Ainda tenho a última carta que minha mãe me escreveu. Na época, ela estava aqui em Cuiabá e eu em Goiás, na fazenda ainda. Ela falava da saudade que sentia de nós e de como estava sendo difícil o tratamento renal. Depois, linhas abaixo, ela me pedia para cuidar da horta, dos meninos, do meu pai e pedia que eu escrevesse para a rádio que ela ouvia todos os dias e onde ela ainda me veria trabalhar, um dia. Foi dela que herdei a mania de escrever cartas.
Quando li seu texto fui atrás da minha caixa de cartas. Lembrei-me das nossas primeiras missivas e dos envelopes vermelhos. Eu ainda recebo alguns envelopes – a maioria, de Portugal – e longas cartas e envio também. Reli algumas hoje e lembrei-me de como cada uma delas fez diferença em meus dias, quando as recebi.
Dia desses, na minha esquina, três carteiros conversavam sobre o que eles mais entregavam e o que faz entrega na minha rua me chamou e disse aos colegas que minha casa era a única, em tantos anos que ele ainda entregava envelopes com cartas. Lembrei disso quando falamos sobre o ocorrido na Dinamarca.
Geralmente, aguardamos ansiosamente uma encomenda, consultamos códigos e rastreamos todo o trajeto feito , mas um envelope, com a carta que traz notícias de outra pessoa, é realmente mágico.
Já escrevi muitas cartas – e já escrevi tantas outras para outras pessoas – e tenho todas guardadas no coração. Converso há mais de oito anos com d. Dalva, de Jacareí. Mãe de uma amiga, que leu um post meu onde eu falava de cartas e ela me pediu uma. Depois da primeira, nunca mais paramos. Falamos de amenidades, de plantas – ela, de filhos e netos – e eu de artesanato e de coisas que nos encantam.
Todo mês chega a resposta da carta anterior que enviei e em cada palavra dela, o carinho e a tenacidade que minhas palavras causam nela. Não sei o que faria se aqui também acabassem com as entregas de cartas. Claro que ainda teríamos aplicativos de mensagens, mas o cheiro do papel e a letra bonitinha de d. Dalva aquece meu coração a cada envelope.
Acompanhei suas missivas de outono em nossos diálogos pela manhã e sei do quanto foi lindo e doloroso escrevê-las. Também tenho escrito muitas cartas aqui no blog. É um meio de atravessar barreiras e levar meu carinho e lembranças além dos envelopes.
Concordo com você. O mundo precisa de cartas. Acho que vou ali escrever uma. Ah, e tomar um chá também.
Mariana Gouveia

Beautiful reflection—letters carry more than words; they carry presence, memory, and love. It’s touching how your mother’s habit of writing shaped your own, and how each envelope still marks a meaningful connection across time and distance. ✉️❤️
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Thank you for your comment.
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Acho que o dia de domingo é excelente para isso, mas aqui faz tanto barulho que vou deixar para amanhã quando sair para as ruas que são bem mais silencosas. Acredite!
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Já conheço suas ruas através das caminhadas contigo. Amo tudo isso!
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