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Sexta, 15 — Hoje atravessei a cidade sem interrupções.

* quote extraído do Coletivo Ao vento, todo dia — todo dia, de Suzana Martins

Ph: pinterest

Pinto o horizonte de dourado no seu destino… a noite e a imensidão das rotinas das horas. Vi a esperança vestindo colorido pelos olhos de uma poetisa. O quintal desenha vento nas plantas que restaram depois da chuva… A natureza detalhada em gotas na transparência da alma depois de molhar o jardim. O horizonte era opaco ainda agora enquanto a lua é esse desaforo na janela lateral de qualquer lugar. As pétalas das flores sendo pouso para o agora. Para além dos céus e o mar era espera. Dentro da gota era mar, o ritual do pouso. A vida tem esses instantes delicados. Os meridianos acusando saudade indecifrável do que não vivemos. A noite tem a esperança da vontade, tatuada sobre a pele – flor – que nunca foi tocada, mas que a mão conhece cada linha, cada pinta e que pelo silêncio, a vida se torna esse respirar de amor.

Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais

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