Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

O livro escrito…

As palavras dela ainda ecoam aqui… e mesmo lendo e relendo algumas coisas parece que em algum momento ela vai chegar de um outro país, da universidade, do mercado ou da caminhada no fim da tarde.

Abro o site que fala sobre horóscopo e vou direto ao signo dela… mas, tudo fica mais brando quando em uma noite estrelada fica possível ver Marte sem luneta. Eu imagino quem ela cativou no além do que se pode ver.

O livro escrito conta minha história de amor… um amor que vivi em mil possibilidades e a sensação é de que tudo foi vivido na intensidade da vida dela. Tão mágico e rápido. Tão fugaz e leve ao mesmo tempo. Tão profundo e suave… costurado como se fosse mesmo uma colcha moldada, combinando momentos e cores. Ana de Marte era mesmo leve e ao mesmo tempo vibrante. E você vai conhecê-la nas páginas de Colcha de Retalhos.

Ana de Marte é a protagonista de uma história que se esbarrou na minha e consegui traduzi em um livro. Se eu te contar da leveza e da delicadeza que você sentirá, talvez, sob teus olhos, você duvidará… às vezes, até eu mesma duvido… Duvido porque o amor descrito em cada página seja único no sentido exato de ser e com certeza, de tudo que ficou, no posfácio do livro é a docilidade de uma carta de amor ou uma colcha de retalhos que vai aconchegar seu coração.

Trago as coisas que ela gostava. A avelã, que sirvo com chá de hortelã. O cheiro que invade o
espaço e a folha da cerejeira, já que flor mesmo, aqui, não deu.
Uso em alguns casos a terapia do desapego e descarto.
São os retalhos que não servem mais. Respiro aliviada.

O livro já está a venda aqui e o lançamento será no próximo sábado, dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília – em uma live no Instagram da Scenarium.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais
Fotografia: Lunna Guedes

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Ao ler o meu livro você vai encontrar:

Fotografia: Lunna Guedes

Primeiro, o cheiro… que talvez seus sentidos te levem a pensar em flores de cerejeiras – ou sakuras, como dizia Kaori – e claro que é apenas uma sugestão minha, para que você pense nas cerejeiras, na certeza de que você encontrará sonoridade, gratidão e amor nas páginas de Colcha de Retalhos.

Colcha de Retalhos se trata de uma história de amor. Na edição de Lunna Guedes – maravilhosa! – o amor se transformou na costura, em forma de quadros e os capítulos uma colcha, onde a emoção predomina.

As ilustrações de Carly Ca traz ainda mais sensibilidade para um livro já tão sensível e delicado. Os números, em homenagem a Seiko e Kaori trazem acima da página a tradução em japonês.

Então, para você que adquirir Colcha de Retalhos, digo que você vai se emocionar, se deliciar e andar de mãos dadas comigo nessa história linda de amor.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
Se desejar adquirir o livro, o caminho é aqui

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalho – Os personagens.

Qual planeta habita hoje? — pergunto com o olhar
a vigiar o teu céu.
Qual emoção move nesse plano além dos olhos?

A fita de cetim dá contornos à Colcha de Retalhos e usando a simbologia do amor os personagens trazem a delicadeza dentro da história:
Mariana/Maryann – é a narradora da história onde conhece a cultura japonesa com a vizinha Kaori e Seiko, um casal de japoneses que migraram para o Brasil e posteriormente para Mato Grosso, aonde se passa a história.

Ana de Marte é a protagonista. A história se passa em volta dela. Uma menina/mulher que após sofrer um incêndio em sua casa, e perder os pais, vem se recuperar das queimaduras na casa de Kaori e ali passa a viver o amor com a vizinha Maryann.

Basicamente, são 4 os personagens, mas há também o inquilino (que compra a casa de Ana) que tem uma participação linda na história e se torna amigo de Maryann.

Esses personagens se intercalam na delicadeza da narrativa da autora. Com edição de primorosa de Lunna Guedes e ilustrações maravilhosas de Carly Ca, Colcha de Retalhos passeia com suavidade no amor entre duas mulheres e a saudade após uma partida prematura.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
Se desejar adquirir o livro, o caminho é aqui

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalhos

Um dia, eu me libertei:
Agora, sou livro
Elke Lubitz

Quando minha editora fez a proposta para um projeto novo, com o tema direcionado para Retalhos, me vi costurando uma história em pedaços, como se fosse uma colcha, como se minha memória fosse alinhavada aos detalhes e o livro ganhou o nome de Colcha de Retalhos.

