Das palavras das cartas · Projeto Fotográfico 6 on 6

6 on 6 – Aconchego

Querida Erli

Quando recebi o tema do dia 6 e era a palavra aconchego lembrei-me de você, e resolvi escrever essa carta. A palavra me leva à você quando penso no Juvenal, da Feia e de D. Terezinha… As nossas conversas via comentários, às vezes, acontecem pela manhã e no seu espaço me sinto aconchegada.

Sinto como se sua mão estivesse ali, pronta para o apoio, para o carinho e pronta na leveza dos dias. Como eu precisava de 6 fotos para retratar Aconchego, resolvi estender a mão através das palavras para te agradecer.

Te agradecer por me encorajar, por ser esse ser de luz que abraça as pessoas e os animais. Por ser tão presença de amor com sua sobrinha e por me oferecer exemplo de humanidade todos os dias. Por ser você, de riso solto e amor no coração.

Sabe, minha flor, adoro a maneira que você me mostra esse Goiás que nasci e me deixa respirar o cerrado através de suas fotos… Com você, caminho pelo seu bairro, por suas coisas e sua cidade. A festa do congo me faz lembrar da minha infância e assim, você aprimora meus dias dentro do carinho.

E assim, quero que esse aconchego te traga para meu quintal e que meu afago te alcance nos pousos das borboletas, com Yoshi a espreitar meu dia…

Que as joaninhas e Chiquinho te encante e assim meu abraço chega até você. Que essas palavras cheguem também em um abraço para D. Terezinha com muito carinho envolvido… E por fim, roubo de seu lugar uma foto do Juvenal Tryppa, que acho que foi quem nos ligou de alguma maneira.

Que ele adoce seus dias em puro amor.

Um abraço carinhoso,

Mariana Gouveia
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Personagens urbanos

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.
Oscar Wilde

Até onde as pessoas me alcançam quando atravesso a cidade e nossos olhares se cruzam – ou até nem cruzam – e me tocam na essência da alma? Busco captar alguns olhares e dentro dos gestos eles me tocam de alguma maneira. Vejo personagens que eram comuns na minha adolescência e que hoje são raros. Quando vi o menino engraxate, lembrei-me do meu irmão que logo que chegamos na cidade grande confeccionou sua própria caixa e foi para as ruas para ajudar nas despesas.

Em algumas andanças a coragem do moço que trabalha para a rede de energia me chama atenção e capto a singularidade e o desafio de lidar com a altura.

Meu olho vê o cenário triste que invade quase todas as cidades. Os invisíveis. É tudo tão desigual que me sinto mal ao retratar o que vejo, mas diante de uma encomenda para um jornal local, fotografo a realidade e a ironia na frase da placa.

A cena muda de lugar, e a realidade exposta em minha frente é um retrato cruel e me mostra o lado quase oculto das ruas da minha cidade.

Em contraste com o que vejo, a moça apita estridentemente para mim. Capto seu olhar e ganho um sorriso. Atravesso na faixa de segurança para pedestres e ganho um apito. A performance é para alertar sobre os acidentes de trânsito.

No ponto de ônibus, ele vende suas frutas. Já é conhecido por todos ali. Conta piadas, fala de novelas, BBB e futebol. Tem a fruta mais doce do mundo – confirmo que sim – e percebo que ele faz o seu melhor.

Esses são alguns dos personagens urbanos que meu olho acolhe. Alguns já se tornaram amigos. Outros, ganham minha solidariedade e acalanto. A vida e seus desiguais. Os iguais diante de tanta pluralidade.

Mariana Gouveia
Projeto Forográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Obdulio Nuñes Ortega, Lunna Guedes

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Vitrines

E aí o mundo ficou de cabeça pra baixo.
Do nada, era você, no centro de tudo. Era você, meu mundo.
Ágatha Ramos

Ela é minha melhor vitrine. E fez surgir em mim o amor incondicional. E vê o mundo de cabeça para baixo. Onde quer que esteja, lá está ela, de ponta cabeça.

Ouve músicas, mexe no celular sempre com a cabeça para baixo. Mas isso, tem uma razão de ser:

Ela consegue mudar o mundo e transforma as coisas ao seu redor. Traz a leveza da alegria e faz com que a vida seja vista de maneira diferente.

