Colheita · Scenarium Livros Artesanais

Colheita

Alguém lhe contou a versão da história da jardineira que fazia trança das memórias com as sementes que plantou.

Com sua bolsa a tiracolo…
ela ia espalhando as sementes
de um lado da estrada na ida…
E como vivia os dias a ir
– para algum lugar –
Escolhia aonde semear.

Virou lenda!
A mulher que sabia plantar.

Ainda hoje… tem a bolsa cheia de sementes
E ao andar pelas estradas…
Vê os canteiros floridos de lembranças suas…

Mariana Gouveia
Colheita
Scenarium Livros Artesanais

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – instantâneo

Porque a vida é esse flash de momentos

Bambina mia,

Usei esse instante para falar com você… Isso, tu que mistura meus verbos e abraços em acolhidas, mesmo tão longe, sempre que preciso grito seu nome e vou de encontro ao abraço. Já reparou que a vida é esse instantâneo de momentos? Uma farfalha e seu bater de asas pode causar o caos no mundo… eu já ouvi teu gargalhar…

Sei que pensamos juntas em como um voo pode proporcionar isso. Pessoas causam o caos no mundo. Com suas ações e reações descabidas e posso dizer que nesse quesito é ok que tu pensa igual a mim? Nããão! Você pode achar que é uma riqueza registrar um voo, um pouso ou mesmo nem registrar, mas ficar com o voo da farfalla a preencher seu momento.

Eu já fui denunciada por fotos de sexo de animais e tu sabe disso… mas, o momento, para mim, é aquele suspirar, de ver a natureza estampada em forma e cores para mim, na forma contundente de ampliar a vida, para além dos humanos. Sabia que hoje é o dia do sexo? Li isso em algumas matérias com dicas, ideias e coisas tolas que bufei a preguiça como você faz. E lá tem de ter dia para isso?

Ops, que eu ia escrever coisas sobre mãos e dedos… mas, afinal, elas servem para o pouso e cabem na delicadeza do instante – esse mágico, em que a palavra nos liga na poesia e magia que se resume no meu quintal.

É como se a gente não acreditasse que dentro de um casulo não existisse um voo externo. E que para além da seda, das asas, bambina, o voo só existisse para além dos muros. Mas, sabe que, para além do invólucro que se abre, as asas se desenham em liberdade.

Mas, a liberdade, bambina mia, é um bem precioso e interfere no espaço do outro para quem não entende. E o instante meu pode ser diferente – e deve ser – do instante do outro e às vezes, uma missiva atinge o cuore de quem lê apenas porque entende que sempre, a intenção do voo é o pouso… e eu, pouso em teu abraço como se fosse um voo de emoções.

Grazie por existir em minha vida e nos meus instantes.
bacio,

Mariana gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6 – instantâneo
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Participam comigo:
Lunna GuedesObdulio Nuñes Ortega – Roseli Pedroso – Suzana Martins

Colheita · Scenarium Livros Artesanais

Habituou-se a semear todas as noites,

Nos canteiros… feitos durante o dia
a lua ensinava como tocar a terra

Minguante mata sementes frias…
esquentava as mãos uma na outra
E aspirava o ar quente de si
… o dedo colhia prazer no corpo
Escondido dentro do vestido de florzinha.

Mariana Gouveia
Colheita
Scenarium Livros Artesanais

Colheita · Scenarium Livros Artesanais

Cavou com as próprias mãos

a terra
– os dedos tocando a maciez
Aprendeu – ainda menina – a lua certa
– O cio exposto na pele –
e de novo semeou o gozo
colocou as sementes e salivou
Na alma
Proferiu insultos
e germinou vontades

Mariana Gouveia
Colheita
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Das rotinas · Scenarium Livros Artesanais

Ritual marítimo

Era sagrada a lua quando teus pés pulavam a poça d’água no chão e tocava o céu com as mãos na água onde refletia as nuvens e seus azuis entremeados de branco.
Procurava figuras nelas, tentava encontrar estrelas cadentes num céu de maio desmaiado de luz. Era noite quando regressava de sua viagem transgressiva e me contava seu caso de amor interestelar com a areia do mar… trazia para dentro de casa a maresia e invadia o quarto com sua intenção de amar. E deixava meu quintal com o ritual marítimo de ser e cheio do desejo de estar.

