Das palavras das cartas · Lunna Guedes

em meio a um turbilhão: uma resposta acalma a mente e o coração

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Cuiabá amanheceu com nuvens grossas e o pé de vento que mora no meu quintal dançando com as folhas de tudo que é planta e fazendo o pássaro balançar no bebedouro.

Bambina mia,

…Acordei ainda madrugada com notícia de uma morte. Alguém importante do meio da imprensa e da política partiu. A partir daí, o dia foi de correria e de movimentos. Entre notas e manchetes, lamentos e choros, assim correu a manhã.

O sol apareceu mais bravio do que sempre. Ardia a pele e embora entre todos os atropelos, a vida continuava acontecendo magias no meu quintal.
E como a vida continua apesar de tudo, havia um aniversário para se comemorar hoje – mesmo sem festa – *ela ganhou flores, e fez uma manhã pesada se tornar leve entre risos, emotions e carinho.

*Ela é a quem chamo de minha Jane. Companheira de momentos bons e ruins. Mulher com jeito de menina traquina e sempre antes das apresentações nos eventos, mesmo entre timidez – ela odeia microfones – ela dizia: Me chamo Jane…eu, me atrevia para acalmá-la, dizer: e eu sou Tarzan. E era riso entre as pessoas. Desde então, ela se tornou minha Jane e eu a Tarzan dela. oooooooooooooooo… O dia foi diferente, estranho, com jeito de luto e ao mesmo tempo de festa – como pode? – Estranho esses sentimentos que me movem e por vezes, pesam em mim.

Mas, como a magia sempre preenche meus dias e o encanto me surge em forma de palavras, veio essa missiva que iluminou minha tarde. Alinhavou em mim costuras de paz na alma. Deus é sempre generoso comigo e a natureza me traz gente que me inunda a alma. E veio ela..  e adoçou um dia intenso, extenso com minhas cores desenhadas em letras que esparramou em meu coração e que sorvo até agora o sabor da delicadeza. É quase chá de flores que rescende em todos os aposentos da casa.
E assim, encerro o dia. Com a alma em transe pelo simples poder que as palavras trazem. O poder do carinho e que devolvo para você, embrulhado em papel de presente e o laço do meu abraço…

Bacio,
Mariana Gouveia

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Carta à minha bambina aos cuidados do outono

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Querida L

Aqui é primavera e você brinda, vive e comenta outonos. Os dias me dizem mais de você do que pensa. Eu caminho no meu quintal – descalça – em sua homenagem. Eu “chovo” sobre as flores que se abrem em minha velha caixa de eternit. Coloco a mão na terra e comemoro teu dia, teus momentos e tuas missivas. Abro meu caderno de receitas e anoto aquela que você adoraria experimentar. Também tenho a alquimia da arte de cozer. E penso que hoje eu declamaria Borges enquanto preparava uma massa para você.

Descobri com uma amiga barista como se faz um café especial. Não entendi muito bem como seria esperar que a água não deva ser fervida e sim, aquecida no limiar onde as bolhas começam a agitar a água – é alquimia, menina! Ela diz. E essa palavra – alquimia – me leva até você. Que usa as palavras e as transforma em poesia, em encanto e em tudo que eu queria escrever. Ouro puro, no quilate exato das palavras!

Visito lugares que você visitou através de seus olhares. Caminho com as mãos entre os bolsos, junto com você, respeitando seus silêncios e descubro que se há algo que posso desejar é seu abraço, para confirmar a quentura que já sei como é. Costuro momentos que conheci através de você. As fitas de cetim se transformam em laços. Esses laços que o destino traça e une pessoas em diferentes mundos.

Esse laço que te presenteio num abraço. Hoje, a noite deu-me seu presente. Se pudesse, mandaria o cheiro que rescende no nome da flor que se abre para te dedicar momentos – dama da noite.
A dama da noite se abre e dizem que ela faz isso uma vez ao ano e justamente hoje, ela faz a festa aos olhos seus…

Que a vida te seja bela. Que te seja leve os dias. Mesmo os mais complicados.
Que seu ombro seja forte o suficiente para carregar os fardos que por ventura sejam direcionados a você. E que nunca te falte uma lambida de cão, um riso de cumplicidade e uma palavra que mereça ser escrita. Que o outono continue a te encantar e assim, você continua a nos encantar sempre.

*poderia ter escrito isso tudo em italiano, para ainda mais delicar-te nos momentos – essa palavra delicar-te não existe – eu a criei. Mas, de italiano só sei poucas palavras. Treino-as todos os dias parar renovar meu carinho per te.

bacio
Buon Compleanno!

Mariana Gouveia

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Carta à minha bambina aos cuidados de Outubro.

