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Os teus olhos de repente, viram-me, pela primeira vez

Quando vi você falar sobre Susan Sontag, uma imagem se passou como um filme em minha cabeça. A nossa primeira vez. Pera lá! Para não confundir ninguém, falo sobre a primeira vez que trocamos olhares, abraços e cuore.

A gente já se falava via mensagens e de repente, lá estava você, no saguão do aeroporto, com sua boina inconfundível a me procurar entre os passageiros que chegavam, ou seria o contrário? O abraço primeiro parecia continuação de algo que havia sido pausado em outros tempos. Ou parecia que tudo era como se já tivéssemos vivido antes aquele instante.

A gente dá muita importância para a primeira vez. Para mim também ficou marcado aquele momento como o primeiro, mas eu poderia enumerar cada outros primeiros momentos e adivinha? A gente vivenciou tanto aquele abraço, as primeiras falas interpelando uma na outra que não houve registro e só percebemos isso quando eu já havia ido embora. Tanto que a foto do post já foi na segunda vez, que para nós foi a primeira de novo. Coisa nossa.

Inventamos um desvios entre os quintais e um voo entre pássaros. Eu andei pelo seu bairro e te mostrei o meu e a garçonete do bar fez meu café com seu nome e o roteiro das ruas com nomes indígenas possuía ligação com meu lugar. Era dessa primeira vez que a gente falou? E quando em tantos momentos últimos a gente estendeu as mãos no maior sentimento que a vida pode dar. A amizade.

Por que rente aos primeiros momentos de cada manhã, andar pelo quintal e falar com você é sempre como a primeira vez.

Mariana Gouveia

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