Corredores, Codinome Locura

Sob o signo da borboleta

sob o signo da borboleta

A neblina avisa os rumores do dia. Há estações de flores no quintal da vizinha.
No horóscopo o signo oscila entre o voar e o pouso.
Sente falta da flor. Busca abrigo de pele nas lembranças. Sofre influência sob o signo da borboleta. A lua em Sagitário possibilita essa viagem vazia. O acúmulo de emoções me entorpece.
Rabisca os mapas que sempre me leva de encontro a ela. Saqueia todas as vontades do peito. Hoje, o sol, pareceu a lua pela manhã. Cantos matinais parecem mantras. Repete a canção e repete.
Faz chover sobre o jardim criado. O cheiro das folhas do tomateiro se banham de fragrância.
De novo, quase sofro uma recaída. Retomo as vontades da sede. Esvazio a saudade nas lembranças.
Pego a roupa esquecida e falo com ela como se estivesse aqui.
E está. Dentro. De mim.

Mariana Gouveia

O lado de dentro · Scenarium Livros Artesanais

Meu quintal…

Meu quintal


… tem um portão mágico para a poesia.
Lá, a vida acontece em instantes únicos
E supremos.
… é onde a realidade ganha ares de encantos.
E onde casulos viram borboletas!

Mariana Gouveia – O lado de dentro

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Das cartas que escrevi…

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Querida L
Abro o dia de amanhã e é como se um envelope fosse aberto. Adoro o cheiro. Trazem histórias dentro dele.

Somos o contrário – Eu possuo os dias, com seus voos rasantes de beija-flor anunciando o normal do milagre que me acontece todo dia – enquanto você adora os silêncios gritantes da noite que te rodeia.

Às vezes, as coisas me acontecem como milagres. Ei-lo hoje, em forma de cheiros de envelopes rondando meu lugar. Acho que essa sensação dentro de mim se chama felicidade. E foi você quem trouxe. A primavera irrompe o muro do quintal e traz a delicadeza da flor do hibisco onde uma borboleta pousa.

Trovões fazem sua festa no céu anunciando uma tempestade. O vento sacode as folhas do pé de canela e o cheiro invade as  salas do escritório e eu aspiro vontades.

Vontade de chá, de silêncios, de sair sem rumo sentindo a chegada da chuva. O céu muda sua cor e eu fico apenas a espiar da janela esse dia que cheira primavera.

Quase que para além, das palavras eu ouço o vento que o menino grava para sua mãe e envia feito mensageiro em um vídeo só para dizer que lá pelas bandas da casa deles choveu também.

Contou as poças d’água no quintal. Do ninho que algum pássaro perdeu por causa do vento, das mangas ainda verdes e que frágeis vão virar comida de pássaro no chão. Finaliza dizendo que lá para os lados do meu lugar um sol fraquinho vence a chuva da primavera e faz presença onde meus cães sentem minha falta.

Falta pouco para o dia findar. Tão pouco, que quase sinto que é amanhã, onde começará tudo outra vez.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

Biografia

biografiaNão foi pelos olhos doces dela que me apaixonei,
embora neles ela trouxesse prenúncio de primavera.
Nem pelos cabelos em desalinho brincando com o vento. Nem foi também pelo toque macio da pele que brincava da delicadeza da flor, onde eu poderia aspirar essências do outono.
Nem pelo calor das mãos que ao me tocar proporcionava a quentura dos verões ensolarados;
não foi foi pelo simples desenhar do sorriso que abrigava universos e a ausência dele desencadeava invernos em mim.
me apaixonei pela biografia carinhosa que o perfume dela oferecia à minha alma.

Mariana Gouveia.

Corredores, Codinome Locura

O ar tem cheiro de hortelã.

O ar tem cheiro de hortelã...ou borboletas.Não sei.

A cozinha é um pedaço da casa onde eu gosto de ficar.

Ali, tudo cheira a ela.

Uma mulher no canto me vigia mesmo sem presença física.

Converso com ela.

Ela reflete no chá que bebo.

Acho que de hortelã – não me lembro… –

Canto canções que falam de amor.

E entre as palavras a chamo.

E ela quer saber a noção exata do que sinto.

Ainda não aprendi a traduzir isso. Imito o vento.

Preciso de palavras novas. Mas, é sempre a mesma que me lembro de quando penso nela.

Encanto.

O ar tem cheiro de hortelã… ou borboletas. Não sei

Perdi um pouco da memória de mim.

Encontro-me nela e nesse vago encontro com a essência que ela deixou aqui…

Mariana Gouveia