Corredores, Codinome Locura

Entre o dia e a noite, há sempre uma pausa quebradiça…

Separo-me de ti nos solstícios de verão, diante da mesa do juiz supremo dos amantes.
(…)

Virás quando houver uma fala indestrutível devolvida à boca dos mais vivos. Então virás vivo também. Sempre esperei ver-te ressuscitado. Desiludiste-me.
(…)

Calo-me.
Reparei de repente que não estavas aqui. Pus-me a falar a falar. Coisas de mulher desabitada.

(…)

É a altura de escrever sobre a espera. A espera tem unhas de fome, bico calado, pernas para que as quer. Senta-se de frente e de lado em qualquer assento. Descai com o sono a cabeça de animal exótico enquanto os olhos se fixam sobre a ponta do meu pé e principiam um movimento de rotação em volta de mim em volta de mim … de ti.
Nunca te conheci – assim explico o teu desaparecimento.

(…)

Luiza Neto Jorge

O vulto na janela da casa 18 da rua de cima me intrigava e se hoje você for lá, não encontrará nada do que vou retratar porque entre o dia e a noite, há sempre uma pausa quebradiça e o silêncio habita atrás das cortinas. Porque silêncio é assim… se impõe e cria raízes onde a terra da solidão é fértil.

Era uma manhã escura dessas que não se costura com linhas. Lá fora, o pássaro agourento – segundo as lendas da minha mãe – grunhia como se isso fosse a missão dele. Depois disso, nada mais prestou – ela escreveu no diário que eu encontrei tempos depois no baú.

Havia vida ali, atrás das cortinas lilases e por algum motivo o riso se perdeu além das flores… a canção de amor perdido ficava no repeat o dia inteiro e estava escrita entre as notas feitas no diário, com caligrafia de quem treinou tanto as letras cursivas…

Cheguei a ver os olhos dela perdidos no nada… Um riso meio sem noção enquanto o cão latia denunciando minha presença e ela repetia o mesmo mantra de ontem-anteontem-trasanteontem – quero ficar sozinha…

De olho brando no carinho, lembrei a ela que estava ali… e ela dizia que não seguia regras – só os fracos seguem as regras… Os fortes, criam- nas… Morro de amor, e não te conto nada. Não falo das madrugadas insones, nem da falta que faz a cada dia. Dos meses que conto no calendário da cozinha, das plantas que arranquei sem mostrar. Porque essa saudade só diz respeito a mim… Escreva uma história, se preferir – e riu num quase sem voz e sumiu entre o esvoaçar das cortinas… Disse que a psicóloga falou que ela tinha um amor bonito. Cheguei a odiar essa psicóloga… devia ser a mesma que me trancou nos dias de confissão quando retratei meu mundo de amor.

Escrevi milhares de histórias depois disso… ainda continuo escrevendo sobre o amor e suas diversas nuances… Nenhum tempo é essa coisa de agora… Era Leonor seu nome, embora seus amigos e familiares a chamavam por outro nome. Mas, quando eu pensava nela era ternura que eu sentia e só de imaginá-la, era ternura que eu via.

Trocou a casa dela por aquela última da rua cheia de escombros e vive ali, na solidão que encontrei dentro do baú esquecido na casa 18 da rua de cima… sempre que passo por ali, ainda vejo um vulto na janela. Deve ser o fantasma do amor que ficou…

Mariana Gouveia
Agosto é o mês dos amores quebrados e de B.E.D.A
Participam desse projeto: Claudia Leonardi – Obdúlio Ortega – Lunna Guedes  Roseli Pedroso  Adriana Aneli  Darlene Regina

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Gosto de existir no mistérios das coisas…

Arterapia:
desenhe sua casa.
As minhas sempre foram ocos de árvore ou botas com chaminés Tudor
ou abóboras com escadas e varais ou cogumelos com hortas.

Luciane Lucieri

Luci,

Estive visitando seus lugares e me perdi entre os mistérios que te rodeiam e a maciez com que você toca minha alma. Vi que encontrou uma carta de amor e que não era destinada a você e resolvi te escrever… não é uma carta de amor ou até é… de um amor nas coisas que gostamos e que guardam mistérios que não sabemos desvendar, nem resolver.

O sol filtrou aqui também, logo além do bosque que já nem existe mais – estão derrubando todas as árvores de lá – onde conheço cada uma.

