Vó Léo,
a carta seria para minhas avós, de quem carrego no dna a ancestralidade na alma – não nego – mas, resolvi te escrever para declarar meu amor por você. Quando me casei com seu neto, ganhei a avó que desejei a vida toda e não tive.
Minha nona Mariana – razão do meu nome – navega nas minhas lembranças de menina com o olho miúdo, igual ao do meu pai e nem sei até onde é fruto de memórias vividas ou se é invenção de parte de histórias que escutei. Carrego dela o nome – não mais do que isso – e nem um cheiro de bolo assando, de colo, de aconchego de vó mesmo.
Já minha avó Ana Maria – que senhora conheceu e foi amiga desde a infância – não tenho memórias de vó. Apesar de ter vivido grande parte da adolescência e vida adulta perto dela, não a tive como avó. Lembro-me bem dos cabelos longos enrolados em um coque perfeito, do vestido amarelo claro e o perfume que chegava sempre antes dela. Nunca tive dela essa coisa de abraços, de cuidados de vó e tudo bem.
Então, vó Léo, eu ganhei você e junto vieram todas as coisas de vó que eu sempre imaginei ter. Os abraços, a alegria, o afeto, os bolinhos de chuva, a comida quentinha e o chá de alecrim.
Sabe, vó Léo, ainda tenho comigo coisas suas e mesmo depois de sua partida, a sinto tão minha em tantos momentos sendo minha vó. De alma, de abraço, de laços e de muito amor.
Grata por isso!
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega

💯
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grata!
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Acho interessante tudo que somos e não somos graças as essas figuras que servem com alimento para o nosso imaginário. É algo tão intenso e maravilhoso. Eu tenho todo um baú de coisas e gosto da idade de certos itens. São tão velhos, tão anteriores a mim e ao mundo dos outros. rs
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Também tenho essa mesma sensação com as coisas. Meus baús me levam para além do tempo. É quando descubro do que sou feita.
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