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Carta para Cuiabá aos cuidados do sol.

Caminho pelas suas ruas e revisito lugares únicos, seus – que conheci ainda menina – a avenida que hoje te corta ao meio era um rio, que desci ladeira abaixo e eu com minhas pernas curtas, atravessava a pequena ponte que me levava à casa de minha avó.
As suas palmeiras, hoje, quase caindo, modificadas pelo tempo foram testemunhas dos meus sonhos e da minha vontade de escrever.
Por anos, a voz do rádio me levou a ler cartas de amor para toda gente e para os arredores de suas ruas.
Ali, enquanto o microfone me fazia porta voz de amor, você crescia e se transformava dia após dia nessa cidade majestosa, mas sofrida.
Quando cheguei aqui, ainda menina, fui acolhida pelo teu calor – às vezes, insuportável – mas ainda assim, aconchegante.
Sou uma cidadã sua. Documentada e de coração.
Conheço teu sabor, teu saber e suas dores.
Em cada manhã te vejo com olhos de encantar a alma. Seu céu, infinitamente belo me presenteia todos os dias com suas nuances e cores deslumbrante e no fim da tarde, é magnífica demais para não ser transformada em poesia.
Te reverencio em sua beleza. Me compadeço de suas dores.
Nas suas noites, me dá de presente seu céu maravilhoso e é agora, diante dele que curvo a você, Cuiabá.
Cidade verde que amo.
Parabéns todos os dias!

Mariana Gouveia.
Cuiabá, 306 anos de calor humano

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