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O Outubro aqui é rosa e eu aspiro Exemplos em palavras tuas. O calor não me permite o café, é quase como estar em um forno e ainda assim a brisa morna me leva até você.

A palavra missivas me cai como música. Cheiro o envelope pardo e pinto ele com a cor do seu sorriso. O meu vestido florido canta a primavera que ainda passeia no meu quintal.
As papoulas, vindas como sementes ganham folhinhas verde esperança em um vaso que cultivo, reverencio e “faço chover” nele todos os dias.

Meu tempo, tão contado em minutos nesses dias loucos, avesso às minhas poesias, reverbera em mim vontades, que planto e amadureço em mim.
Vontade plantada de ver esse riso solto, de lamber focinho do cão…de pular as poças d’ água e de ficar apenas em silêncio…é impossível eu ficar em silêncio diante de tantas impossibilidades. Flor de viagem plantada no meu quintal.

Exemplos antecipando desejos de abraçar e conhecer o riso largo. De estender conversa sobre o personagem principal de amar.

Exemplos contando histórias que aconteciam. Ainda hoje o noticiário falou algo sobre isso – lembrei –
Mas o movimento de ter nas mãos a fita que ela costurou e ler as palavras que ela escreveu e a frase dedicada a mim – sonhos vão além de sonhos, seu pai falou um dia. Realizá-los é a meta. Seja a amora no quintal, o boldo que floriu lilás ( e eu só sentia o gosto amargo pela boca adentro) e o carteiro que já me conhece e sabe que nunca vou estar na hora da entrega e que ele amorosamente faz a gentileza de voltar na hora em que tem alguém em casa.

Não fosse isso, hoje, eu não escreveria essa carta. E a mágica de uma lua enorme invadindo a sala e eu, dignificada no olhar não cantaria Bocelli o hino que me leva até você.
A melodia interrompe os gritos da noite, o latido do meu cão, o cri-cri dos grilos debaixo da pedra de amolar, que tem a minha idade – Sim! Eu tenho uma pedra de amolar facas que já era antes de mim, e quando meu pai mudou me confiou a herança única de levar comigo a pedra que ele buscou em uma aventura que escrevo em outra carta.

Amanhã, amanheço com o dia o calor, que segundo a meteorologia muda o tempo em quase todos os outros estados, mas que aqui, continuará esse mesmo calor que aquece a pele, a alma, a vida

Mariana Gouveia.

 

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Das cartas que escrevi…

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Querida L
Abro o dia de amanhã e é como se um envelope fosse aberto. Adoro o cheiro. Trazem histórias dentro dele.

Somos o contrário – Eu possuo os dias, com seus voos rasantes de beija-flor anunciando o normal do milagre que me acontece todo dia – enquanto você adora os silêncios gritantes da noite que te rodeia.

Às vezes, as coisas me acontecem como milagres. Ei-lo hoje, em forma de cheiros de envelopes rondando meu lugar. Acho que essa sensação dentro de mim se chama felicidade. E foi você quem trouxe. A primavera irrompe o muro do quintal e traz a delicadeza da flor do hibisco onde uma borboleta pousa.

Trovões fazem sua festa no céu anunciando uma tempestade. O vento sacode as folhas do pé de canela e o cheiro invade as  salas do escritório e eu aspiro vontades.

Vontade de chá, de silêncios, de sair sem rumo sentindo a chegada da chuva. O céu muda sua cor e eu fico apenas a espiar da janela esse dia que cheira primavera.

Quase que para além, das palavras eu ouço o vento que o menino grava para sua mãe e envia feito mensageiro em um vídeo só para dizer que lá pelas bandas da casa deles choveu também.

Contou as poças d’água no quintal. Do ninho que algum pássaro perdeu por causa do vento, das mangas ainda verdes e que frágeis vão virar comida de pássaro no chão. Finaliza dizendo que lá para os lados do meu lugar um sol fraquinho vence a chuva da primavera e faz presença onde meus cães sentem minha falta.

Falta pouco para o dia findar. Tão pouco, que quase sinto que é amanhã, onde começará tudo outra vez.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Carta ao meu pai aos cuidados de Agosto

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abe, pai. Quando ouvi essa palavra pela primeira vez foi como se eu fosse marcada pela força que ela emana e descobrisse que ali, naquelas três letras estava todo amor definido.
A pronúncia, entre balbucios e riso e teu olho cheio de água plantou em mim uma árvore da qual me espelho até hoje.

Virei essa árvore e a minha raiz vem do alicerce forte que você me deu. E quando por vezes uma ventania espalhava minhas folhas vida afora, eu me agarrava na certa de que minhas raízes estavam seguras no amor, no exemplo e no amparo que você sempre me deu.

