– Pensou nas roupas do varal — o lençol branco, de linho, bordado com o monograma dela — quase um voo — era a invenção para ter asas… As mãos a ganhar acaso de bicho e o imaginário a criar sombras entre o chão e o céu. A pele a equilibrar a rotina do medo. As falhas entre as folhas criam desenhos sob a luz da lua. Ela — tão etérea — visitante invasora da vida. A renda a desenhar as asas. Os olhos aumentados em uma lembrança que não vi. O abismo tão imenso diante da miniatura no varal. E já não era mais o lençol da memória. Era esse abuso de cremar o ouro do sol. O voo noturno e o pouso a caber dentro do sonho. A luz, quase vasculhando cada canto do quarto.
Outro dia, era a certeza de tudo, hoje, apenas o vazio da solidão aérea das vontades.
Mariana Gouveia
Desvios para Atravessar quintais
Diário das Quatro Estações
Scenarium Livros Artesanais

🤍
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❤
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Uma narrativa em que o sujeito ,de certa maneira poético ,subrepticiamente presente
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Amiga Mariana Desculpe Faz o favor de reenviar o texto ? Não sei pq não pude continuar a análise . Grata Maria
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Não entendi sobre o reenviar o texto. Quanto à análise, fica tranquila. O espaço é livre. Beijo
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Ah, essa fotografia me pegou de jeito. Adoro roupa no varal. E a narrativa me pegou pela mão de novo. É leitura pasa o fim de semana
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Sabe que às vezes, me pego vendo os lençóis secarem? Acho lindo o vento sacudindo-os.
Bacio, amore
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