Junho, 2,
É engraçado como nossos diálogos sempre me levam para minha infância ou parte dela. Quando você cita as meninas e suas brincadeiras de roda um filme quase surge em minha frente. Eu, minhas três irmãs e três irmãos fazíamos isso com frequência.
“Ciranda , cirandinha,
Vamos todos cirandar,
Vamos dar a meia volta,
Volta e meia vamos dar.“
Claro que volta e meia um largava a mão para catar a batata assada na fogueira ou um outro pedia para trocar de brincadeira. Uma noite dessas ouvi aqui na minha rua as vozes das crianças da vizinhança entre risos e canções. Estranhei um pouco e fui espiar no portão. Minha calçada havia se transformado em um grande palco para elas cirandarem. Ainda tenho a sensação da alegria – quando as memórias chegam – nos olhos dos meus irmãos ao rever o suor nos rostos desses meninos e meninas daqui.
No meu bairro, ou mais precisamente na minha rua, sempre vejo uma turma de crianças com as bolinhas de gude. Dei à elas algumas que ainda tenho aqui e ensinei alguns truques que aprendi com meus irmãos. É engraçado ver as crianças inventando as brincadeiras de antigamente, com novas roupagens e fora das telas dos celulares.
Quase sempre os meninos saem em debandada e atravessam as ruas olhando para o céu em busca de uma pipa que rodopia depois de ter sido cortada. Me encantei ao ver os cabelinhos cacheados do Breno sacudindo com o vento e o “troféu” na mão enquanto o riso ia de orelha a orelha.
À noite, a brincadeira é o pic esconde… há sempre um menorzinho – que não sei o nome – querendo se esconder atrás de mim, enquanto alimento o gato da rua. O nome que mais ouço é Helena, uma menina de olhos de jabuticaba e cabelos encaracolados, que fica sempre aos cuidados dos irmãos mais velhos e dos primos – que são meus vizinhos -e se tornou a minha preferida para ganhar, porque o riso dela alegra minha rua inteira e quando fecho o portão e a noite me chama para o sono vou respirando memórias outras de um antigamente que me transformou no que sou hoje.
Mariana Gouveia

Moro num bairro (quase) sem crianças. Avistar um bando brincando (forçosamente) de roda foi estranho. E a música ficou na minha cabeça.
Lendo-a, fiquei pensando, nem sabia que havia crianças na rua de Mariana. rs
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Há várias… e os agregados também… tipo primos, primo do primo, amiga da prima, filha da amiga da rua de baixo, etc…
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A nostalgic and intimate personal reflection—exploring how conversations evoke childhood memories and emotions, blending present dialogue with fragments of the past. 💭✨📖
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Thank You!
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