Perco-me dentro de você através dos séculos.
Falta- me essa presença oscilante entre a solidão e o tato.
Devia te contar que hoje chorei
e que chamei seu nome infinitas vezes.
Conheci um menino
que trazia uma flor no cabelo
– riu do meu, tão curto, em piada para os amigos –
e a menina que ria com ele
percebeu que ele tinha primavera no olhar.
Coube pétalas brancas na lição do dia.
Descobri que não havia jeito de desabraçar um abraço dado.
E que um estrangeiro pode ter sinal de partida logo na chegada.
Escrevi muitas histórias para te contar…
Depois, desfiz cada uma e dividi em cartas
que talvez você nunca vá ler.
70 páginas onde a lua apenas me avisa
que a vida é feita de fases
e que a solidão é vivida em noites de lua.
Minguante.
Mariana Gouveia
