Das palavras das cartas · infinitamente

Era uma vez, a primeira vez.

Filho,

eu já te escrevi tantas cartas e para mim será sempre como se fosse a primeira vez… você fez isso comigo desde sempre. Me fez experimentar primeira vez em tantas coisas. A primeira vez que ouvi seu coraçãozinho bater foi como se eu estivesse ouvindo meu coração bater fora do peito.

Com o tempo, filho, as datas se tornam comuns. Qual a graça de se comemorar dia das mães com o filho longe? E eu, que já nem tenho minha mãe aqui, como comemoro? Dia das mães é todo dia e dia do filho se resume em horas, porque uma mãe pensa em seu filho ou filha em todas as horas – Será que comeu? Está com frio? Gripou? Tomou chuva? Chora por amor? Está se sentindo só? – e fica registrado na memória das mães o dia em que o filho nasceu.

Foi de você que ouvi pela primeira vez a palavra mãe… e depois disso, eu me tornei a mulher mais poderosa do mundo, capaz de enfrentar qualquer coisa por você. Infelizmente, esse super poder se limita quando a gente não consegue mais impedir que outras dores te machuque. E resta apenas oferecer o colo e rezar para que tudo passe logo.

Ainda temos muitas primeiras vezes para viver… e temos ainda que repetir mil vezes outros instantes. E no dicionário de mãe, filho vem sempre em primeiro lugar e é essa palavra que me abraça quando penso em você.

Obrigada por ter me escolhido ser cuidadora de você nessa vida. Tenho muito orgulho do homem que você se transformou. E o meu melhor presente é seu sorriso. Te amo imensamente!

Mariana Gouveia

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