eu sempre acordo de madrugada… depois que o moço daqui sai para o trabalho às 3:30 da manhã muito raramente deito novamente. Mas percebo que não sou só eu quem espero essa hora estranha, parada no tempo entre o crepúsculo e o desabrochar do sol por traz do muro. Sinto cheiro de café na vizinhança.
Preparo o café, enquanto ando pelo quintal em um ritual de falar com Chiquinho – meu beija-flor – enquanto ele pousa no varal de roupas. Yoshi sempre vai aos meus pés. Quase pisando no meu calcanhar e cheira as coisas que aparecem cheirar ao faro de cachorro.
Já sei os ritos do lugar. O morcego que se envereda na árvore frondosa da casa abandonada da frente, o moço do clube que passa com sua bicicleta amarela assoviando, o gato que rompe o muro e o atravessa como se estivesse desfilando – para a bravura de Yoshi que odeia gatos – e o portão da vizinha que se abre as 5:15 pontualmente todos os dias, e ela rompe rua afora rumo ao ponto de ônibus.
Apago a lâmpada da cozinha e abro as janelas. Se chove, espio a chuva com uma xícara de café na mão e um livro. Se não há chuvas eu pego o regador e molho as plantas retirando as folhas mortas. A manhã se antecipa aos meus afazeres depois de um diálogo com você e em suspenso, o sopro que faz com que meu pensamento vai de encontro ao vento. Fuuuuuuu!
Mariana Gouveia

Early mornings can feel so quiet and still—there’s something peaceful about those hours, even if they’re a bit unusual.
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That’s true. Thank you for your comment.
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