Muitas vezes, quando me rebelava em meu espírito de filha, você me mostrava caminhos, indicando-me onde era mais fácil trilhar. Por mais que eu me perdesse nas buscas, sua mão estendia-me a direção.

Me ensinou a ter consciência das perdas que por vezes tive.
Ensinou-me a valorizar cada ganho e principalmente a ter respeito por tudo. A vibrar com vitórias sem parecer prepotente. A vencer sem derrubar ninguém. Me ensinou a ser eu. Tão própria dentro do meu mundo e tão raiz tua.

Te desenho hoje na simplicidade dos dias. Você, pai, de sorriso largo, de persistência intensa. Com toda vontade de viver exemplifica o amor incondicional.

Feliz Dia dos Pais!

Mariana Gouveia

 

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Carta ao meu filho aos cuidados de julho

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 Oi, filho,


Hoje retornei às minhas lembranças. Revi os dias que antecederam tua vinda ao meu mundo. E depois daquele dia em que me vi grávida, nunca mais fui só, por que desde aquele momento você passou a ser parte dos meus pensamentos.
Ainda na barriga, resguardado do mundo aqui fora, a ansiedade era ver como você seria.
Os dias e os meses antecipou tua chegada um mês antes do previsto. E de repente, você se tornou nossa vida.
Os primeiros dias, os primeiros meses, o primeiro ano. A primeira palavra, a ida à escola… e você se torna cidadão do mundo.
Cada descoberta era uma magia em nós.
Eu e seu pai fomos seus adversários nos jogos, até tênis inventamos de jogar, para te dar uma atividade única.
Você foi se transformando com o tempo. E cada conquista tua era a nossa também. Sofremos juntos suas dores de amor. Rimos juntos das piadas às vezes sem graça. Até torcer para seu time nós torcemos, só para te ver feliz. E quando ele perdia, dávamos-te a lição de que perder faz parte.
Hoje, relembrando o dia em que você nasceu, há 26 anos atrás, eu sabia que seria a última noite em que eu dormiria tranquila, por que depois de você, as minhas noites seriam povoadas de você. Se tava dormindo direito, se tava com frio, se havia comido antes de dormir. E rezava/rezo para Deus te proteger.
Te criei envolvido na poesia. Te apresentei os livros. Mas, antes de tudo te dediquei amor.
Embora hoje, você seja um homem, com personalidade forte, dono de si, para mim e seu pai, você ainda é nosso menino.
Filho, a vida nos leva por caminhos que talhamos e são nesses que caminhos que desenhamos nossa história. A sua história é escrita dentro da nossa e sem você nossa história não teria momentos tão bonitos para mostrar.
26 anos se passaram desde quando você nasceu e foi aí que nós nascemos para a vida.
Te amamos infinitamente

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Carta ao meu pai, aos cuidados de Junho

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Oi, pai.

Eu vim dar notícias de Junho. Maio passou tão ligeiro. Nem sei se você percebeu os dias. Mas Junho aqui chegou quente. E com seu aniversário, pai. E sigo o ritual de todos os anos. Faço a oração para Deus te proteger e meus pensamentos voltam para Junho. De todos os meses, Junho é o que mais me toca e você sabe o porquê.

Eu sempre me lembro da minha infância, pai e tudo que me marca nesse mês são as festas juninas. A alegria com que nós festejávamos os dias, era especial.  Além da festa por si só, os rituais que você seguia me leva hoje a repetir quase todos eles. A devoção cristã e a fé que te fazia levantar o chapéu sempre que pronunciava o nome de qualquer um deles.

Logo de início, o dia dos namorados envolvia laços e simpatias. A reza para que Santo Antônio nos trouxesse maridos bons. Ainda me lembro de colocar a faca na bananeira para que no dia seguinte surgisse o nome do amado escrito. Hoje sei, que tudo aquilo era apenas para enriquecer nossas histórias. Os doces feitos durante a semana que antecedia o dia 13 enchiam de cheiros nossa cozinha. O mamão ralado, o queijo para o doce de bolinhas, os pães sendo assados no forno feito por você. Os biscoitos de polvilho…ah, pai. Ainda hoje sinto as especiarias como guindaste do que vivi.

Junho por si só era frio. E parecia que você conseguia esfriá-lo mais na véspera de São João. O dia inteiro na feitura da fogueira. A mandioca e a batata doce escolhida a dedo para assar. Era como se fosse Natal e suas histórias sobre o batismo de Jesus ao redor da fogueira criasse em mim e nos meus irmãos um roteiro sagrado.

