Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Retrospectiva Literária.

*“Nenhum livro nasce sozinho.
Um livro contém os nomes e o amor de muita gente que se esforça nos bastidores.”

Não sou muito de fazer retrospectiva do ano que passou, fazer listas, que na maioria da vezes não cumprimos, mas nesse ano, movida pela Scenarium Livros Artesanais, como parte da Blogagem Coletiva venho trazer para vocês um pouco do que li nesse 2021 que pareceu ter um século.

Como parte do Clube do Livro da Scenarium tive vários encontros surpreendentes, sempre virtuais, no primeiro sábado de cada mês e mais do que falar sobre livros, os encontros nos aproximou e nos fez mais fortes.

* “Abrir um novo livro é abrir um lugar cheio de coisas favoritas.”

Alguns dos livros que li nesse ano, e embora faça parte dos projetos coletivos da Scenarium me tocaram de uma maneira sublinhar.
Colheita, um coletivo de poesia com o selo Scenarium me fez semear poemas e colher poesias de autoras maravilhosas.
Casa de Marimbondos – mais um projeto coletivo que nos envolveu em contos que encantaram e Casa Cheia, crônicas que nos embalou em histórias incríveis. Delírios Comunistas, Mulher Proibida, Nem sempre a Lápis, Roteiro Imaginário que nos pegou pela mão e nos levou rumos aos dias em que tudo parecia difícil e tornou mais leve a vida.

Outros livros que reli – por conta do Clube de Leitura – Receituário de uma expectadora, de Roseli Pedroso, REALidade, de Obdúlio Nunes Ortega, Agora Chega, de  Iohanna Ca, Mia, a holandesa dos pés descalços, de Anselmo Vasconcellos, Um teto todo seu, de Virgínia Wolf, Amor Expresso, de Adriana Aneli me trouxeram realidades novas, descobertas impressionantes e a perspectiva de que tudo muda, dependendo do instante que a gente lê.

*“Mesmo que eu releia o livro várias vezes, continuo vendo frases novas que não tinha visto.
Será que você, leitora, não passou por alguma mudança?
O livro não mudou, mas sim você.
Alguma coisa mudou no coração da leitora.”

E por fim, não poderia deixar de falar sobre meu livro Colcha de Retalhos, que foi um presente lindo da minha editora Lunna Guedes, com o selo Scenarium Livros Artesanais. Uma história que escrevi com o coração e a alma cheia de saudades. Nesse livro, mais do que falar de amor, eu falei do sentimento único que é vivê-lo. Quando o livro chegou em minhas mãos, pronto, com a capa e a delicadeza das ilustrações da Carly Ca me emocionei… ainda me emociono porque vejo nele a entrega do amor de Lunna Guedes em encontrar detalhes que ninguém mais vê. Sinto o cheiro da saudade e ao mesmo tempo a leveza de cada instante vivido.

*“Um livro inspirador pra um pode não ser para outro. Encontre o seu.”

Não consegui falar aqui sobre os outros livros que li além dos da Scenarium… Quem sabe um outro dia, porque a Scenarium, nesse ano tão duro foi leveza dentro dos poemas, das poesias, das histórias, dos contos e das linhas costuradas para que você viaje no mais puro encanto de ler.

Mariana Gouveia
Blogagem Coletiva
Scenarium Livros Artesanais
*Frases retiradas da Série Coreana Romance is a Bonus Book

Participam desse projeto: Lunna GuedesDarlene ReginaRoseli Pedroso

Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Projeto52

Caminho… e atrás de mim caminham lugares…

Bambina mia,

Já te aviso de antemão que essa carta é extra-sensorial… Em alguns momentos você pode fechar os olhos e sentir o vento… o caminho por onde te levo tem vento e tem o cheiro de sua cozinha, da xícara de café, do pão no forno sendo assado… e tem tato, porque posso sentir você ao mais leve toque na tela do computador… o abraço quentinho, a risada moleca e o som da bolinha de tênis ecoando pela casa enquanto Jane dog tenta roubá-la…

Acabei de descrever a saudade – você sabe disso – e vendo sua foto sorrindo, é como se você estivesse em minha frente, abrindo caminhos calçadas afora para eu não tropeçar, indicando esquinas enquanto caminho…
Caminho… e atrás de mim caminham lugares… e posso detalhar cada centímetro das ruas que caminhei contigo.
O vento gelado de um fim de agosto, garoa fina, mala arrastada…
Ônibus lotado e seus olhos marejados enquanto te contava minha história e senti ali, a cumplicidade de quem entende o outro sob o olhar atento do amor. Tantas coisas que já vivemos juntas.

