Afetos · Das palavras das cartas

Pai,

dona morte dos dedos de veludo, 
fecha-me os olhos que já viram tudo ! 

Florbela Espanca

Pai,

eu vim tantas vezes aqui para te escrever e falar com você… hoje, o calendário me lembra que fazem dois anos que você voou. Não posso negar que parece que foi ontem… os dias estão acelerados, pai.

Tanta coisa mudou por aqui e quase nada mudou… chove pouco, o quiabo que plantei já está dando flores e o pé de jabuticaba está verdinho. Isso, porque molho todos os dias o quintal e a hortinha. Outra coisa que eu queria te falar é sobre seu neto, pai. Ele vai casar e eu vou lá, para conhecer o mar e o amor da vida dele. Será que se você estivesse aqui, iria comigo? O mar, pai… prometo que depois que eu conhecer ele te escrevo.

Mas, a ansiedade me rodeia. E a tristeza também… é tão contraditório. Ser feliz pelo meu filho e triste porque perdi a Lolla, pai… a minha branquela azeda que me conduzia dentro de um amor imenso. Tenho tantas perguntas que ficaram sem respostas depois de sua partida e finalizando essa carta quero pedir um favor: se encontrar a minha Lolla por aí, por favor, cuida dela até a gente poder se encontrar de novo.

Sinto muita saudade de você, pai.
Te amo sempre e tanto!
Mariana Gouveia

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