Morria de medo de amar. Amou.
Cantava a sorte de um amor tranquilo na vitrola vintage que ganhou do pai e os discos de vinis trazia o fado – sempre via dentro do olhar que ela nunca viu – que em noite de lua embalava o sonho de eclipsar a vontade do beijo dela. Não era a dança sob a lua no quintal, nem a maresia que invadia o quintal dela… Não era nada disso que alimentava as noites de luar prateado. Não era o mar e sua rota torta, inquilino dentro do peito que fazia ela viver… era a vida feita e refeita dentro do amor que o nome dela trazia poeira estelar quando cantado. Era essa espera no cais. Outra vez.
Mariana Gouveia
Ser de Flor
Texto publicado no livro Sete Luas
Scenarium Livros Artesanais
