estranha que fui
quando vizinha de longínquas luzes
acumulava palavras tão puras
para criar novos silêncios
Alejandra Pizarnik
Bambina mia,
de repente, hoje, percebi o silêncio no quintal através das teias de aranhas… geralmente, o quintal é barulhento por si só. Não bastasse o Chiquinho e seu chilreio atrás dos invasores da sua água no bebedouro, ainda há um bando de Encontros – o pássaro preto com o filete laranja na asa – o bem-te-vi e o pé de ipê com seu farfalhar de folhas nessa estação estranha por aqui.
Engraçado que falo de todos os bichos e de todas as coisas e me deparo com as teias enquanto dou água às plantas. Confesso que fiquei presa por um bom tempo dentro desse silêncio de domingo assistindo elas a cruzarem fios como se fossem tecelãs.

Algumas, parecem que foram abandonadas depois de tecidas. Geralmente, ficam entre o pé de clitória e capins que nasceram ali e que deixei ficar por causa dos cães. Parecem toalhinhas de crochê, e com os respingos da água parecem pérolas penduradas.
Sabe, bambina, fiquei pensando em como algumas coisas me causam encantamento no quintal e quis dividir com você o silêncio delas… Até o vento silencia perto das teias… a memória me leva para os campos do lugar onde meu pai mora e de como a vida vai me apresentando esses encantamento em dias aleatórios, como hoje.
A luz atravessa os fios e olha, bambina, os desenhos modificam de uma para outra… fiquei impressionada com isso e de como o silêncio se dá bem com isso. E em algumas, a doçura do erro não estraga a forma da teia… apenas a torna mais encantadora.
Confesso, bambina, que não sou muito fã do bicho que tece, talvez por isso, meu olho nunca tenha esbarrado nelas… mas, hoje, é domingo e descobri que não há dia para se encher de encantos nem de silêncios. O domingo parece acordar, para além dos muros e a vida já corre ligeiro por aqui. Vamos ali, viver!
Bacio,
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Estamos em Agosto e por isso, temos BEDA.
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso – Suzana Martins e Bob F





Que belas teias. Acho as tecedeiras bonitas também, desde que não estejam demasiado perto de mim…rs
Abraços!
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Eu também penso igual, se bem que algumas já me conquistaram.
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Aprecio o trabalho de artesã delas mas na realidade, gosto delas bem longe de mim rs
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Não chego a ter medo, Roseli, mas as evito.rs
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Eu aprecio aranhas e aqui em casa preservamos o local no qual tecem suas teias. Aparentemente, sabedoras disso, se estabeleceram em vários pontos do quintal. Belos registros, Mariana!
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Eu também preservei o lugar aqui, mas ultimamente, elas andam invadindo meu espaço.
obrigada, moço! Abraço
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💙
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❤
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Que beleza de teia poética!
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Grata, Nirlei! abraço carinhoso
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Eu adoro essas teias de aranhas que você fotografa. Eu me lembro quando li a respeito no seu diário e fiquei a imaginá-la na condição de mulher rendeira no meio da mata orvalhada. Mas não era nada silencioso, pelo contrário… Aliás, o seu quintal também não me parece silencioso, apenas de você mencionar a quietude da manhã de domingo. Para mim, a sensação é de pequenos sons que espalha por todos os cardeais. rs
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Alguns dias são mais silenciosos que outros, mesmo com os barulhos do quintal.
Bacio
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Vamos ali viver e tecer sonhos, devaneios, alaridos que rompem o silêncio!
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Ah menina Mariana, as tuas missivas – com ou sem destinário – eu sempre pego pra mim… ❤
Eu tenho agonias de aranha. Algum pavor, não sei… mas eu tenho muita vontade de fazer uma série fotográfica com as teias. Elas tecem tão lindo. Quando eu penso em ajeitar a lente pra tirar a foto, bate um desespero…
E vc trouxe essa beleza aqui! Estou encantada demais. Seu olhar enriquece o meu!! ❤
te amo!!
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Vamos! ❤
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