Das palavras das cartas · Projeto52

A morte pulsa nas veias da existência e ata minha vida ao pulsar dos segundos.

Querida Sandra,

” (…) estar ao abrigo do fim do amor,
é a isso que eu chamo felicidade.”

Marguerite Duras

Hoje, eu quero falar com você… nem sei se sobre mim, se sobre dor, perdas e morte… mas, quero falar com você, com minhas palavras que te abraçam para além das imagens.

Devo dizer que senti uma certa inveja de sua dor… você perdeu uma referência feminina muito grande – nem sei bem se o termo é perder , porque a referência que ela te deixou está aí, latente e viva em você. Tão forte e tão sensível.

Eu sempre fui rodeada de mulheres fortes, valorosas… mulheres que de alguma forma foram faróis no meu caminhar, mas não tenho referências de minha avó materna. Para mim, ela era aquele desejo mais profundo, de busca de colo e aconchego… mas, não vivi isso. Cheguei mais perto disso com minha Bá – dona Fulô – a parteira que me trouxe ao mundo. Só que a avó – mãe de minha mãe – que conheci através das palavras dela surgiu diferente diante de meus olhos, já nos meus dezessete anos.

Ela era perfumada… coque bem feito com seus cabelos compridos e indiferente ao meu olhar de neta. Quando minha mãe se foi, dias depois, o que era indiferença se transformou em ignorância. Ela nos ignorava. Talvez, essa seja a pergunta que mais me acompanhou durante tantos anos – hoje, não mais: porquê? A casa dela ficava a três quadras da nossa, na mesma rua… E entendo que por termos morado longe dela boa parte dos anos, a intimidade não foi construída e juro que tentei… depois de um ano e pouco, desisti. Não pedi mais a mão para meu luto, nem colo, nem abraço. Passei a ignorar e foi assim que me libertei da vontade de viver ela.

Ela também já se foi há alguns anos e lembro-me que o sentimento que senti ao despedir-me dela foi a indiferença. Nunca tive um abraço, mesmo pedindo e nossa despedida foi uma leve oração. Eu não sinto falta de afeto das mulheres infinitas da minha vida… mas, juro, que por muito tempo, eu quis o afeto dela para ter a lembrança dele quando ela partisse. Não chorei, nem senti a previsão de falta… Por isso, a inveja desse seu sentimento de dor…

Não vou dizer para você superar… porque sei que a falta é muito além da presença física. O que vou te dizer é para que você teça suas lembranças dentro de todo afeto que você recebeu dela e ainda recebe da filha dela – sua mãe – em ritos de coragem para poder viver. A morte é essa faca que corta da gente pessoas que são nossas bases. A morte pulsa nas veias da existência e isso é inevitável e o que fica é a leveza do afeto, do abraço, das imagens que a gente vê todos os dias.

Quero encher seus olhos de imagens lindas todas as manhãs para que seu sorriso vibre pelas ruas da França, pelos campos de Portugal e pela vida afora junto com as lembranças de sua avó sob a benção atenta de sua mãe.

Quero que minha poesia te alcance na tonalidade dos dias e das manhãs em fusos diferentes e quando o buraco em seu coração doer de saudades que todas as lembranças do afeto dela sejam como o pousar da borboleta na flor, como se fosse o abraço dela.

Abraço carinhoso,
Mariana Gouveia
Projeto 52 – Scenarium Livros Artesanais
Participam desse projeto:
Obdúlio Ortega Lunna Guedes

Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Retrospectiva Literária.

*“Nenhum livro nasce sozinho.
Um livro contém os nomes e o amor de muita gente que se esforça nos bastidores.”

Não sou muito de fazer retrospectiva do ano que passou, fazer listas, que na maioria da vezes não cumprimos, mas nesse ano, movida pela Scenarium Livros Artesanais, como parte da Blogagem Coletiva venho trazer para vocês um pouco do que li nesse 2021 que pareceu ter um século.

Como parte do Clube do Livro da Scenarium tive vários encontros surpreendentes, sempre virtuais, no primeiro sábado de cada mês e mais do que falar sobre livros, os encontros nos aproximou e nos fez mais fortes.

* “Abrir um novo livro é abrir um lugar cheio de coisas favoritas.”