Os quadros foram surgindo em minhas lembranças e fui construindo a parte confessional. Colcha de Retalhos traz a delicadeza de um período delicado onde os personagens se misturam em meio a amizade, ternura, cumplicidade e amor.

Com edição primorosa e capa sublime de Lunna Guedes, ilustrações de Carly Ca o livro ganhou vida e cores de sonho. É uma história de amor e é também uma homenagem para uma mulher excepcional que viveu dentro de um tempo de amor.

Até onde podemos separar a realidade da ficção? Até aonde o nosso eu lírico pode nos levar? Convido você para nos próximos sete dias caminhar comigo de mãos dadas por pedaços pequenos dessa história que escrevi com um suspiro preso no peito e muito amor no coração.

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
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Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais
Fotografia: Lunna Guedes

Delírios Comunistas · Scenarium Livros Artesanais

Misfits

Começa a notar que as coisas se inverteram na ordem? Caminho por esta avenida sem calçadas. Carros, desde que se tornaram importantes, ocupam os jardins das casas. Moramos sob a laje. Entre grades. Nesta gaiola insana.

É verdade que alçarão a segunda e a terceira lua ao espaço? Até 2022, prometem… Baita economia de iluminação pública! Vai brilhar mais que a lua original!…

Vi uma estrela tão alta,/

Vi uma estrela tão fria…

Protestam os namorados e os lobisomens.

Nesta cidade, as coisas endividam pessoas. São descartáveis. Também as pessoas.

Ou então

Partimos numa viagem secreta. Há de ter algum grotão neste mundo. Ainda há. Com boa literatura.

A esperança

Não há lugar para pessimismo. A vida é una, indivisível, improrrogável. Ouço-o gritando enquanto corre em ziguezague por entre os carros.

Depois se recolhe em sua lata de lixo. O último fecha a tampa.

Adriana Aneli
Texto publicado no livro: Delírios Comunistas
Scenarium Livros Artesanais
Você pode adquirir o livro aqui

Delírios Comunistas · Scenarium Livros Artesanais

quem sobreviveria?

“com os olhos à deriva na janela, tentei me convencer de que não, corujas não voam para cima de telhados em plena manhã, não, nenhum presságio, talvez o ruído indevido da rua anuncie o final dos tempos sem direito a funeral, a mesma paisagem cínica, de máscara? nem isso. as horas são todas iguais, o oxímetro separa o pânico da pneumonia, é melhor trabalhar antes que eu morra, são tantas janelas, nenhuma é a minha, é necessário tomar sol, disseram, mas o ruído indevido da rua ensurdece o desejo de estar viva, não, normalidade não há mais, não há normal nem anormal, o nada é o horizonte que nunca decepciona. aqui, cinco mil trezentos e sessenta horas de conteúdo gratuito para o seu desenvolvimento pessoal durante a quarentena, disponíveis durante os próximos quinze dias, apresse-se, mas eu só queria estar vazia. entende? o nada é o horizonte que nunca decepciona. o nada nasce bom. a espera o corrompe. entende o que eu quero dizer? talvez o cheiro da comida empurre vida num corpo morto que se bate contra as paredes. mas como, um corpo morto de rosto rosado e mãos quentes? talvez um creme na cara. hora de gritar na janela. fora, genocida! fora, eu não quero morrer de vírus! mas, no fundo, sei que estou condenada. foi antes, bem antes de algum prenúncio do apocalipse. foi na época das eleições. não, eu não leio nenhum livro sagrado. orações não me interessam. estou já condenada, eu sei, para o inferno com essa fé de barganha! tento me convencer que fé e esperança são defeitos distintos. em mim, talvez nem uma, nem outra sobreviveram aos naufrágios sucessivos. quem sobreviveria?

mas hoje você me chamou pelo nome como se chama algo
perigosamente próximo
do coração”.

