A cozinha é um pedaço da casa onde eu gosto de ficar.
Ali, tudo cheira a ela.
Uma mulher no canto me vigia mesmo sem presença física.
Converso com ela.
Ela reflete no chá que bebo.
Acho que de hortelã – não me lembro… –
Canto canções que falam de amor.
E entre as palavras a chamo.
E ela quer saber a noção exata do que sinto.
Ainda não aprendi a traduzir isso. Imito o vento.
Preciso de palavras novas. Mas, é sempre a mesma que me lembro de quando penso nela.
Encanto.
O ar tem cheiro de hortelã… ou borboletas. Não sei
Perdi um pouco da memória de mim.
Encontro-me nela e nesse vago encontro com a essência que ela deixou aqui…
Mariana Gouveia