Mariana Gouveia
Estamos em Agosto e por isso, temos BEDA.
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso  Suzana Martins e Bob F

Scenarium Livros Artesanais

A vida cabia na pétala da flor. 

O riso inconstante da louca. A lua, quadro de agora conhecia a história da loucura. O jardim cumpria o ritual de flor. Os dias tem sido estranhos nessa jornada e o tempo fica cada vez mais triste pela previsão. A primavera floriu e riu da minha incapacidade de entender o nome da estação.

Mariana Gouveia
Estamos em Agosto e por isso, temos BEDA.
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Lunna GuedesObdúlio Nunes Ortega Roseli Pedroso e Suzana Martins e Bob F

Das rotinas · Scenarium Livros Artesanais

e eu nem sei se a luz madrugou ou chegou tarde

Releu as cartas que escreveu. A emoção era puro amor além da voz. Tem dias que nem precisa de carteiro para a carta ser entregue. Basta a emoção que a faz parecer menina.
O mensageiro era o vento, que em dias como hoje finge não existir. Um cheiro de flor cruza o quintal. Usa os desvios da rua de cima para atravessar os muros e virar poesia na leveza da flor. Repito a pergunta de outro tempo: seria a nuvem atravessadora de ritmos?! Era quase dança a pétala desmantelada. Tem noites que as flores perdem o sentido de jardim. Tem noites que a emoção não é invenção minha. Eu apenas vivi.

Mariana Gouveia
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Das rotinas · Scenarium Livros Artesanais

é sem raízes, o jardim virado do avesso

Há um oco no peito que grita o vazio rasgado de flor. A mulher que lê o destino dos outros – e quase sempre erra o dela – fala sobre mudança de hábito. Os búzios indicam o caminho da paciência. A maré muda dentro da estação. As ervas indicam a rota da cura. O jardim virado do avesso. Um monge atravessa a rua com olho para o nada. Alguém predestina a palavra da fé. Depois disso digo que aceito tudo: Que venha o destino com sua fome de lobo e pele de cordeiro! Aceito na boa os 40º na sombra e as flores murchas do meio dia. A sorte chamando o inseto na cor. O trevo batendo à porta desejando favor. Os corredores pintados de cinza… armários sendo esvaziados e histórias dentro dos livros jogados em um quartinho qualquer. A mudança é favorável ao novo – diz as cartas de tarô – e a linha da vida formando a letra do ontem. Tomara, vida que fosse hoje. Quem dera, sorte que fosse amanhã!

Mariana Gouveia
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Das rotinas · Scenarium Livros Artesanais

das impressões do dia seguintes

Encontrei um ninho no meu quintal e a vida ali, sabia voar. Primeiro chorei pela benção, pela graça da vida gerada diante dos meus olhos e quis desenhar o ninho e seus gravetos. Depois, registrei para o álbum das emoções e desejei escrever a carta para contar a história. O pé de algodão virou maternidade e tenho a vista aérea da varanda. Meu medo dos incidentes com os cães e virei vigia de ninho de ave. A delicadeza acontece nos momentos estranhos. O amor nasce entre as flores e os chumaços do algodão. A vida tem a leveza do ninho branco junto da folha seca e das folhas verdes. Descobri o sentido da árvore ali, a derramar folhas inventando estações e o chiado de dois bebês passarinhos que resolveram nascer ali, no quintal onde o rio faz curva no mar na esquina do muro.

Mariana Gouveia
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Das rotinas · Scenarium Livros Artesanais

Quando o azul invadiu meu quintal,

busquei nos cantos do muro a maresia. O vento oscilava no jardim e a brisa chamava seu nome – era só fantasia, eu sei – e o eco rebatia no estuque das paredes. A cascata das flores renascendo dentro da cor me trazia a canção na voz de Elis onde o pedido era morar no azul… Foi quando eu cantei e abri meu braço de rio para alcançar o teu mar.

Mariana Gouveia
Estamos em Agosto e por isso, temos BEDA.
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso – Suzana Martins Bob F