o caderno que ganhou
era para anotar as espécies
– era o que o pai dizia –
Passou a escrever poemas nas linhas
– era a sua forma preferida de gozo
O dedo enfiado na terra.
A semear-se…
– no próprio coração! A coragem –
Nem era semente isso – alguém dizia
Mas, em muitas noites de lua,
enquanto todos iam colher as flores
para remédios nos campos
Plantava a solidão – nos vasos da cozinha
Pegava – com cuidado – a faca
Abria a semente –
entre a janela da varanda
e o caos interno
Sufocada com o dom que ganhara na infância não queria mais plantar!
Matou a semente com um só golpe.
Mariana Gouveia
Colheita
Scenarium Livros Artesanais

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Colheita intensa 👏🏼 👏🏼 👏🏼 👏🏼
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Colhamos! ❤ ❤ ❤
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