*Este post é parte integrante do projeto “Caderno de Notas – Quarta Edição”, do qual participam as autoras Aurea Cristina, Claudia Costa, Fernanda Farturetto, Lunna Guedes, Maria CininhaMariana Gouveia e Tatiana Kielbeman

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Carta ao meu filho aos cuidados de julho

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 Oi, filho,


Hoje retornei às minhas lembranças. Revi os dias que antecederam tua vinda ao meu mundo. E depois daquele dia em que me vi grávida, nunca mais fui só, por que desde aquele momento você passou a ser parte dos meus pensamentos.
Ainda na barriga, resguardado do mundo aqui fora, a ansiedade era ver como você seria.
Os dias e os meses antecipou tua chegada um mês antes do previsto. E de repente, você se tornou nossa vida.
Os primeiros dias, os primeiros meses, o primeiro ano. A primeira palavra, a ida à escola… e você se torna cidadão do mundo.
Cada descoberta era uma magia em nós.
Eu e seu pai fomos seus adversários nos jogos, até tênis inventamos de jogar, para te dar uma atividade única.
Você foi se transformando com o tempo. E cada conquista tua era a nossa também. Sofremos juntos suas dores de amor. Rimos juntos das piadas às vezes sem graça. Até torcer para seu time nós torcemos, só para te ver feliz. E quando ele perdia, dávamos-te a lição de que perder faz parte.
Hoje, relembrando o dia em que você nasceu, há 26 anos atrás, eu sabia que seria a última noite em que eu dormiria tranquila, por que depois de você, as minhas noites seriam povoadas de você. Se tava dormindo direito, se tava com frio, se havia comido antes de dormir. E rezava/rezo para Deus te proteger.
Te criei envolvido na poesia. Te apresentei os livros. Mas, antes de tudo te dediquei amor.
Embora hoje, você seja um homem, com personalidade forte, dono de si, para mim e seu pai, você ainda é nosso menino.
Filho, a vida nos leva por caminhos que talhamos e são nesses que caminhos que desenhamos nossa história. A sua história é escrita dentro da nossa e sem você nossa história não teria momentos tão bonitos para mostrar.
26 anos se passaram desde quando você nasceu e foi aí que nós nascemos para a vida.
Te amamos infinitamente

Mariana Gouveia

O lado de dentro · Scenarium Livros Artesanais

Ave, flor

Ave, flor


Ela trazia na mala seu gosto de Flor
bagagem única que na noite tocou minh’ Alma
Sua cor destoava do meu querer
por que eu a queria colorida,
plena,
estame, orvalho, saliva
semente de mim.

Pólen que espalha sensações
do bem querer –
essência

Quase uma oração:

Ave, flor!

Mariana Gouveia – O lado de dentro, pág, 12
Scenarium Livros Artesanais