Alguns dos livros que li nesse ano, e embora faça parte dos projetos coletivos da Scenarium me tocaram de uma maneira sublinhar.
Colheita, um coletivo de poesia com o selo Scenarium me fez semear poemas e colher poesias de autoras maravilhosas.
Casa de Marimbondos – mais um projeto coletivo que nos envolveu em contos que encantaram e Casa Cheia, crônicas que nos embalou em histórias incríveis. Delírios Comunistas, Mulher Proibida, Nem sempre a Lápis, Roteiro Imaginário que nos pegou pela mão e nos levou rumos aos dias em que tudo parecia difícil e tornou mais leve a vida.

Outros livros que reli – por conta do Clube de Leitura – Receituário de uma expectadora, de Roseli Pedroso, REALidade, de Obdúlio Nunes Ortega, Agora Chega, de  Iohanna Ca, Mia, a holandesa dos pés descalços, de Anselmo Vasconcellos, Um teto todo seu, de Virgínia Wolf, Amor Expresso, de Adriana Aneli me trouxeram realidades novas, descobertas impressionantes e a perspectiva de que tudo muda, dependendo do instante que a gente lê.

*“Mesmo que eu releia o livro várias vezes, continuo vendo frases novas que não tinha visto.
Será que você, leitora, não passou por alguma mudança?
O livro não mudou, mas sim você.
Alguma coisa mudou no coração da leitora.”

E por fim, não poderia deixar de falar sobre meu livro Colcha de Retalhos, que foi um presente lindo da minha editora Lunna Guedes, com o selo Scenarium Livros Artesanais. Uma história que escrevi com o coração e a alma cheia de saudades. Nesse livro, mais do que falar de amor, eu falei do sentimento único que é vivê-lo. Quando o livro chegou em minhas mãos, pronto, com a capa e a delicadeza das ilustrações da Carly Ca me emocionei… ainda me emociono porque vejo nele a entrega do amor de Lunna Guedes em encontrar detalhes que ninguém mais vê. Sinto o cheiro da saudade e ao mesmo tempo a leveza de cada instante vivido.

*“Um livro inspirador pra um pode não ser para outro. Encontre o seu.”

Não consegui falar aqui sobre os outros livros que li além dos da Scenarium… Quem sabe um outro dia, porque a Scenarium, nesse ano tão duro foi leveza dentro dos poemas, das poesias, das histórias, dos contos e das linhas costuradas para que você viaje no mais puro encanto de ler.

Mariana Gouveia
Blogagem Coletiva
Scenarium Livros Artesanais
*Frases retiradas da Série Coreana Romance is a Bonus Book

Participam desse projeto: Lunna GuedesDarlene ReginaRoseli Pedroso

Das palavras das cartas · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – ho ho ho

Caro Dezembro,

Devo confessar que você acontece em mim bem antes que seus dias cheguem no meu calendário. Minha programação começa lá em setembro, quando a primavera atinge seu ápice no meu quintal e as flores exibem suas floradas por aqui…

É quando começo a produzir as encomendas para quem gosta de enfeitar seus dias com cores vibrantes, papais noéis em suas roupas vermelhas, anjinhos e imagine só, até bonecos de neves. A maioria das encomendas já seguiram viagem, ou foram entregues para além da rua de cima. Dia desses, quando fui ao mercado, vi uma das guirlandas feita por mim enfeitando a porta da casa amarela.

Acho que, como eu me visto de você em setembro, quando seus dias chegam eu já me desembrulhei do ho ho ho, das canções que se repetem desde a minha infância e até da música de fim de ano na TV… Devo confessar que houve um tempo em que o Natal era a minha data preferida… eu conseguia bordar todas as encomendas e ainda assim, vibrar com a mensagem do bom velhinho…

Mas, isso, foi lá na infância, quando todo mundo da família estava junto e a data era apenas a desculpa para se comemorar o que já fazíamos quase todos os dias. Em uma família grande, quase todo mês era aniversário de alguém e só por isso, tudo era uma festa. E minha mãe repetia sempre que devíamos ter atenção para a mensagem verdadeira do Natal… isso foi há tempo que parece outro século e cada um, em seus lugares, com suas famílias construídas para além dos anos, comemora de outro jeito, outra forma.

