Desvios para atravessar os quintais · Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

Dos dias aleatórios de abril.

Costuro a palavra habitar no corpo, como moradia leve… um toque. O coração sendo trocado, de leve, por outro — uma válvula — que afinará as melodias em manhãs de pássaros nas árvores secas do quintal do vizinho. Que além das batidas insanas causará ruídos nas janelas abertas pelo vento. Que fará com que eu esqueça o amor que não deu certo, as perguntas inconvenientes, a mesmice plantada no olhar do homem da esquina. Um coração que viverá de noite, como se dia fosse e que tocará a alma do outro como única, no verbo amar. Costuro a palavra habitar e bordarei poesias soltas nos murais dos pontos de ônibus… sairei cantando o amor como rotina e esvaziarei o peito e dentro da mão, o voar virando pouso, mesmo que imaginário na solidão dos corredores de quem espera viver.

Mariana Gouveia
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