Dizem que vão construir no lugar mil e quinhentas moradias e sabe-se lá quantos jardins… Mas, já era um jardim que eu mesma fotografei mais de mil e quinhentas vezes os bichos, os brotos dos ipês que nasciam das sementes trazidas pelo sanhaço azul e por descuido ele deixava cair. Fotografei ali vários fins de tardes e algumas manhãs acabadas de acordar. Os cogumelos que nasciam por ali pareciam doces de vó ou o sorvete de flocos da sorveteria da infância. Dava até vontade de comer. A pata de vaca muitas vezes me cedia folhas para o chá contra infecções e as libelinhas azuis cabiam num canto qualquer de tão pequenas que eram.

Agora, aquilo tudo vai se transformar em moradia e hoje, quando fui buscar as cestas para as doações vi tudo limpo. Deu um vazio no peito… Corri para seu lugar e fui beber poesia nos estuques do muro. Ainda bem que tenho as sementes de quase tudo que tinha lá… a maioria brotou como que por encanto e fui estrada afora cavando covinhas e deixando elas em uma nova morada. Achei que devia te escrever sobre isso, Luci e sei que o que sinto é que o mesmo que sentiu quando seu coração se tornou em um cemitério de borboletas tocando Mozart… O meu, hoje se transformou em um de cogumelos, florestas e seres cheios de mistérios que existiam por lá… e não tocava canção nenhuma.

Hoje, tive que criar um lugar para eles no meu quintal, Luci… por que em alguns momentos gosto de existir no mistério das coisas em que ninguém mais acredita.

Abraço carinhoso

Mariana Gouveia
Agosto é o mês dos bosques derrubados e de B.E.D.A
Participam desse projeto: Claudia Leonardi – Obdúlio Ortega – Lunna Guedes – Roseli Pedroso – Adriana Aneli – Darlene Regina

Corredores, Codinome Locura

Tenho uma almofada feita de “memories…”

Perdida, encontrou a poesia
que morava no caminho
imaginário de suas fábulas

Suzana Martins

Querido Agosto,

É inútil dizer que minhas fábulas em seu mês se tornam mais reais… Confesso que grande parte do meu imaginário ganhou vidas em suas noites, lá na minha infância, quando eu ainda corria descalça na estradinha de terra…

Era em seu mês que minha mãe temia os cachorros loucos e suas babas amarelas… um dia, cheguei a ver um, de olhar perdido, na relva, entre o alagado dos pés de buritis. Depois disso, fiquei dias sem sair para além da cerca, onde o Malhado – nosso cão perdigueiro – nos protegia dos cães “doidos” que vez ou outra atravessa a porteira.

O carteiro que aparecia a cada quinze dias, também contava histórias com seu nome… Se por algum mistério de quem contava as histórias, agosto era sempre o mês dos cachorros loucos, o que dizer dos humanos – seres tão desprovidos de amor iguais aos deles…

Cheguei a ouvir um causo, do velho morador do casarão abandonado que ficava depois da ponte que o cachorro dele endoidara, mas que não o mordeu de jeito nenhum… sumiu estradinha afora, com olho perdido na loucura de cão… Achei na época – embora não conferisse os dias no calendário – que seria o mesmo cão que vi entre o alagado e os pés dos buritis. Quis dizer que mesmo quando enlouquece, o amor do cão é fiel e não morde o próprio dono.

Alguém contava que nas noites de lua cheia também surgia uma mulher louca, sabe-se lá porque, para buscar um filho perdido… nunca acreditei nessa história… sabia que era mais coisa de meu pai, para que eu não corresse atrás dos vagalumes que brilhavam perto do jardim quando escurecesse… o peixe que virava homem e vinha roubar a moça para casar e tantos outros causos que minha memória guarda.

Sabe, embora imaginasse que tudo isso fosse lenda e histórias para nosso imaginário fluir na arte que minha mãe conduzia em nós, quando cresci guardei essas histórias em uma almofada para quando o mundo ficasse difícil de viver e de vez em quando, é nela que busco minha fonte de encanto só para suportar esses instantes que surgem na vida da gente, tal qual os cachorros loucos durante seus dias.

Para isso, eu tenho uma almofada feita de “memories” que em noites de insônias se transforma em um livro cheio de fábulas que vivi e me fizeram acreditar que a poesia é cada instante costurado na alma, tal qual bordado de avó.

Teremos um mês inteiro para recordar esses instantes. Vamos vivê-lo?