Poderia enumerar datas e assim, marcar o tempo que existo em sua vida… mas, acho, que eu me enganaria porque acredito que o Universo só nos reaproximou de novo, de algum tempo em que não lembro, só que desde o primeiro abraço houve o reconhecimento de que eu já estive dentro dele em outro tempo.

Essa missiva está adiantada algumas horas, porque seu dia é amanhã e seria para amanhã minhas palavras. A gente anda se emocionando juntas em conversas em aplicativo de mensagens, e posso dizer em segurança que sua mão segura a minha sempre… em filas de espera, enquanto faço almoço, jantar, café da manhã… quando trovoa, quando tem sol e então, nesse meu caminho, sei de sua presença ali, mesmo não estando e a cada caso novo, história, memória e até fofocas, você está ali, atenta ao meu chamado. Sou grata por você na minha vida… se eu sou um afago do universo para você… ah, bambina mia… Você é a porta segura que sei que ao bater, ela se abrirá para mim. Com todos os aromas que uma casa possui, inclusive da pizza que acaba de me oferecer e seu abraço tão reconfortante.

Sou mesmo uma abençoada!

Auguri!

Mariana Gouveia
Projeto 52
Lunna GuedesAnna Clara de Vitto

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

O livro escrito…

As palavras dela ainda ecoam aqui… e mesmo lendo e relendo algumas coisas parece que em algum momento ela vai chegar de um outro país, da universidade, do mercado ou da caminhada no fim da tarde.

Abro o site que fala sobre horóscopo e vou direto ao signo dela… mas, tudo fica mais brando quando em uma noite estrelada fica possível ver Marte sem luneta. Eu imagino quem ela cativou no além do que se pode ver.

O livro escrito conta minha história de amor… um amor que vivi em mil possibilidades e a sensação é de que tudo foi vivido na intensidade da vida dela. Tão mágico e rápido. Tão fugaz e leve ao mesmo tempo. Tão profundo e suave… costurado como se fosse mesmo uma colcha moldada, combinando momentos e cores. Ana de Marte era mesmo leve e ao mesmo tempo vibrante. E você vai conhecê-la nas páginas de Colcha de Retalhos.

Ana de Marte é a protagonista de uma história que se esbarrou na minha e consegui traduzi em um livro. Se eu te contar da leveza e da delicadeza que você sentirá, talvez, sob teus olhos, você duvidará… às vezes, até eu mesma duvido… Duvido porque o amor descrito em cada página seja único no sentido exato de ser e com certeza, de tudo que ficou, no posfácio do livro é a docilidade de uma carta de amor ou uma colcha de retalhos que vai aconchegar seu coração.

Trago as coisas que ela gostava. A avelã, que sirvo com chá de hortelã. O cheiro que invade o
espaço e a folha da cerejeira, já que flor mesmo, aqui, não deu.
Uso em alguns casos a terapia do desapego e descarto.
São os retalhos que não servem mais. Respiro aliviada.

O livro já está a venda aqui e o lançamento será no próximo sábado, dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília – em uma live no Instagram da Scenarium.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais
Fotografia: Lunna Guedes

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Ao ler o meu livro você vai encontrar:

Fotografia: Lunna Guedes

Primeiro, o cheiro… que talvez seus sentidos te levem a pensar em flores de cerejeiras – ou sakuras, como dizia Kaori – e claro que é apenas uma sugestão minha, para que você pense nas cerejeiras, na certeza de que você encontrará sonoridade, gratidão e amor nas páginas de Colcha de Retalhos.

Colcha de Retalhos se trata de uma história de amor. Na edição de Lunna Guedes – maravilhosa! – o amor se transformou na costura, em forma de quadros e os capítulos uma colcha, onde a emoção predomina.

As ilustrações de Carly Ca traz ainda mais sensibilidade para um livro já tão sensível e delicado. Os números, em homenagem a Seiko e Kaori trazem acima da página a tradução em japonês.

Então, para você que adquirir Colcha de Retalhos, digo que você vai se emocionar, se deliciar e andar de mãos dadas comigo nessa história linda de amor.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
Se desejar adquirir o livro, o caminho é aqui

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalho – Os personagens.