É a melhor forma de amor em mim e mesmo tão longe, me faz a avó mais feliz!

Porque o mundo dela melhora o meu e o riso dela é a melhor coisa que a vitrine da vida me mostra.

Ela entrou em minha vida e passou a fazer parte de minha história. Gladys é o amor em forma de menina e eu a amo muito! Ela é a vitrine onde eu exponho meu melhor amor.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais

Desvios para atravessar os quintais · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Portas

Falar sobre portas me leva para as igrejas do meu lugar, com suas portas nem sempre abertas. Com suas histórias de fé. Com momentos do seu povo e ritos. Isso me leva para grande parte de minha infância e de minha vida.

As tradições e religiosidades do povo e as características e arquiteturas vão além de templos para os fiéis, muitas delas também são consideradas pontos turísticos. As festas dos santos e tudo que se traduz na vida da cidade.

O povo constrói as tradições através dos tempos e da fé que os move, naquilo em que acredita… Como se a porta sagrada onde se faz o sinal da cruz, os livrasse de todo mal.

Algumas histórias recontadas, transformadas em lendas ou simplesmente passam a fazer parte do cotidiano do lugar.

É impressionante ver que em cada porta que se abre ou se fecha a história fica como testemunha dos relatos, dos mistérios e das confissões de fé.

A historicidade, a tradição e a singeleza do lugar fazem com que toda simplicidade seja mais um motivo da coragem de quem se constrói com fé.

Cada vez que falo de portas, lembro-me de meu pai que sempre dizia: quando Deus fecha uma porta ele abre uma janela… Isso ficou na memória da criança que se tornou mulher. Não é um conselho que eu siga ou fique apegada a isso. Talvez, falando sobre religiosidade, igrejas e fé, o que me vem à memória é um texto que está no meu livro recém lançado, Desvios para atravessar os quintais e retrata bem sobre o que sinto sobre fé, coragem e portas. Muitas vezes, a melhor porta que se abre é a do abraço de um amigo:

“Passei pelo centro quando o sino gemia dentro de um horário errado e me levou para a cidadezinha do interior aonde tudo era feito ao som dos sinos – quando uma criança nascia / alguém morria / alguém chegava / alguém partia e o padre tivesse de passar alguma notícia qualquer – e  o povo todo surgia como um passe de mágica. Ouvir o sino da matriz em seu rugido rouco e enferrujado me fez parar e perceber a mudança na fachada da igreja. Tudo modificado desde a primeira vez que a vi. Pareceu-me que só eu havia ouvido o sino. Pessoas apressadas, em seus vai e vem fazendo contraste com os carros em fila aguardando o sinal abrir. As duas torres, seus relógios e seus vitrais coloridos em sua imensidão passava desapercebida pela multidão. Tudo parecia feito de preto e branco. Os instantes, o dia de hoje, a hora… Lembro-me da última vez que estive ali, a procura de apoio e dei de cara com as portas fechadas. Estava com um diagnóstico dentro da bolsa, com coração alarmado e buscava a esperança na fé. Um dos padres me disse que a igreja estava fechada e mandou-me buscar apoio na igreja do meu bairro. Pareceu-me que ele ainda estava ali, atrás da porta, a sensação da porta fechada… de novo dei meia volta e a igrejinha do meu interior, com as portas sempre abertas… Padre Quirino a cumprimentar as pessoas, a acolher as crianças e a oferecer sempre um abraço. A igreja do meu bairro, naquele dia, também estava fechada, mas encontrei a fé num riso de um médico, que nem abriu o envelope do diagnóstico. Abriu os braços para mim e me acolheu no coração como amiga.”

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium Plural Editora
Participam desse projeto:
Lunna Guedes, Obdúlio Ortega e Darlene Regina

Desvios para atravessar os quintais · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Em 2020 eu…

Resumir um ano inteiro e tão atípico em 6 fotos é um desafio. Eu poderia descrever cada mês com a mesma intensidade com que aconteceram os dias. Mas, até nossas vidas serem modificadas pela pandemia aconteceram encontros, abraços e risos.

A pandemia transformou meu dias em artesanatos, comida, livros, comidas, receitas, comida, fotografias, comida, caminhadas pelo meu quintal, comida, lives, comida, estudos, comida. Nuca estive tanto na cozinha como nesses meses.

