– O azulejo da cozinha, a cantoneira, a mesa posta para o café. A porcelana esquecida no canto e a noite e seus vazios… e… e… Esqueço-me de que a estação das flores é a primavera e nos dias de quase inverno e outono seco (as estações se misturam meio dia e meia) e o vento invade os aposentos da casa quando o sol doura tudo que é canto.
Meia noite e meia e a luz ainda detalha o canto das cortinas. É preciso coragem para retirar os panos que tapam os porta-retratos. Pessoas conhecidas dentro de mim mesma e
aquele postal do seu lugar. Um estranho postal no meio da parede a murmurar seu nome durante a noite inteira acompanhando o tic tic do relógio e o ponto turístico daquela cidade em que sonhamos conhecer e andar pelas esquinas de mãos dadas enquanto você pronuncia o idioma repetindo os versos da canção. A mão espalhada acolhia o ser que voa e na escuridão a asa perde o poder de direção. As aves, intactas, desabitadas em seu modo de voar. Conversa com os pássaros entalhados, para ensinar que voar não tem segredo, mas ainda assim, perdeu a autonomia dos voos enquanto o pouco céu for a estante como morada.
Mariana Gouveia
Desvios para Atravessar Quintais
Diário das Quatro Estações
Scenarium Livros Artesanais

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❤
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Eu já começo a imaginar o próximo diário… ainda não escolhi a quarta participante. Pensei em alguém, mas admito que não enviei o convite e não foi por preguiça, mas por cuidado. rs
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Ai, o próximo diário! Socorro, deixa eu ir ali!
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