Anna Clara de Vitto
Texto publicado no livro: Delírios Comunistas
Scenarium Livros Artesanais

Você pode adquirir o livro aqui

Delírios Comunistas · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

A teoria dos dois demônios

Eu nem estava por aqui quando o país enfrentou a grave ameaça comunista obrigando seus Militares — homens de bem, trajando fardas bem lustradas, com os peitos estufados, salários pontualmente pagos e armas toscas em punho — se viram obrigados a defender a Pátria… espanando a pobre Democracia, que convenhamos, por aqui, nunca foi lá uma de.mo.cra.cia.

Não sei se sabem, mas a tal da Proclamação da República — um ato não tão bem encenado do passado — foi um feito Militar ou como eles não gostam de afirmar: um Golpe contra o Império, que nesse caso não foi capaz de contra-atacar.

O fato é que naqueles tempos o exército brasileiro se considerava uma força política capaz de confrontar a aristocracia do Império tupiniquim e o fez. Mas não demonstrem surpresa ao saberem que uma mentira foi o estopim para tudo acontecer.

Essa mania que a história dos homens tem de se repetir… é tão monótona. Mas, acontece. Não há dados que nos posicione a respeito. De quanto em quanto tempo isso acontece. Nem a moça do tempo é capaz de aferir uma previsão a respeito. Duvido que algum cientista conceituado tenha se dado ao trabalho de investigar tal fenômeno.

Mas vamos lá… um fato que não se confirma, mas que eu desconfio é de que todo brasileiro é meio ditador. Adora apontar o dedo na direção do outro ou passar adiante a culpa. Responsabilizar o outro faz bem… principalmente à tal Elite brasileira — esse fenômeno quase impossível de identificar. Foco no quase! — por aqui, pobres pensam, classe média pensa… que é Elite! Se ganhar bem e realizar o tal sonho da casa própria, que pode — e acontece com frequência — virar um terrível pesadelo, pronto… é Elite e saí por aí com o nariz empinado no ar, com o rabinho a abanar. Porque o importante é sair sacudindo o molho de chaves e riscar o quadradinho do imóvel próprio na hora de fazer um cadastro em algum lugar. Se tem um carro — financiado em eternas prestações e juros absurdos — é o Senhor da rua e ouve na sua cabeça a marcha imperial. Convertido em Darth Vader, a criatura passa no sinal fechado, ao estacionar não deixa espaço para o outro. Não liga se a vaga é preferencial. Grita alucinado com o outro motorista e buzina com o pedestre que está sempre errado. O Cara é proprietário de uma máquina… abram caminho que ele está passando — cada vez menos, já que o preço do combustível, o desemprego, a inflação. Muita informação para um único dia em que pode terminar com ele instalando o aplicativo da Uber no celular para poder pagar as suas contas no final do mês.

E se o sujeito mora bem… ah é o Cara! Chega em casa com meia dúzia de cervas bem geladas, um pedaço de carne e vamos de churras na varanda, onde pode acender um cigarro e contribuir com o ar da cidade, cada vez mais seco e poluído. Tem aquele papo de aquecimento global — que chatice! É nessa hora que o cidadão — imita os milicos, estufando bem o peito — e do alto de sua santa estupidez, diz bem alto para os vizinhos

escutarem e fazerem coro com toda a raiva acumulada na vida: “isso é coisa de comunista”. E pronto… vai dormir satisfeito porque a sua bandeira jamais será vermelha e ele precisa acordar cedo pela manhã para manter as engrenagens do sistema funcionando.

Ano que vem tem eleição e ele já tem discurso pronto: nesse diabo que está aí eu não voto mais. E muito menos naquele outro, o barbudinho bandido de nove dedos que acabou com o meu Brasil.

Bom mesmo era no tempo dos Militares, que salvaram o país dos comunas — lembra que eu mencionei que o Império caiu graças a uma mentira? Pois é, a Democracia também.

Mas naquele tempo era bom… não se falava em corrupção, assalto, roubo. A gente saía às ruas numa boa. Ninguém ouvia falar em mulher que apanhava, criança estuprada. Não tinha esse mi mi mi de preto-gay e esse papo de gênero isso, gênero aquilo. Criança se educava no tapa e todo mundo crescia sem frescura. Existia limite. Filho tinha medo do pai. Mulher tinha medo do marido. Naquele tempo as coisas funcionavam… e tudo estava no seu devido lugar. Nunca existiu ditadura no meu país. Foi um momento militar e foi muito bom para todos nós. Um verdadeiro milagre brasileiro!