Hoje, a festa já vale por eles e enquanto finalizo as encomendas, a vida se veste de Natal em alguns momentos, mas fora de seus dias… Yoshi, por exemplo, quando escuta eu falar o ho ho ho… já se apronta para a brincadeira onde eu corro e ele me alcança…

E Lolla fica simplesmente nos espreitando como se já estivesse cansada demais e com calor para fazer isso… Não é por ser você, o último dos meses que me sinto assim… na verdade, a rotina com o canto dos pássaros e mais ainda nesses tempos onde quase não há nada para comemorar, depois de tantas perdas, te aviso que já estou na Páscoa… Coelhinhos ganham contornos com linhas brancas e douradas, cenouras e suas folhas verdes já aparecem por aqui… Que tal um chocolate?

Feliz Natal, Feliz Ano Novo e Feliz Páscoa!

Mariana Gouveia

Esse texto faz parte da blogagem coletiva 6 on 6 – Scenarium Livros Artesanais
Participam junto comigo desse projeto:
Lunna Guedes – Roseli Pedroso – Obdúlio Nuñes Ortega

Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Projeto52

Caminho… e atrás de mim caminham lugares…

Bambina mia,

Já te aviso de antemão que essa carta é extra-sensorial… Em alguns momentos você pode fechar os olhos e sentir o vento… o caminho por onde te levo tem vento e tem o cheiro de sua cozinha, da xícara de café, do pão no forno sendo assado… e tem tato, porque posso sentir você ao mais leve toque na tela do computador… o abraço quentinho, a risada moleca e o som da bolinha de tênis ecoando pela casa enquanto Jane dog tenta roubá-la…

Acabei de descrever a saudade – você sabe disso – e vendo sua foto sorrindo, é como se você estivesse em minha frente, abrindo caminhos calçadas afora para eu não tropeçar, indicando esquinas enquanto caminho…
Caminho… e atrás de mim caminham lugares… e posso detalhar cada centímetro das ruas que caminhei contigo.
O vento gelado de um fim de agosto, garoa fina, mala arrastada…
Ônibus lotado e seus olhos marejados enquanto te contava minha história e senti ali, a cumplicidade de quem entende o outro sob o olhar atento do amor. Tantas coisas que já vivemos juntas.

Poderia enumerar datas e assim, marcar o tempo que existo em sua vida… mas, acho, que eu me enganaria porque acredito que o Universo só nos reaproximou de novo, de algum tempo em que não lembro, só que desde o primeiro abraço houve o reconhecimento de que eu já estive dentro dele em outro tempo.

Essa missiva está adiantada algumas horas, porque seu dia é amanhã e seria para amanhã minhas palavras. A gente anda se emocionando juntas em conversas em aplicativo de mensagens, e posso dizer em segurança que sua mão segura a minha sempre… em filas de espera, enquanto faço almoço, jantar, café da manhã… quando trovoa, quando tem sol e então, nesse meu caminho, sei de sua presença ali, mesmo não estando e a cada caso novo, história, memória e até fofocas, você está ali, atenta ao meu chamado. Sou grata por você na minha vida… se eu sou um afago do universo para você… ah, bambina mia… Você é a porta segura que sei que ao bater, ela se abrirá para mim. Com todos os aromas que uma casa possui, inclusive da pizza que acaba de me oferecer e seu abraço tão reconfortante.

Sou mesmo uma abençoada!

Auguri!

Mariana Gouveia
Projeto 52
Lunna GuedesAnna Clara de Vitto

Scenarium Livros Artesanais

De que eu me lembro?

Lembro-me do vento a agitar os tsurus nas árvores e era uma manhã clara de um sábado qualquer de novembro. Logo depois chegou o envelope lilás de Paris e a carta falava da volta e havia ideogramas com nossos nomes coloridos… Parece mentira, mas lembro-me dos cheiros desse dia… e durante muitos dias depois me lembraria do cheiro do pão fresquinho da padaria da esquina, do orvalho se desprendendo dos capins na beira da calçada e do hortelã recém colhido por alguém na redondeza… Uma moça havia passado por mim e deixado um rastro do perfume anais anais rua afora – atemporal na memória, pensei nas últimas gotas que você havia deixado em cima da cômoda do quarto quando você se foi – enquanto eu fechava o portão, com o envelope nas mãos.