Qual planeta habita hoje? — pergunto com o olhar
a vigiar o teu céu.
Qual emoção move nesse plano além dos olhos?

A fita de cetim dá contornos à Colcha de Retalhos e usando a simbologia do amor os personagens trazem a delicadeza dentro da história:
Mariana/Maryann – é a narradora da história onde conhece a cultura japonesa com a vizinha Kaori e Seiko, um casal de japoneses que migraram para o Brasil e posteriormente para Mato Grosso, aonde se passa a história.

Ana de Marte é a protagonista. A história se passa em volta dela. Uma menina/mulher que após sofrer um incêndio em sua casa, e perder os pais, vem se recuperar das queimaduras na casa de Kaori e ali passa a viver o amor com a vizinha Maryann.

Basicamente, são 4 os personagens, mas há também o inquilino (que compra a casa de Ana) que tem uma participação linda na história e se torna amigo de Maryann.

Esses personagens se intercalam na delicadeza da narrativa da autora. Com edição de primorosa de Lunna Guedes e ilustrações maravilhosas de Carly Ca, Colcha de Retalhos passeia com suavidade no amor entre duas mulheres e a saudade após uma partida prematura.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
Se desejar adquirir o livro, o caminho é aqui

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalhos

Um dia, eu me libertei:
Agora, sou livro
Elke Lubitz

Quando minha editora fez a proposta para um projeto novo, com o tema direcionado para Retalhos, me vi costurando uma história em pedaços, como se fosse uma colcha, como se minha memória fosse alinhavada aos detalhes e o livro ganhou o nome de Colcha de Retalhos.

Os quadros foram surgindo em minhas lembranças e fui construindo a parte confessional. Colcha de Retalhos traz a delicadeza de um período delicado onde os personagens se misturam em meio a amizade, ternura, cumplicidade e amor.

Com edição primorosa e capa sublime de Lunna Guedes, ilustrações de Carly Ca o livro ganhou vida e cores de sonho. É uma história de amor e é também uma homenagem para uma mulher excepcional que viveu dentro de um tempo de amor.

Até onde podemos separar a realidade da ficção? Até aonde o nosso eu lírico pode nos levar? Convido você para nos próximos sete dias caminhar comigo de mãos dadas por pedaços pequenos dessa história que escrevi com um suspiro preso no peito e muito amor no coração.

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
Se desejar adquirir o livro, o caminho é aqui

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais
Fotografia: Lunna Guedes

Delírios Comunistas · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

A teoria dos dois demônios

Eu nem estava por aqui quando o país enfrentou a grave ameaça comunista obrigando seus Militares — homens de bem, trajando fardas bem lustradas, com os peitos estufados, salários pontualmente pagos e armas toscas em punho — se viram obrigados a defender a Pátria… espanando a pobre Democracia, que convenhamos, por aqui, nunca foi lá uma de.mo.cra.cia.

Não sei se sabem, mas a tal da Proclamação da República — um ato não tão bem encenado do passado — foi um feito Militar ou como eles não gostam de afirmar: um Golpe contra o Império, que nesse caso não foi capaz de contra-atacar.

O fato é que naqueles tempos o exército brasileiro se considerava uma força política capaz de confrontar a aristocracia do Império tupiniquim e o fez. Mas não demonstrem surpresa ao saberem que uma mentira foi o estopim para tudo acontecer.

Essa mania que a história dos homens tem de se repetir… é tão monótona. Mas, acontece. Não há dados que nos posicione a respeito. De quanto em quanto tempo isso acontece. Nem a moça do tempo é capaz de aferir uma previsão a respeito. Duvido que algum cientista conceituado tenha se dado ao trabalho de investigar tal fenômeno.

