
No deserto do quintal sem árvores, esqueletos de galhos que perturbam o ar dissimulados de ventos – garras – que na noite vem acompanhadas de aves. o resto, é só esse silêncio e o barulho do chá, nas xícaras. se as palavras dizem os meses nos calendários e a folhinha antiga traz o meridiano nas noites brancas. É breve o escrito nas pedras das runas, e emocionante os vapores dentro da pele, o traço, um risco, o vento me rendendo ao abraço;
os galhos da árvore seca criando sombras no muro. A solidão sendo vontade nos retratos pendurados na parede de tijolos expostos. cuidado frágil escrito em letras garrafais na alma.
Tem dias que a vida é essa ave desligada de vento.
Mariana Gouveia