Da janela do ônibus as coisas passam por mim e eu escrevo enquanto o engarrafamento aumenta. Reparo nas coisas e nas pessoas para te contar. As personagens se multiplicam entre conversas que tento absorver. Me chama a atenção um casa de adolescentes que pelo visto ainda estão em fase de paquera – sei lá – próximos de mim.
Durante o percurso de 30 minutos entre uma estação e outra repetem em um diálogo 150 vezes a palavra “tipo”…
– A professora tipo assim, enrola mil vezes, tipo, a prova foi fácil, mas tipo, o tempo foi curto…
Enquanto ela comenta que:
– Tipo assim, o meu pai não pode me buscar e eu, tipo a sapatilha do balé, tipo pressiona o dedo…
Ele olha para o pé e ela meio sem jeito, diz, tipo sem graça:
– Prazer, pé de bailarina!
O olho dele brilha e ela sem graça, mexe no cabelo. Fala do prazer de dançar, depois que ele quis saber se ela gosta mesmo de balé, entre dois “tipo” no meio da frase. E ela descreve a poesia que o céu oferece lá fora, através da janela… Dançar para ela é como a magia do sol de todo dia, tipo que se a gente fica sem, morre… Ele fala do amor pelo skate, mas tipo assim, ele não tem. Usa emprestado do amigo, que é tipo meio irmão e que com o skate pode voar, igual a ela – imagina ele – tipo quando dança.
Comentam sobre o quanto de vezes repetiram o tipo e eu aviso das 150 vezes que marquei. Riem comigo, pela cumplicidade da conversa e eu digo que tipo assim, ia escrever uma carta falando sobre isso. Ele desce antes de mim e despede-se pegando o endereço do blog. Tipo assim, de curiosidade, ele verá. Ela ri e fala do prazer de dançar que deve ser tipo assim, o mesmo que eu sinto ao escrever.
Despeço-me na leveza do riso da menina que tipo assim, durante a dança, voa. E sigo rumo à noite para te escrever.
Mariana Gouveia

Que linda carta “tipo” faz nos pensar na cena narrada. Rsrs
Um abraço da SiL
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Grata, Sil! Abraço carinhoso ❤
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Foi um texto tipo assim, muito gostoso, Mariana!
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Que bom! rs
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