Sempre admirei tua fé. E na noite de São João você manifestava ela de uma maneira que nos assombrava. O atravessar as brasas descalço sem queimar os pés. Apesar de saber sempre que isso acontecia e repetia todos os anos, era o ponto alto da noite. Lembro que eu contava para todo mundo teu feito e quando ia dormir ficava a imaginar tua coragem. Meus pés ardiam na coragem que eu não tinha de fazer o mesmo. Seguindo os rituais nos levantava bem cedinho para o banho no rio. Como se fosse um batismo mesmo. E o frio ficava sempre em segundo plano. O que mais me recordo era a maneira de olhar na bacia e ver, se na sombra refletida havia duas orelhas. Se não houvesse, era sinal de que morreríamos durante o ano. Graças a Deus nossas orelhas sempre estavam intactas. Mas você conhecia sempre alguém que no ano anterior não havia aparecido uma das orelhas.

Estou aqui a escrever, pai e Junho passa e repassa todinho na minha frente com seus cheiros, seus frios, seus rituais e encantos. Fechávamos com chave de ouro com o santo pescador. E em sua doutrina religiosa nos ensinava que mais importante do que ganhar o peixe, era aprender a pescar. São Pedro era a fé viva do dia que quase fechava o mês e eu quase nasci nesse dia. Mas, isso, é história para outra carta.

Hoje, anos depois, Junho me desenha uma pescadora de sonhos. Mas, também uma realizadora deles. O mês começa hoje e já o vivi inteiro aqui. Você e tua fé que te mantém vivo, continua elevando os olhos pro alto ao citar os nomes dos santos e embora uma cadeira de rodas te prenda, com seus olhos atentos você viaja vida afora.

E como nas cartas que já trocamos tantas vezes, fecho essa desligando o rádio. A vida passa rápido, as coisas vividas já foram vividas e como você mesmo dizia quando eu era pequena:
– Vamos embora cuidar da vida.

a bênção, pai.
Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Sabe, mãe

...

Mãe, estou paralisado pelos sonhos.
A realidade é dura por demais
o cidadão aqui é quem está preso,
indefeso
as crianças de futuro sem futuro
e sem paz.
Mãe, mas eu penso que estou indo bem
apesar da saudade de meu pai.
A janela tem uma grade que protege a mim;
mas, e os meninos que eu vejo nos jardins?
Sem segurança, essas crianças
buscam apoio num caminho proibido
e eu agora fico tão agradecido
por minha infância protegida por você.
Em cada olhar desses meninos pelas ruas
minha revolta é com quem
tem o poder e o dinheiro
para mudar esse futuro
e nada faz e é inseguro
eu viver com medo de uma criança
que seria a esperança
de um futuro verdadeiro.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Carta à Janeiro

Carta à Janeiro

Desta vez, trago-lhes notícias do mundo real.

Ele é muito real.
Nem tão feio quanto dizem e nem menos assustador do que pensávamos. Mas descontínuo e mais intrigante que o telescópio newtoniano. Há tanta ainda, mágica no ar, que eu poderia sufocar.

Agora, chove manso, o aroma que se desprende das folhas do esbelto eucalipto, invade as janelas que entardeceram de asas abertas. Só assim te escrevo. Quando o vento ganha algum perfume.

Por falar em árvores, as que foram plantadas por toda a extensão da minha rua que tem nome de Lagoa, gosto de destacar, floriram.
Uma vizinha palpiteira deu de me chatear dizendo que não eram plantas de florir, mas esta semana ao abrir a janela, alí estavam sorrindo rosa-claro. Eu ralharia-lhe o engano, não fosse seu sumiço deveras oportuno. Cheguei até a pensar que flores eram seres extremamente vingativos e de audição apuradíssima. Não fosse pela chuva delas que tomei numa sexta-feira destas passadas, indo ao trabalho. Uma região de árvores centenárias. Ventava fresco e as florzinhas amarelo-ouro das altas Tipuanas iam desprendendo-se de seus galhos, quase que em câ…me…ra len… ta, e caindo por cima da vida da gente que passava. Por Deus, quase cantei o Hino Nacional! Há coisas que só acontecem neste país. Penso eu, em minha humilde bagagem de quem só visitou Piraporinha do Bom Jesus.

Dalí em diante, pensei que em Janeiro eu seria feliz. Não que já não seja. Mas não é desta felicidade amiúde que eu falo. É bem outra. Ando até a conferir a sinastria, porque acredito que entre as doze constelações, uma combina com a minha.

Reformei algumas esperanças. Inventariei sonhos antigos por ordem de importância, não data. Comprei selos. Escreverei para longe e para aqui do lado. Só pelo capricho de dar mais poesia à vida dos carteiros.

E se o amor inquilino quiser entrar. Eu deixo ficar.

Zidna Nunes Ou Ziris