Afetos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Navega-se sem mar, sem vela ou navio…

Bambina mia,

A folhinha do ano passado e os calendários espalhados – com suas anotações de troca de gás, de dia de folga, de horas extras feitas – pela casa já foram para o lixo ontem mesmo. E aqueles ritos de último dia de ano passou batido por aqui.

Ainda há aqui alguns restinhos do ano outro… e como você falou em polaroide, não resisti e quis te mostrar o mar tão meu. Eu conheci o mar, bambina e vi a magia das ondas se debaterem entre meus pés e a areia fofa. Era um sonho antigo, você sabe e me senti navegando ali mesmo, rente a praia.

Tive alguns momentos ruins nesses 12 meses que se chamam de ano, e alguns poucos instantes de alegria na alma e no coração. Por isso, talvez minha expectativa seja apenas de que 2026 seja leve e tranquilo.

Já é o primeiro dia desse ano… aqui, ainda brigo com a tosse e com o calor insano. Não choveu como a moça do tempo anunciou e os fogos ainda pipocam em algum lugar. Acho idiotice vibrar por qualquer coisa a base de um estouro… prefiro o barulho do mar que gravei e vejo no repeat.

Um feliz 2026 para todos nós!
Bacio,
Mariana Gouveia

2 comentários em “Navega-se sem mar, sem vela ou navio…

  1. Eu ainda ouço o som das águas arrebentendo nas pedras da minha infância. Adorava ver aquelas gotas espalhadas por toda a parte. A lua ontem estava linda, meio encoberta e ainda não estava cheia. O calor, bem o calor (deixa para lá) e a chuva, também ficou para lá. nada…
    E vamos de ano novo e que seja inteiro com seus 365 dias e que não seja tão ligeiro. Do ano passado não vi para onde foram. Desconfio que alguém os afanou do calendário. rs

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