E lá vai o homem da zelite dormir seu sonho feliz de Brasil do passado… ops!

Tecla verde e confirma… quem sabe tudo volta! Mas sabe como é sonho, sempre pode virar pesadelo. Já pensou se o botão fica vermelho? Que diabos!

Lunna Guedes
Texto publicado no livro Delírios Comunistas
Scenarium Livros Artesanais

Das palavras das cartas · Projeto52 · Scenarium Livros Artesanais

 — O silêncio aumentou tanto que o relógio parou.

É agora – na pura ausência das coisas
e a madrugada por abrir.
Um palco a lua.
Eu observada de fora da janela.
 Ana Luísa Amaral

Bambina mia,

Queria te contar que de repente, no meio da noite, surgiu um grito mudo dentro de mim… vim aqui, como se os últimos dias tivessem sido invenção minha, mesmo porque não combina comigo essa angústia em demasia. Confesso que até permiti que o silêncio dominasse a casa.

O silêncio aumentou tanto que o relógio parou… Não liguei o rádio, nem ouvi as canções que eu gosto… De barulho aqui, só o som do vento das folhas do ipê no quintal ou vez e outra, o latido dos cães no quintal. Até eles parece que entenderam que o quente dentro da pele era mais do que uma febre sutil. O relógio, coitado, perdeu sua função de marcar as horas quando descarregou. Foi retirado da parede e permanece quieto sobre o móvel da sala.

Mas, hoje, abri as cortinas e deixei o sol entrar. Arrastei os móveis do lugar, limpei a poeira e molhei as plantas. Depois, suspirei e enfrentei o dia sem missa, sem notícias lidas e tratei apenas de ver a receita do pão recheado que fiz. Foi quase uma alquimia combinar a massa com o recheio e o cheiro do alho a invadir a cozinha… no canto, sobre a mesa, as roupas por passar.

Não foram dias fáceis, mas deixei outubro para trás, com seu luto, suas lutas, suas dores e a lágrima seca por trás dos olhos… Perdi prazos – eu sei – e textos deixaram de ser escritos. Às vezes, fico pensando em como cheguei até aqui, nessa encruzilhada como quem esqueceu o endereço. Mas, a monotonia cedeu e avancei no equilíbrio das horas que o relógio não marca.

Choveu e trovejou e foi nesse momento que pensei em te escrever e dizer que apesar de tatear as paredes no escuro, buscando a porta de saída do quarto para não acordar ninguém, eu estou bem… acho que descobri que sou forte – ou pelo menos finjo que a coragem veio aos poucos e o medo que me atingia evaporou-se…

A vida é essa sombra no espelho, é esse azul desbotado no céu antes da chuva, é o arco-íris quase apagado entre um relâmpago e outro e eu sou essa espera de tempos em tempos que se atreveu a chorar… mas que hoje já respira sorrisos.

Grazie por seu abraço e mão estendida… Grazie por ter estado sempre aqui.

Bacio,

Mariana Gouveia
Projeto 52
Scenarium Livros Artesanais

Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

Do dia em que ela eclipsou

Os cheiros do céu cuidam da semente na terra. A racionalidade do sol e a emoção da lua influi na paciência da espera. Era ali, a estação da alma. Dentro dela o cheiro dos cravos chineses e a borboleta encantando o mar enquanto o rio se desenha além dos muros. Dentro dela, eclipse. 

Mariana Gouveia
Ser de flor
Texto publicado no livro Sete Luas
Scenarium Plural Editora

Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

Dos dias em que amou.

Morria de medo de amar. Amou.
Cantava a sorte de um amor tranquilo na vitrola vintage que ganhou do pai e os discos de vinis trazia o fado – sempre via dentro do olhar que ela nunca viu – que em noite de lua embalava o sonho de eclipsar a vontade do beijo dela. Não era a dança sob a lua no quintal, nem a maresia que invadia o quintal dela… Não era nada disso que alimentava as noites de luar prateado. Não era o mar e sua rota torta, inquilino dentro do peito que fazia ela viver…  era a vida feita e refeita dentro do amor que o nome dela trazia poeira estelar quando cantado. Era essa espera no cais. Outra vez.

Mariana Gouveia
Ser de Flor
Texto publicado no livro Sete Luas
Scenarium Livros Artesanais