Bambina mia,
Desde pequena sou eu quem arrumo as camas. Imagine uma manhã em alvoroço no meio de seis irmãos. As tarefas eram divididas entre nós: enquanto sobrava para mim esticar os lençóis e colocar por cima deles as colchas de retalhos, para as minhas irmãs restavam os outros afazeres.
Sempre fui mui organizada. Logo ao me levantar, ajeito os lençóis e a colcha que vem por cima, e aqui também tenho a mesma alegria sua. O Yoshi se enfia embaixo do tecido e fica à espera do carinho. Quando eu tinha a Lolla, era igual, até o dia em que ela não conseguiu mais subir na cama.
De uns tempos para cá, o Yoshi se assusta ao ouvir o mover do móvel para o encaixe da colcha e corre para a porta da cozinha. Assim que a coloco no lugar e digo: “pronto!”, ele vem numa alegria que preenche o quarto com seu pulo na cama. Ali, ele fica à espreita de onde estou nos afazeres da casa, até perceber que terminei tudo e vou para a varanda. Aí, é o quintal que ganha seus pulos e farejar.
E C. tinha razão. Arrumar a cama é nos encaixar dentro do dia, caber nas horas e nos carinhos de nossos cães.
Mariana Gouveia

A warm and nostalgic reflection that blends Portuguese and personal memory to portray childhood responsibility and family life. It beautifully captures the chaos and care within a large family, highlighting early lessons in discipline and togetherness.
CurtirCurtido por 1 pessoa
thanks!
CurtirCurtir