Passei a acompanhar o por do sol do ângulo que o muro me permitia e os tons atravessaram os muros e fui brindada pela beleza. Tantas, em nuances e cores…

tantas em formas diversas e de alma.

Chorei perdas, sofri com números, usei máscaras, plantei flores e colhi tudo que plantei.
Aguentei desaforos, solidão, e escrevi…

Escrevi e lancei um livro: Desvios para atravessar quintais. Talvez não tenha conseguido passar nem aqui, nem no livro o ano diferente e assustador que o mundo inteiro viveu/vive… Mas, preferi encarar ele com poesias e é assim que esse projeto chega até você que me lê.

A possibilidade de uma vacina renova a esperança em um ano novo que chega. Não somos mais os mesmos. Não seremos. Há um novo tempo no ar. Isso causa medo e ao mesmo tempo me encoraja a acreditar. Enquanto tudo isso não chega, deixo vocês com a poesia:

“O cheiro da grama recém cortada dá a sensação de passado. A memória resgata lembranças que fizeram parte da infância.  Contei minha vida em carta. O rádio e sua maneira de resgatar verdades. Tudo acontecia no século passado. A música da sua vida na voz do locutor. As ondas gravitacionais fazendo com que a viagem seja feita passo a
passo. O porta-retratos guardando a família toda. Os que já foram parecem mais presentes ainda, mesmo depois de tanto tempo. O verbo era quase um propósito de espera. As ervas no jardim, criando sementes – as flores sendo colo para a vida – e da semente, a flor… fruto. O amor sendo a palavra feminina na cor. Era apenas o regresso de um mundo que sonha vontade.”

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6
Scenarium Plural Editora.
Se tiver interesse em meu livro novo, é só chamar (11)99241-5985

Participam desse Projeto:

Participação de 6 On 6 de:
Lunna Guedes — Obdúlio Ortega— Darlene Regina

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 — meus pets

Desde que me entendo por gente sempre tive contato com animais. Sejam eles cães, aves, insetos, cavalos e até um beija-flor. Quando menina, os insetos me perseguiam e vinham parar na minha mão. As borboletas, joaninhas e libélulas. Com os cães, minha relação sempre foi intensa. Tinha a Diana, uma cachorra perdigueira, que me seguia aonde eu fosse. Depois, Catita, uma golden retrivier que me deu Guga. Ambos já morreram velhinhos.
Ganhei Meg logo quando Catita morreu. Era uma viralata caramelo, de pequeno porte. Viveu por 14 anos. Nos mostrou o amor de uma forma tão intensa que mesmo depois de 8 anos de sua morte, ainda reina aqui, nas conversas, na saudade.
Lolla chegou até nós depois de sabermos que ela recebia maus tratos e lá vou eu, marido e filho tirar ela das mãos do seu dono. Assim que ela nos viu fomos abraçados por ela e seu olho pedia ajuda. A trouxemos e com sua doçura preenche nossos corações com amor e fome. Não conheço ninguém que tenha mais fome que ela.

Lolla já existia por aqui quando Yoshi chegou. Eu a retirei de seus antigos donos, que a maltratavam. Se apaixonou por ele – assim como nós aqui de casa – assim que o viu.

Acompanha seus passos, seus movimentos e até suas poses. Onde está ele, ela fica.

Ela, super doce… ele, ranzinza e mau humorado. Mas, ela sempre está ali, ao lado. E o amor é nítido entre os dois, mesmo ele sempre querendo tomar o lugar dela nos cantos da casa, do quintal, da varanda.

E basta dar um lambeijo, e ela sabe que ele acalma. E basta o abraço, e ele cede.

Os dois são a alegria, as companhias, o voltar a ser criança na correria no quintal até ela pedir arrego e deitar cansada, mesmo com ele insistindo na brincadeira.

E como não podia deixar de ser, também é meu pet, um menino voador, que nasceu aqui no meu quintal e já teve sua história contada aqui e aqui. Chiquinho é meu beija-flor e possui o dom de me acalmar e como não poderia resumir minha vida com ele em uma simples foto, resumi num mosaico alguns instantes.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6
Scenarium Plural Editora.

