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Sou eu — esta mulher que anda comigo

Bambina mia,

o dia de hoje antecede o dia frio que se aproxima. Aqui, já não predomina o céu azul e as nuvens de chuva – disse a moça do tempo – cobrem o céu todo. Já é possível sentir o vento mais frio do que o normal. É o inverno vindo contar suas histórias e me fazer reclusa mais uma vez. O alerta se repete há dias a mesma frase: alerta de frio intenso. Abaixamento de temperatura… só isso já me assusta. Sou da cidade do sol, você sabe.

O outono me enganou lá em fevereiro… o meu quintal tem inventado estações sobre outras. O ipê desfolhou-se inteirinho em fevereiro e o cheiro das folhas secas pela manhã me carrega para dentro de sua estação favorita. Culpada! E onde foram parar os dias de outono mesmo? Se perderam no calendário da folhinha da cozinha.

Não te falei que as estações se fazem aqui? As flores da lanterna chinesa se abriram e vários botões estão a nascer. A flor é ensolarada. Me encanta a maneira que as cores se misturam e se oferecem em luzes aos olhos de quem passa por aqui. E a palavra flor nos embala sempre nas manhãs, bambina.

Mas agora chove… uma chuva sem muito alarde, apenas acompanhada de um vento frio, assim como a moça do tempo falou. Uma ternura imensa me abraça enquanto leio sua missiva. Há dias em que o clima lá fora nos obriga a abrir os baús de dentro. É onde um respiro de afeto para aquecer os dias pulsa no cuore… Ontem mesmo me dediquei um tempo ao baú, onde guardo os envelopes coloridos e me perdi nas datas e estações que atravessamos. Pelo calendário dos homens, como você costuma falar, já são tantos anos. Pelo nosso calendário, a poesia se desmancha em dias, risos, afetos, meu passado e seu futuro e não ouso ultrapassar isso.

Amo tu imenso!
Bacio,
Mariana Gouveia

2 comentários em “Sou eu — esta mulher que anda comigo

  1. Buongiorno, cara mia… estou cá a podar o hortelã, enquanto falo contigo. Devido ao horário em que envelopa seus escritos, só leio-te pela manhã. Sou noturna, mas as noites de segunda e terça são cheias nesse junho em que de outono, só mesmo o calendário. Não acho que tenha se enganado em fevereiro e nem que o seu-meu quintal inventa estações, acho que eles são os calendários que valem, medidores de tempos e de estações.
    Ontem, antes do vento trazer as nuvens para a cidade paulistana, tinha uma linda lua no céu e eu disse “oi eu”… e ri, como de costume. Criatura lunar que sou, aceno a nós duas, uma na terra e outra no céu. Uma brincadeira que ainda causa estranheza em alguns. Claro que eu me divirto. Oras…
    Tenha um lindo dia e que o frio não a aborreça…

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