Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Sabe, mãe

...

Mãe, estou paralisado pelos sonhos.
A realidade é dura por demais
o cidadão aqui é quem está preso,
indefeso
as crianças de futuro sem futuro
e sem paz.
Mãe, mas eu penso que estou indo bem
apesar da saudade de meu pai.
A janela tem uma grade que protege a mim;
mas, e os meninos que eu vejo nos jardins?
Sem segurança, essas crianças
buscam apoio num caminho proibido
e eu agora fico tão agradecido
por minha infância protegida por você.
Em cada olhar desses meninos pelas ruas
minha revolta é com quem
tem o poder e o dinheiro
para mudar esse futuro
e nada faz e é inseguro
eu viver com medo de uma criança
que seria a esperança
de um futuro verdadeiro.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

Biografia

biografiaNão foi pelos olhos doces dela que me apaixonei,
embora neles ela trouxesse prenúncio de primavera.
Nem pelos cabelos em desalinho brincando com o vento. Nem foi também pelo toque macio da pele que brincava da delicadeza da flor, onde eu poderia aspirar essências do outono.
Nem pelo calor das mãos que ao me tocar proporcionava a quentura dos verões ensolarados;
não foi foi pelo simples desenhar do sorriso que abrigava universos e a ausência dele desencadeava invernos em mim.
me apaixonei pela biografia carinhosa que o perfume dela oferecia à minha alma.

Mariana Gouveia.

Corredores, Codinome Locura

Coragem da chuva

Coragem da chuva

de tudo mais bonito que ela me mostrou
havia um pássaro que voou e outro que pousou na vida. Doce, tão doce que a intensidade me assustou.
ela mostrou-me a coragem da chuva que invadia a tarde quase noite. e o céu rugia.

de tudo que ela me mostrou havia o sinal do abraço, que ficou na marca do corpo que ela deixou.
Mariana Gouveia
Corredores, Codinome Locura

Metades

metadesQue essa vontade de ficar e de te ter seja transformada na ansiedade e no desejo que vivo…
Que esse ir e vir em meu peito indo te oferecer amor seja ao menos o fogo saciado
Porque eu sou inteira você e a outra parte também…

Que a solidão que as vezes chega seja acalmada com sua lembranças.
Que eu mesma te represente em mim com as mãos…porque eu sou inteira o que fui com você…
e a outra parte o que você é em mim…

Que não seja preciso mais nada do que sua voz para me aquecer a alma…ou apenas a sensação de ouvi-la…o silêncio as vezes diz mais…
Porque eu inteira sou voz e a outra parte a música…

Que eu seja perdoada por amar…
e que eu seja tentada a pecar porque uma parte de mim eu sou inteira você e a outra metade também…

Que o meu coração fale tudo que eu calo…
para quando falar meu silêncio gritar mais…Porque eu sou inteira palavras e a outra parte seu grito…
Que meu medo de não te achar mais seja suprido por tanto que em mim você viver…Porque meu amor é isso tudo…
E até depois de minha morte é você.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

Nunca sei se é a palavra que chora,

 

Nunca sei se é a palavra que chora,ou se é o tempo que chove.
Ar líquido na memória recente, instantes plenos de Universo e nuvem.
Está a cair o céu em forma de água.

Mariana Gouveia.

Corredores, Codinome Locura

Há um pouco de vida na minha criança de hoje,

m.bonifácia 007ela se contorce em sua alma de lata e se despe das ilusões obrigatórias.

Já não há mitos para eu imitar. Nem exemplo a ser seguido, a não o meu. Passo a passo, de que a esperança deve ser minha e não posso permitir que ninguém a destrua.

Já não há herói de roupa branca e estrela vermelha no peito e que me dizia que as coisas eram possíveis.
Já não são mais possíveis as coisas incríveis. Tudo virou comum e o herói, vilão.

Há um pouco de calma na minha esperança.
E a utopia de que um homem vira menino e ganha poderes especiais de sonhar e realizar já não é possível.
O homem já não é o que eu pensava. E o menino, cresceu e se transformou igual aos outros homens comuns.

Há um pouco de saudade na minha alma de criança hoje.

Mariana Gouveia.

Corredores, Codinome Locura

O dia amanhece com as mesmas rotinas.

O dia amanhece com as mesmas rotinas.O sol escaldante de sempre. O céu azul sem nuvens, ainda. O pássaro que canta na mangueira do vizinho.
O gato que arrisca no telhado entre os latidos dos meus cachorros.
Tudo sempre quase igual, com exceção do visitante que chegou e ficou ali, entre o fio e o poste. Perdeu a casa, a árvore imensa que ficava logo após a curva do bairro vizinho. Derrubaram-na para uma nova construção. Veio ele espiar se a mangueira é um lugar apropriado para ele. Acho que é. Ali, na mangueira há sabiás, bem- te- vis, siriris com seus voos rasantes no céu atrás de algo que voa.

Assim, na manhã das rotinas de sempre eu espreito o visitante novo e converso com ele. Dou as boas-vindas e espero que amanhã, ele volte para que a rotina se repita.

Mariana Gouveia.

Corredores, Codinome Locura

pela rota esquecida dos pássaros

pela rota esquecida dos pássaroseu te busco nas tardes rebuscadas de palavras.
Eles voam ao contrário na imensidão do meu amor
e as asas me carregam noite adentro  onde ainda não aprendi a voar

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

Os dias de Novembro nunca mais serão iguais.

Os dias de Novembro

Haverá uma melodia que tocará na mansidão das tardes.

Os dias de Novembro terão comoventes dias, só por causa dela e a leveza dos jardins em qualquer lugar do mundo tocará na brisa das flores a asa de uma borboleta.

É esse o toque que a partir de Novembro, os dias terão.

Terão nuvens de efeitos com coração e as palavras pronunciadas nas ruas serão declarações de amor.

As paredes, grafitadas darão nome ao meu amor.

Os dias de novembro nunca mais serão iguais e todos os dias, até as segundas-feiras mais monótonas se transformarão em domingos por causa dela.

E a folha suave servirá de leito e as cores passarão a ter efeitos dourados como se bordados fossem.

Só um outro mês terá o doce encanto maior que Novembro.

Dezembro será inesquecível.

E, depois os dias de Dezembro serão especiais.

Ainda assim, por causa dela.

Mariana Gouveia.