Depois disso, lembro-me que todas as tardes, eu ficava na janela, ouvindo os barulhos da rua de cima para ver se surgia algum sinal de você havia voltado. Perdi a conta dos dias em que preparei o chá e as broinhas que você gostava, só porque eu vivia em estado de espera…

Com o passar dos dias, eu já não usava mais a blusa de laise e tirei os tsurus da árvore no quintal… Logo seria o tempo das chuvas e pendurei eles na janela da cozinha. Alguém limpou a calçada e não havia mais o capim onde o orvalho rescendia nas manhãs de espera e a moça com o perfume anais anais deve ter mudado da vizinhança ou mudou a rua de passar… e foi aí que você chegou…

Era uma manhã quente verão… os trovões ecoavam no céu e eu nem notei o aviso dele… na pressa, antes da chuva, corri para recolher as roupas no varal… e foi aí que senti sua presença, logo além do muro, parada, antes de bater no portão… não senti mais a solidão de antes. Você ocupava cada milímetro da minha rua e quando adentrou casa afora pareceu que você nunca havia partido. É disso que eu me lembro.

Mariana Gouveia
Scenarium Livros Artesanais
Blogagem Coletiva
Participam desse projeto:
Roseli PedrosoLunna GuedesObdúlio Ortega

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

O livro escrito…

As palavras dela ainda ecoam aqui… e mesmo lendo e relendo algumas coisas parece que em algum momento ela vai chegar de um outro país, da universidade, do mercado ou da caminhada no fim da tarde.

Abro o site que fala sobre horóscopo e vou direto ao signo dela… mas, tudo fica mais brando quando em uma noite estrelada fica possível ver Marte sem luneta. Eu imagino quem ela cativou no além do que se pode ver.

O livro escrito conta minha história de amor… um amor que vivi em mil possibilidades e a sensação é de que tudo foi vivido na intensidade da vida dela. Tão mágico e rápido. Tão fugaz e leve ao mesmo tempo. Tão profundo e suave… costurado como se fosse mesmo uma colcha moldada, combinando momentos e cores. Ana de Marte era mesmo leve e ao mesmo tempo vibrante. E você vai conhecê-la nas páginas de Colcha de Retalhos.

Ana de Marte é a protagonista de uma história que se esbarrou na minha e consegui traduzi em um livro. Se eu te contar da leveza e da delicadeza que você sentirá, talvez, sob teus olhos, você duvidará… às vezes, até eu mesma duvido… Duvido porque o amor descrito em cada página seja único no sentido exato de ser e com certeza, de tudo que ficou, no posfácio do livro é a docilidade de uma carta de amor ou uma colcha de retalhos que vai aconchegar seu coração.

Trago as coisas que ela gostava. A avelã, que sirvo com chá de hortelã. O cheiro que invade o
espaço e a folha da cerejeira, já que flor mesmo, aqui, não deu.
Uso em alguns casos a terapia do desapego e descarto.
São os retalhos que não servem mais. Respiro aliviada.

O livro já está a venda aqui e o lançamento será no próximo sábado, dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília – em uma live no Instagram da Scenarium.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais
Fotografia: Lunna Guedes

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Ao ler o meu livro você vai encontrar:

Fotografia: Lunna Guedes

Primeiro, o cheiro… que talvez seus sentidos te levem a pensar em flores de cerejeiras – ou sakuras, como dizia Kaori – e claro que é apenas uma sugestão minha, para que você pense nas cerejeiras, na certeza de que você encontrará sonoridade, gratidão e amor nas páginas de Colcha de Retalhos.

Colcha de Retalhos se trata de uma história de amor. Na edição de Lunna Guedes – maravilhosa! – o amor se transformou na costura, em forma de quadros e os capítulos uma colcha, onde a emoção predomina.

As ilustrações de Carly Ca traz ainda mais sensibilidade para um livro já tão sensível e delicado. Os números, em homenagem a Seiko e Kaori trazem acima da página a tradução em japonês.

Então, para você que adquirir Colcha de Retalhos, digo que você vai se emocionar, se deliciar e andar de mãos dadas comigo nessa história linda de amor.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
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Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalho – Os personagens.

Qual planeta habita hoje? — pergunto com o olhar
a vigiar o teu céu.
Qual emoção move nesse plano além dos olhos?

