Desde que eu nasci meus pais me fizeram alada… então, a bússola que me leva e traça meus roteiros são as asas… as imaginárias e as reais. Diante do misticismo de minha bá ganhei a benção do voo e perante tantas fés eu me vi acreditando no impossível. Fui batizada na igreja católica e por supremacia me escolheram por madrinha – acho que um dos erros dos meus pais – uma das tias tantas que eu possuía. Acho que a vi poucas vezes…
Porém, a bá me batizou nas águas do riozinho que serpenteava a estradinha rumo à rodovia, logo abaixo da ponte e também me benzeu com as folhas verdes da floresta, no meio do acampado, ao lado da maior árvore onde brotava os cogumelos. E de novo, como para ser moldada no fogo, pisei nas brasas de uma fogueira feita em noite de lua cheia.
Acompanhei as festas de santos – todos – e rodopiei a saia de adolescente com os ciganos. Desde então, chamo minha fé de liberdade. Os que me conhecem me reconhecem quando veem uma borboleta, pássaros que veem na minha mãe e todo tipo de bicho que voa.
De resto sou a pessoa das nuvens, das chuvas e tempestades, do sol e seus raios matinais, sou do mato, da mata, do vento. É por isso que sou essa misturas de fés e para o abrigo da alma sou a oração da poesia.
Mariana Gouveia

Lendo-te, lembrei das vezes que abria os livros que ganhava de presente da Nonna (mitologias várias) e ia folheando com cuidado, apreciando cada personagem e quando me identificava com uma, vibrava. A sua Bá, com certeza, deveria ser parecida com uma daquelas criaturas nos livros. rs
bacio
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Ela parecia sim. Mas em muitos momentos era apenas a minha bá de colo mais macio do mundo.
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Que relato bonito e me remeteu à algumas surpresas que tive na infância.
Um feliz ano novo.
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