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – meus cantos

Sou feita de cantos… Caberia em mais de mil… na cidade, no quintal, na rua de cima. Mas, o primeiro canto que escolhi, dá para lugar nenhum… É um pequeno espaço entre a parede e a inspiração. Uma janela que não se abre, nem se fecha… o meu portal.

O canto do muro, no quadrante leste, onde o sol a cada manhã doura tudo que é vida no meu quintal.

A varanda com suas cadeiras e a calma servida no café da manhã… Onde passo grande parte do dia. Seja para aproveitar o momento ou nos afazeres entre o artesanato e as fotografias. Quase grito que o canto que me cabe é entre esses muros.

Mas o artesanato e seu espaço é meu canto onde esqueço do tempo. As linhas, os tecidos e acessórios e a leveza de espaço. Meu tempo.

As fotografias – uma das minhas paixões… as máquinas, o espaço, o estudo… é onde sou imagem.

Embora tenha tantos cantos – que não cabem aqui – a cozinha é meu lugar preferido.
É onde sou capaz de virar criança e ficar horas dentro das lembranças. Na louça que herdei de minha mãe… no alimento a ser preparado. Mas, mais do que ter um canto, sou essa memória de espaços e lugares. E assim, cada vez mais, sou eu.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium Plural Editora

Projeto Fotográfico 6 on 6

6 on 6 – equinócio

As horas aceleram nesse tempo que transformaram os dias entre o equinócio de Outono, que já aconteceu, e o da primavera, que logo chegará. Os dias tem sido anormais por aqui.

O sol, tão comum, dessa vez, parece cada vez mais próximo do meu lugar, que para além da beleza faz as temperaturas chegarem em um nível insuportável. O termo Cuiabrasa nunca foi tão propício.

As queimadas atingem o Pantanal e chega até meu quintal na fumaça que faz o nível de umidade do ar ser comparada à do deserto. Algumas folhas caem vindas pelo vento.

O inverno em sua fase mais intensa e cruel, onde encontro a beleza no caos. As misturas das estações, dentro do misticismo da palavra e nos rituais para a cura.

A esperança chega nos ritos dos animais que se preparam para o equinócio da primavera, enquanto os dias se antecedem a espera da estação das flores.

O sol, em sua incidência maior nas horas do dia reflete nas flores do quintal e no termo aequus (igual) e nox (noite), quando ocorre o equinócio, a poesia acontece no meu lugar.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium Plural Editora
Participam desse projeto:
Alê Helga— Darlene Regina — Obdulio Nunes Ortega
Isabelle Brum — Lunna Guedes

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

BEDA — Projeto Fotográfico 6 on 6 | a …gosto.

mãe,

A vida é esse desenho de escolhas que fazemos nos dias… “é esse gosto de viver” – você diria – e de repente, diante das palavras me pego pensando no que eu gosto. Não vou falar sobre os bichos, nem sobre as pessoas… Vou falar sobre a magia que você em tão pouco tempo introduziu em minha vida e carrego comigo através de coisas que gosto.

O rádio…
é mais do que gosto. Uma paixão que você fez nascer em mim. Tudo sobre o “mundo lá fora” nos chegava através do rádio, lembra? Aquele aparelho, colocado em um suporte, como se fosse um trono, os programas, as novelas, os jornais, e as cartas… foi ali, que desejei ser radialista. A semente plantada, cuidada e realizada anos depois. Aquele aparelho mágico que te encantava e passou a ser parte do meu mundo.

A máquina de costura… a suavidade da linha sobre o tecido é algo que gosto… e em cada corte, cerzido ou ziguezague impulsiona em mim o que você ensinou.
Ainda hoje o som dos pedais me trazem você na memória. As lembranças me levam pela mão e vejo as misturas do tecidos se transformando em arte. Isso, você me deixou como herança, porque a poesia dos dias plantados dentro de mim, na infância, é o que me faz ser hoje o que sou. Você conseguiu, mãe, dar os pontos, ligar as linhas e acho que você se orgulharia de mim.

O rio… aquele que banhou minha infância me dá a liberdade de pisar descalça e absorver a leveza da vida. Lembra-se, mãe, de que à beira do rio, na lavagem das roupas, você dizia que todos os rios se encontram quando viram mar? Assim, em cada rio que molho meus pés, eu reverencio aquele rio que vou reencontrar um dia quando chegar perto do mar.