A fita de cetim dá contornos à Colcha de Retalhos e usando a simbologia do amor os personagens trazem a delicadeza dentro da história:
Mariana/Maryann – é a narradora da história onde conhece a cultura japonesa com a vizinha Kaori e Seiko, um casal de japoneses que migraram para o Brasil e posteriormente para Mato Grosso, aonde se passa a história.

Ana de Marte é a protagonista. A história se passa em volta dela. Uma menina/mulher que após sofrer um incêndio em sua casa, e perder os pais, vem se recuperar das queimaduras na casa de Kaori e ali passa a viver o amor com a vizinha Maryann.

Basicamente, são 4 os personagens, mas há também o inquilino (que compra a casa de Ana) que tem uma participação linda na história e se torna amigo de Maryann.

Esses personagens se intercalam na delicadeza da narrativa da autora. Com edição de primorosa de Lunna Guedes e ilustrações maravilhosas de Carly Ca, Colcha de Retalhos passeia com suavidade no amor entre duas mulheres e a saudade após uma partida prematura.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
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Colcha de Retalhos · Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalhos – A história

A vida não escolhe os premiados em amar.
Simplesmente ama-se e ponto. Sem questionar os
porquês, ne? Porque isso é único e intransferível
.

Querida Anielle,

Essa carta chegará em sua mãos daqui alguns dias e ela te levará meu último livro Colcha de Retalhos… Escrevi essa história em 2015 e confesso que relendo tudo de novo, parece que tudo aconteceu ontem. As dores da saudada retornam, as lembranças são quase tocáveis e sei que sentirá o tanto de amor que Ana recebeu, porque a história é ela.

Eu tinha 16 anos quando conheci sua irmã e a vontade dela de viver me puxou pela mão e me virou de ponta cabeça fazendo meu riso ecoar na rua em que eu morava e em todo canto que estivemos Tudo era tão bonito nos olhos dela e sob o silêncio, que muitas vezes tive de quebrar.

Retratar as dores, as lutas e os caminhos que ela percorreu mundo afora, de uma forma singela como ela era foi a parte mais fácil. Falar da volta, da tranquilidade que ela buscou e da partida tão repentina para nós foi como rasgar de novo a ferida… Mas, olha, a delicadeza com que Lunna Guedes tratou e costurou cada quadro, dando vida, cor e voz para essa história foi como um bálsamo de cura.

Quis te escrever para que saiba que Ana permanece intacta no meu coração com a mesma magia e alegria de sempre e cada vez que vejo Marte no céu, em forma de estrela, sinto que ela se apresenta com o riso nos olhos de avelã que a gente nunca vai esquecer.

Os quadros foram costurados, e mesmo a história sendo um caso de dor, no fim, a colcha de retalhos se tornou aconchegante… e eu diria que ela te aquecerá a alma e também de todos aqueles que lerem e você por fim conhecerá a história de amor que moveu a vida de sua irmã dentro dos dias da maneira mais linda que se pode amar alguém e ser amada.

Abraço carinhoso,

Maryann

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
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Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalhos

Um dia, eu me libertei:
Agora, sou livro
Elke Lubitz

Quando minha editora fez a proposta para um projeto novo, com o tema direcionado para Retalhos, me vi costurando uma história em pedaços, como se fosse uma colcha, como se minha memória fosse alinhavada aos detalhes e o livro ganhou o nome de Colcha de Retalhos.

Os quadros foram surgindo em minhas lembranças e fui construindo a parte confessional. Colcha de Retalhos traz a delicadeza de um período delicado onde os personagens se misturam em meio a amizade, ternura, cumplicidade e amor.

Com edição primorosa e capa sublime de Lunna Guedes, ilustrações de Carly Ca o livro ganhou vida e cores de sonho. É uma história de amor e é também uma homenagem para uma mulher excepcional que viveu dentro de um tempo de amor.

Até onde podemos separar a realidade da ficção? Até aonde o nosso eu lírico pode nos levar? Convido você para nos próximos sete dias caminhar comigo de mãos dadas por pedaços pequenos dessa história que escrevi com um suspiro preso no peito e muito amor no coração.

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
Se desejar adquirir o livro, o caminho é aqui

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais
Fotografia: Lunna Guedes