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Carregar um coração vazio no peito

8, junho,

Depois de te ler analisei os vazios do meu coração e dos amores ou ternuras que passaram por aqui. Não foram tantos, mas alguns que fizeram parte de minha história desde a infância-adolescência até aqui. Havia um vácuo sempre que eu pensava em andar de mãos dadas, conversar sobre amenidades, rir de bobagens e a medida que eu crescia o príncipe foi se desenhando em camadas que borrava tudo no final.

Houve um tempo em que eu queria só conversar com a Ana, que trazia Marte no nome e guardar poemas soltos, feitos em folhas de cadernos. Não queria preocupar-me se meus irmãos e eu teríamos qualquer coisa para comer amanhã… a cidade grande cobrava a “generosidade” de me deixar morar ali – já sem minha mãe que já havia morrido, sem meu pai de volta de onde mudamos – com três irmãos mais novos que eu. O amor que eu amava mais do que a mim era o programa de rádio do qual eu fazia parte e apesar de ainda nem ter saído da adolescência de vez.

Mas entre alguns dos amores que fizeram meu coração bater e emocionar havia a Ana que era de Marte mesmo e me levava para cavalgar nas nuvens só com um sorriso. Os olhos dela me trazia o alvoroço, a mão estendida me sacudia e o abraço causava um redemoinho no coração. E ele, Ita, que chegou como um sopro de brisa em dias turbulentos, com a certeza de que tudo ficaria bem. Com gestos que nem precisava de palavras e com as poucas palavras que me traziam equilíbrio e esperança.

São 40 anos juntos onde passamos por tanta coisa que daria um livro. Ele me ensinou a me amar mais do que qualquer outra pessoa. Me mostrou que confiança quando quebrada não tem conserto e que a paz a gente planta feito sementes de pé de ipê no quintal. Me ensinou também que amor deve ser regado, cuidado e colhido. Assim, ele se transformou em meu jardineiro e o amor que acalenta meu coração.

Mariana Gouveia

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