As cartas… sabe, mãe… as cartas que a gente escrevia uma para a outra, dentro da distância que o tempo nos roubou ainda as tenho. Mas, depois disso, as cartas se transformaram em uma espécie de diálogo que traço com os que amo. Os envelopes de hoje são coloridos – eu prefiro os vermelho, você sabe – e os papéis de carta já não são como os nossos com os desenhos feitos por você…Recebo cada lindeza em forma de quarto que dá vontade de emoldurar.

Meus livros, mãe… lembra-se de quando você dizia que um dia, alguém iria ler minhas histórias em um livro… e hoje, muita gente em todo mundo lê as minhas histórias. Com isso, além de realizar meu sonho, trago o seu junto impresso nesse trabalho lindo que minha editora faz. É a arte que você gostava misturada com a poesia que você me guiou.

Os ipês… ah, os ipês que tão bem desenham agosto dentro de mim, nas canções da minha infância, nas cores que parecem feitas a mão… Hoje, eu os tenho no meu quintal e cada flor que brota eu reverencio você, nesse mês tão louco, mas tão dentro de nossa história. Os buquês se formam e os tapetes se misturam em meu quintal tão variado de vida.
A vida, é esse instante vago, mãe e a gente, às vezes, nem percebe que na singeleza das coisas o Universo é essa magia de um bem maior e essa carta foi uma maneira de chegar mais perto de você.

Beijo,

Mariana Gouveia
Carta publicada na Revista Plural O mundo de Alice – Scenarium Plural Editora
*b.e.d.a — blog every day april — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.

Projeto Fotográfico 6 on 6

Projeto Fotográfico 6 on 6 | calendário particular.

Nossa, você reparou que já estamos em Julho e que os seis primeiros meses viraram folhinhas arrancadas do calendário? Talvez você diria: Ainda bem! Mas, os dias voaram e em meu calendário particular os meses se desenharam em instantes que vou tentar mostrar aqui em fotos.

1Janeiro e o iluminar das lanternas chinesas.
Meu pé de lanternas chinesas brotou com as chuvas de janeiro e floresceu trazendo ao meu quintal o colorido das flores.

2- Fevereiro e a viagem ao mundo do circo.
Com alguns dias de folga viajei para uma cidade próxima – Tangará da Serra – para rever meu irmão, sobrinhos e cunhada que trabalham em um circo. A alegria de estar junto deles, a arte circense apresentada por eles e a viagem deliciosa tornou o mês bem especial.

3 – Março – os encontros que não couberam em uma foto só.
Como se adivinhasse o tempo que viria a ficar sem abraços, Março foi o mês dos encontros e reencontros, onde o amor foi firmado entre risos, colos e amizade.

4 – Abril – susto, vírus e pandemia.
Abril foi um devorador de paz. O mundo estava parado, o tempo era outro e por motivos pessoais, fui obrigada a viajar para meu estado de origem. Os dias em hospital, máscaras, noites sem dormir e a sensação de que estava vivendo em um livro de terror.

5 – Maio e suas nuances da quarentena.
Maio não coube em uma só fotos e teriam outras tantas diante dos momentos difíceis e o isolamento me fez mais dentro dos muros, a vasculhar o quintal e aspirar o vento, embora com o coração cheio de dor pelas vidas – já de quem amava, gostava e de pessoas próximas – fui lua, aves e flores, como uma forma de acreditar que tudo isso passará e novos dias virão.

6 – Junho e perdas e ganhos.
A vida brotou em toques, nascimentos e também de partidas duras. Junho foi presságio de comemoração, de lamento, de faltas e de aproximação. Ainda é tudo tão duvidoso e as palavras que ganham espaço aqui é lock down, isolamento social, números, voos, pousos, onde o aconchego do coração é o instante leve pela manhã. De meu lugar, vejo que aqui em minha cidade o medo impera, mas em alguns, a impressão é de que não existe pandemia.
Se puder, fique em casa e se tiver que sair, use máscara, lave bem as mãos e aspire o ar. A vida é tão fugaz que nem percebemos os dias que passam.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium Plural Editora
Participam desse projeto:
Alê Helga— Darlene Regina — Obdulio Nunes Ortega
Isabelle Brum — Lunna Guedes