Mariana Gouveia
Agosto é o mês dos cachorros loucos e de B.E.D.A
Participam desse projeto: Claudia Leonardi Obdúlio OrtegaLunna GuedesRoseli PedrosoAdriana AneliDarlene Regina

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

b.e.d.a – dos rituais dos girassóis…

Ele disse: – Você parece mel. Ela disse: – E você, um girassol.

Caio Fernando Abreu

Minha doce Rose,

Queria te falar sobre os rituais. Meu pai sempre disse que vivemos de rituais, mesmo quando achamos que não. Eu sou dos rituais… desde quando acordo até ir dormir. E em um desses rituais de amor eu plantei girassóis no meu quintal pensando em você e ele cresceu tão lindamente que resolvi te escrever para te contar.

Você já sentiu o cheiro de mel de um girassol? Fico horas cheirando as flores dos que plantei aqui. Assim como você, também tenho uma ligação especial com eles. As borboletas adoram… E talvez, nossa ligação vai muito além da poesia e você seja a menina do girassol de minha vida.

Sabe, dias desses, dentro das memórias do dia lembrei-me de você e do cheiro de sua mão… acho que foi ali que senti o cheiro de amor que você carrega na alma.

Agora, que os girassóis floriram lembro-me de você todos os dias… na hora de molhar eles, falo com eles como se estivesse falando contigo… é um ritual que sigo para assim amenizar a saudade que sinto.

E seguindo o rito das flores te abraço esperando que tudo isso passe logo e a gente possa se abraçar de novo. Assim, te espero todos os dias dentro dos rituais que meu coração segue pensando em você.
Amo tu!

Um abraço carinhoso

Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

b.e.d.a – e essa leveza de quem consegue apenas respirar…

Querida Olga,

Eu nem queria escrever, porque as letras para mim são formiguinhas que vão e vêm em carreirinhas, iguais às costuras de minha avó.

Uma canção pede para que rasguem as cartas. Isso era do tempo de minha infância, quando na rádio lia as cartas que as pessoas escreviam.

Pediam canções, amigos, amores, encontros e especialmente, atenção.

Nunca precisei de atenção. Sempre chamei atenção. Esse jeito torto, vago e as flores do jardim. Me disseram que escrever é como se fosse fuga e me pego na noite amassando os papéis e repito com a cabeça na parede: quem disse que quero fugir?

Lembro-me de que alguém falou sobre cartas na infância. Os envelopes pardos a descrever sobre fatos…

Vejo apenas sombras no vulto… as figuras a embrenhar o muro como fuga. E essa leveza de quem apenas consegue respirar.

Feliz aniversário!

Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Começar pela palavra…

Eu reconheço mil peles
Mas só uma digital
Do que toca

Marcos de Faria

Meu caro,

Muitas vezes, a palavra me falta e daí eu tateio as coisas no quintal… depois da chuva faço uma vistoria nas folhas, nas poças d’água para salvar a vida miúda que anda por aqui… nesses momentos eu me sinto a castelã que você descreve na generosidade de amigo. A Mariana que faz com que a vida continue quintal adentro.

E vou reinventando fatos, explorando o pé de algodão e ofereço a mão como abrigo. Você sabia que o Chiquinho – meu beija-flor-menino já dormiu uma noite inteira na minha mão? Isso aconteceu depois de um acidente entre ele e o ventilador da sala. Logo que eu o reanimei, meio em prantos, ele se aninhou em minha mão e não saía de jeito nenhum… por mais que eu o colocasse no vaso da lanterna chinesa – um dos lugares preferidos dele – ele voltava pra minha mão.

Sentei-me no chão da varanda, com a mão apoiada na cadeira e ele até roncou. Você já viu um beija-flor roncar? É a coisa mais linda que há… e quando amanheceu, meu braço quase não mexia… e foi assim que passei uma noite inteira com um beija-flor. Já vivi várias outras aventuras com ele, porque o danado é um menino sapeca.

Tudo isso te contei para falar das coisas que vem parar em minha mão… grilos, gafanhotos, pássaros e uma infinidade de borboletas, mas as joaninhas ganham de todos os outros. Basta um descuido e lá vem uma pousar na minha mão… Talvez, isso responda ao seu comentário da palavra na palma da mão… se até os bichos encontram abrigo nelas, imagine as palavras, moço! É que a poesia ronda aqui desde minha nascença, lá no interior de Goiás.

E olha que vibrei aqui com a citação à Adélia! Nossa, e a Hilda, então?! Fiquei boba que só e resolvi te escrever essa carta apenas para agradecer. E o agradecimento vai em forma de abraço e palavra e com as mãos justapostas em reverência a sua amizade.

