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Era o tempo das intenções tolas

Vi as ranhuras na pele e o vento a debruçar nas janelas vizinhas fazendo as cortinas dançarem.
Era o tempo das intenções tolas quando percebi seu sumiço. Você era tão presença que mesmo na distância eu não sentia falta, porque no íntimo de mim vivia pleno.

Foi numa manhã de luto que busquei tua mão e não te senti. Ainda gritei seu nome pelo quintal. Havia apenas a leveza dos insetos sendo consolo em uma tarde que se perdia no tempo, fugindo da previsão que a moça na TV anunciava no jornal do meio dia.

E quando não te achei mais, ali, onde te guardava feito joia, decidi deixar você ir. Era melhor mantê-lo vivo na memória com as alegrias disfarçadas dentro do amor.

E com a vida embaçada de sol recuso o pedido, mesmo porque nada mudou para além das histórias e tudo continua igual ao que o destino preparou.

Mariana Gouveia

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