Mas vamos lá… um fato que não se confirma, mas que eu desconfio é de que todo brasileiro é meio ditador. Adora apontar o dedo na direção do outro ou passar adiante a culpa. Responsabilizar o outro faz bem… principalmente à tal Elite brasileira — esse fenômeno quase impossível de identificar. Foco no quase! — por aqui, pobres pensam, classe média pensa… que é Elite! Se ganhar bem e realizar o tal sonho da casa própria, que pode — e acontece com frequência — virar um terrível pesadelo, pronto… é Elite e saí por aí com o nariz empinado no ar, com o rabinho a abanar. Porque o importante é sair sacudindo o molho de chaves e riscar o quadradinho do imóvel próprio na hora de fazer um cadastro em algum lugar. Se tem um carro — financiado em eternas prestações e juros absurdos — é o Senhor da rua e ouve na sua cabeça a marcha imperial. Convertido em Darth Vader, a criatura passa no sinal fechado, ao estacionar não deixa espaço para o outro. Não liga se a vaga é preferencial. Grita alucinado com o outro motorista e buzina com o pedestre que está sempre errado. O Cara é proprietário de uma máquina… abram caminho que ele está passando — cada vez menos, já que o preço do combustível, o desemprego, a inflação. Muita informação para um único dia em que pode terminar com ele instalando o aplicativo da Uber no celular para poder pagar as suas contas no final do mês.

E se o sujeito mora bem… ah é o Cara! Chega em casa com meia dúzia de cervas bem geladas, um pedaço de carne e vamos de churras na varanda, onde pode acender um cigarro e contribuir com o ar da cidade, cada vez mais seco e poluído. Tem aquele papo de aquecimento global — que chatice! É nessa hora que o cidadão — imita os milicos, estufando bem o peito — e do alto de sua santa estupidez, diz bem alto para os vizinhos

escutarem e fazerem coro com toda a raiva acumulada na vida: “isso é coisa de comunista”. E pronto… vai dormir satisfeito porque a sua bandeira jamais será vermelha e ele precisa acordar cedo pela manhã para manter as engrenagens do sistema funcionando.

Ano que vem tem eleição e ele já tem discurso pronto: nesse diabo que está aí eu não voto mais. E muito menos naquele outro, o barbudinho bandido de nove dedos que acabou com o meu Brasil.

Bom mesmo era no tempo dos Militares, que salvaram o país dos comunas — lembra que eu mencionei que o Império caiu graças a uma mentira? Pois é, a Democracia também.

Mas naquele tempo era bom… não se falava em corrupção, assalto, roubo. A gente saía às ruas numa boa. Ninguém ouvia falar em mulher que apanhava, criança estuprada. Não tinha esse mi mi mi de preto-gay e esse papo de gênero isso, gênero aquilo. Criança se educava no tapa e todo mundo crescia sem frescura. Existia limite. Filho tinha medo do pai. Mulher tinha medo do marido. Naquele tempo as coisas funcionavam… e tudo estava no seu devido lugar. Nunca existiu ditadura no meu país. Foi um momento militar e foi muito bom para todos nós. Um verdadeiro milagre brasileiro!

E lá vai o homem da zelite dormir seu sonho feliz de Brasil do passado… ops!

Tecla verde e confirma… quem sabe tudo volta! Mas sabe como é sonho, sempre pode virar pesadelo. Já pensou se o botão fica vermelho? Que diabos!

Lunna Guedes
Texto publicado no livro Delírios Comunistas
Scenarium Livros Artesanais

Alice - Uma Voz nas Pedras · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Um livro escrito por uma mulher na sua prateleira

Confesso que olhando minha estante me deparei praticamente somente com livros escritos por mulheres, com quatro exceções apenas. E juro que não foi proposital.

Os livros que vou adquirindo/ganhando/emprestando ao longo dos dias por coincidência, são a maioria escrito por mulheres. Foi uma grata surpresa!

Entre eles, Alice, uma voz nas pedras, de Lunna Guedes. A escrita de Lunna me encanta desde o blog Catarina voltou a escrever e me abraçou por inteiro em Lua de Papel I, II e III. Sou apaixonada pela história de Alexandra e Raissa e seus personagens encantadores.

Lunna me iluminou em sua Lua de Papel e me verteu de cores em Vermelho por Dentro. Nos Meus Naufrágios delirei… mas Alice, Uma Voz nas Pedras me deixou sem cor e cheguei a me perguntar: o que você está fazendo aí, que não faz nada para mudar as histórias que você conhece?
Captei os sentimentos e não me sai da cabeça a mulher que vive uma relação abusiva e ainda se acha culpada de tudo. Alguém aí se identifica?

Lunna nos leva por caminhos que são tão conhecidos, tão reais que chega a doer e emocionar. Já li o livro três vezes, em situações diferentes e confesso que me dói a alma ver Alice em tantos rostos conhecidos. Se você se pergunta aí qual é o seu lugar no mundo, acho que está na hora de ler Alice, uma voz nas pedras.