Abraço,

Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

E a loucura será feita de abraços…

Te decorei
para te rezar
todas as noites do meu dia.


Alessandra Siedschlag

Amada Maria,

Saberão os dias em que os corredores serão feitos de risos e que a loucura será apenas dos apertos de abraços.

Haverá os dias em que os espelhos serão apenas partes de relacionamentos e não cacos quebrados jogados no lixo, à medida que a sorte rouba as digitais dos humanos e eu folheio as fotografias na memória como quem rouba dados.

Tudo é esse grito na garganta, preso.

Mesmo que o calendário seja essa rotina de todo dia e você nem saiba seu nome. A loucura é essa improvisação no modo de ser. E é também essa coisa de ave abrir a asa e voar… não conheço outro modo que não seja essa grade.

Não conheço outro canto que não seja o dos anus pretos. Nunca tive nada desarrumado, porque nunca tive nada meu. A colher que me cabia tinha o cabo torto e alguém se apoderou dela e fiquei a ver a cor do cabo a ser servido duas cadeiras além da minha.

A colina, é essa ponta de verde musgo que meus olhos alcançam e de onde chegou a notícia de que alguém morrera na mata da rua do meio.

Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

b.e.d.a – dos dias de metamorfose.

Querida flor,

As porcelanas empoeiradas na mesa de cabeceira guardam segredos que eu apenas repetia para o espelho. Depois que coloquei o pano azul para cobri-lo nunca mais ousei pensar neles.

Costurei a garganta todo dia para não cantar as canções daquele tempo em que a maresia trazia o balanço das ondas para o quintal.

Vivi todos os dias a metamorfose de me regenerar na dor. Era a asa quebrada no vento. Era o vento derramando força no pouso.

Queria a mão para que fosse leveza.

Queria leveza para que não doesse a alma – algumas dores nos fazem mais fortes – e para que apenas passasse os dias com suas rotinas. O medo é apenas passageiro… dá apenas coragem para pousar quando é necessário o voo.

Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Da renda ao pouso…

Ana,

Dizia que o rumor do silêncio tinha o barulho da asa da libélula. Chacoalhava o dia no calendário torto. Falava do tempo que escorria em água do céu. Enquanto o animal estendia em renda seu leve som.

Tinha os gestos repetidos dentro das manhãs. Rotinas de doçuras enquanto a melancolia do céu beijava a flor sem vergonha que teimava em brotar na singularidade do jardim.

Tinha ocos feitos a mão, rasgando a parede ocre. A palavra me acolhe na sombra e assombra quem ainda acredita no acaso. As letras cabiam em envelopes coloridos. Algumas traziam notícias boas. Outras, envelopes com o timbre dos telegramas. Minha mãe tremia quando abria e via os códigos que retratava histórias que não queria saber.

Vi a morte diante dos olhos… Vi a vida me dar as mãos.

Em outros envelopes, as letras continham afagos na alma. Houve um começo de vida no subsolo. Germinava raízes onde tinham espinhos.

O fim é mesmo fim quando a solidão aflora dentro da companhia. De bônus – o voo – o pouso.

E era tanta imensidão de vontades na palma da mão.

Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega Roseli Pedroso

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

b.e.d.a – Já viu o azul, Luci?

Luci,

Havia uma cor azul no estuque da parede. Houve noites em que a solidão me trouxe barulhos na janela e se eu disser que a noite aqui é puro inverno? É frio, e eu tremo. A água gelada que caiu em ritmo de castigo parecia canção sobre a pele.  Era som de mais para quem enlouquece de silêncio. Às vezes, bato na parede-janela-pernas para que o som alcançasse o lugar e eu ouvisse algo que não fosse essa imensidão de silêncio em mim – diria que nasci muda- surda – talvez o comprimento do dia seja esse largar de minuto. A hora certa para o rito das cores: uma para aplacar o grito; outra, para curar a dor e mais uma, para que as fantasias se espalhem nas paredes e os ecos sublimem a sílaba e… eeeee.

Você deve saber que ando furtiva nas noites. As beiradas do telhado têm cores fabulosas. Dali, quase consigo alcançar o céu. E esse sentimento meu é quase toque e o infinito cabe nessa lucidez das perguntas em vão: o que vim fazer aqui? Cabe em mim esse vão absurdo entre a ponte e o rio, sem que eu desague no mar?

Mariana Gouveia

Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes  – Obdulio Ortega  – Roseli Pedroso