Donnant plus de blé
Qu’un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu’un ciel flamboie
Edith Piaf
MInha querida Sandra,
Alguns dias, mesmo os mais difíceis – seja por quais motivos – podem se transformar em instantes suspensos de alegria e carinho. Piaf canta e chove lá fora. Daqui a pouco vai escurecer e o relógio já marcou o fim da espera.
Suas cartas chegaram até mim nesse dia estranho de abril. Amanheceu frio, depois de uma noite de chuva, como se fosse inverno… depois, o sol de todo dia abriu as portas do céu e exibiu seu melhor sorriso… e agora, as nuvens começaram a passar rápido pelo quintal com cores surreais. Parecia Le Nuages, de Monet, e a chuva chegou bravia, com ventos que sacudiram minhas árvores no quintal.
De repente, França chegou em meu mundo, em envelopes brancos, com suas cartas me abraçando, dando colo e o dia amenizou por aqui. Não sei como agradecer o carinho e nem como dizer o quanto suas palavras me acalentaram. Como você mesma disse: tem coisas que nem as palavras conseguem descrever – é como cheiro de chuva na terra, que descobri recentemente que se chama petricor – você apenas absorve e sente. Foi assim com cada carta e as delicadezas que vieram junto. Enquanto chove e eu te escrevo acolho os cães ao meu lado.
Lolla não gosta de chuva… se recolhe no sofá, igual a tua Toundra… e como se parecem. Já Yoshi, se refugia no quarto, no travesseiro do pai. Coloco no repeat a canção e cantarolo baixinho enquanto o vento balança as folhas para lá e para cá. Chiquinho ama essa chuva e volta e meia seu canto atravessa a porta da sala.
Ainda preciso absorver direito as suas palavras e rabiscar no papel as respostas… ainda preciso cheirar mais sua arte e delirar, talvez, na poesia que inconscientemente você envia junto. preciso absorver você para que a promessa se cumpra de que dure para sempre a correspondência entre nós.
Por enquanto, sou só acalanto e gratidão.
Bisous,
Mariana Gouveia
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Ale Helga – Mãe Literatura – Darlene Regina
só porque talvez ela volte a escrever poesias

Às vezes, eu tenho a impressão de que nada cabe no para sempre, mas o sentimento não se importa com nada disso e a poesia tampouco. Ainda bem… bacio
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Ainda bem… e que a poesia vivifique isso.
Bacio, amore
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