Mariana Gouveia
Esse post faz parte da Maratona Literária do grupo Interative-se.
Participam desse projeto
Lunna Guedes, Obdúlio Ortega, Roseli Pedroso, Ale Helga, Isabelle Brum

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

b.e.d.a – as hortênsias não são azuis…

Bambina mia,

acima de tudo 
tenho saudade de duas cores 
azul e
ver-te
Xilre

Ainda era madrugada quando a insônia bateu… Lembrei-me de que era nessa hora que você ia dormir. Esse tempo e o caos que se abateu sobre o mundo mudou nossos hábitos e vamos driblando as coisas que nos toca e nos choca. Eu faço revisitas quando a insônia bate. Vou aos lugares que me abraçam e dessa vez fui até você e sabe do que mais me lembrei? Do cheiro do seu bolo de fubá e voilá! Fui para a cozinhar fazer um bolo…

Um galo canta na vizinhança e coloco Léon para me acompanhar. Os pássaros já fazem algazarras lá fora e pego todos os ingredientes sob o olhar atento de Lolla. Já te falei que ela tem uma loucura por cozinha? Basta ir na cozinha e ela acompanha com olhar pidão, como se ficasse sempre à espreita de alguma lasquinha de qualquer coisa cair e vapt! Yoshi sempre fica na dele como se dissesse que os humanos dele não o deixaria sem comer nunca… menino marrento, que torce o focinho para qualquer coisa que se ofereça a ele e só depois resolve comer e daí, limpa o prato.

Vou adicionando os ingredientes lembrando da ordem de cada um seguindo minhas notas mentais, enquanto faço um café. O cheiro é um carinho na alma e hoje, no dia do café – rio quando lembro-me desse fato – isso de marcar dias das coisas me perturba desde criança… mas, isso, é história para outra missiva.

Os raios do sol já atravessam a janela e a forma vai para o forno. Aproveito os quase trinta minutos para o bolo assar e vou aguar as plantas. As suculentas estão cada vez mais bonitas e as minhas três espécies de trevo também… mas, meu olhar alcança o vaso de hortênsias plantado recentemente e os botões que já haviam começados a florir desabrocharam em tons de lilás… Lembrei-me de um texto seu em um dos blogs que não existe mais que falava sobre a cor. Não lembro qual… mas a alusão à cor e a você ficou marcado.

As hortênsias não são azuis como eu imaginava… são de um lilás que acalma e o vaso recebe a água do regador. Léon repete o refrão e a canção já é outra. Eu aspiro o cheiro do bolo enquanto um dos vizinhos deve ter feito café, porque os aromas se misturam aqui, no meu quintal. Quase grito que dou um pedaço de bolo em troca de uma xícara do café… Parece que o meu não cheira tanto assim…

Desligo o forno e minha memória tem você, tuo bambino e Jane dog… que assim como Lolla fica também à espreita dos farelos ou um pedaço qualquer. Sinto-me presa nessa lembrança e aceito ela como um presente para começar o dia.
Aceita um café?

Grazie per tutti!
Bacio,

Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Lunna Guedes também escreve diário

Sim, Lunna Guedes também escreve diários e com ela o ritual é quase uma alquimia. Fico imaginando Lunna a escrever seu diário e ainda assim vivenciar os diários de mais três pessoas. Imagino o chá a ser preparado em um rito que já conheço, a varanda a se oferecer como ponto-abrigo-lugar e as palavras acontecendo. Isso é mágico. Há canções que chegam até ela nos fones de ouvidos, enquanto Jane dog pede atenção.

Foi tudo isso que me fez aceitar o convite e embarcar junto com ela e mais duas outras autoras e viajar dentro das estações. Aos sábados talvez tenha o significado de sabático – penso eu – dentro desse nosso tempo de estar e ser.

” — abre parênteses —

Ainda não é outono por aqui e também não é mais verão — são dias fora do calendário, com suas datas disso e daquilo. É tempo de espera, como se a realidade estivesse a preparar uma xícara de chá.

— fecha parênteses — “

Lunna Guedes escolheu os sábados logo após uma conversa nossa sobre cotidianos. e estará junto comigo, Roseli Pedroso e Aden Leonardo no lançamento de nossos diários em uma live via Facebook pela página da Scenarium. No dia 28/11/2020, às 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda.
É só chamar (11) 99241-5985