Pai,
eu sabia que esse dia chegaria e confesso que mesmo sabendo dele não estava preparada para o primeiro dia dos pais depois do seu voo. Eu poderia contar as coisas que me aconteceram nesses dez meses de sua partida, na minha ida ao seu lugar, pai… poderia, mas ficaria triste diante de algumas coisas e sei que você não quer isso.
Estive em todos os seus lugares, pai, na minha ida onde você morava e foi estranho ver em alguns dos seus cantos preferidos as teias de aranhas se formando confirmando sua ausência… os pequenos cadeados enferrujados nos portões. O pé de canela morrendo sem ninguém ter aguado. A horta com os restos de cebolinha e coentro, quase deixando de ser horta. Entendo que as coisas do dia a dia não permite que alguém cuide. Há muito que se fazer , inclusive, limpar o lugar, deixar o espaço vazio para que a vida siga adiante.
Sei que essa data se agiganta em saudades e também sei que o locutor da rádio da cidade não vai mais ler nenhuma carta ao vivo, porque o velho moto rádio se calou. As pilhas descarregaram e não tem nem porque trocá-las.
O nosso ritual nesse dia, era a vídeo chamada para os parabéns, as declarações de amor e por fim o riso de despedida. A partir de hoje, vira história essa data… e é por isso que venho dizer do quanto me orgulho em ter sido sua filha e do quanto aprendi com você.
Sei tanto sobre a lua e suas fases, sobre blues, o sertanejo antigo tocado na velha vitrola e o jeito de semear qualquer semente. Também aprendi a arte da benzedura com você, pai… e a entender os bichos, principalmente, os que voam, porque de alguma forma, você me dedicou desde o nascimento às asas. Sou tão grata por isso!
Eu te amo para além desse mundo e de outros que possam haver.
Feliz dia dos pais!
Mariana Gouveia

Eu fui lendo e um filme foi se formando na minha cabeça. Queria comentar algo, mas dispensa comentários.
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Muito obrigada! beijos
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