Confesso que foi difícil escolher apenas seis fotos representado os últimos seis meses. Foram tantos momentos registrados que dariam um livro, mas segue abaixo algumas que me marcaram. Espero que gostem!
Julho –
É lua cheia! O calendário avisa que há dias em que é melhor ser apenas plateia. Hora de desvendar afetos. A rota lunar sempre é uma opção de fuga. De vez em quando eu atiro facas em mim mesma. As tremuras das mãos são quase um ocaso para o bordado que não faz mais. Era lindo o abraço do silêncio.
Agosto –
A vida esconde o pólen da noite quando o vento é só essa música que a cortina acompanha. Lembrei-me das folhas escondidas em cadernos.
A rua de cima tem garoa enquanto as folhas secas protegem a vida miúda.
Conta o calendário que é inverno ainda e meu diário se perde na contagem das estações.
Tem noites em que todas as estações mudam de rumo em equinócios não relatados.
Setembro –
Houve uma noite em que o dia brilhou. Das sementes que plantei, nasceram sete. Cavei cada buraco a procura do sol para girar. Nem sempre o dia tem essa precisão noturna.
O dia da dor parece parafuso repetindo ciclos.
Ensaiei a despedida vinte vezes, contadas no cronômetro do celular.
Rabisquei no caderno os rascunhos das cartas… Queria deixar um testamento sobre as relíquias que nunca cataloguei…
– “Deixo para você as palavras escritas nos rascunhos do email” – depois, fui lá e apaguei porque senti a sua dor de viver sem mim.
Será que eu deveria falar das flores?
Outubro –
Quando chegou a hora do descanso,
eu já era pouso e fui colo.
Quando chegou a hora do aconchego,
eu já era carinho e fui amor.
Quando já era hora de voar, eu fui céu e minha mão, nuvem
Novembro –
Nas manhãs regadas a asas
o céu vestiu-se do azul mais bonito.
Às nuvens brincavam de pinturas – das mais variadas formas – e a borboleta veio ser encanto enquanto eu falava de cerejeiras para alguém.
O quintal guarda sua magia para o dia continuar sendo no sopro de asas dentro de mim.
Dezembro –
Entendi a densidade da chuva. As micros flores parecem diamantes expostos.
A cortina dança ao som do vento e a vida tece significado das coisas.
O pássaro de todo dia busca abrigo na minha mão.
As manhãs de sábados improvisam instantes de ternura.
O ninho foi preenchido com vida outra vez.
Faço orações nas gotas da chuva para agradecer.
Mariana Gouveia
Projeto fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam junto comigo desse projeto:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Suzana Martins – Roseli Pedroso






Ah menina Mariana, que delícia percorrer com você cada espaço dos teus meses. Detalhes perfumados a abraçar o sentir. Poesia pura!! ❤
CurtirCurtido por 1 pessoa
Depois de uma semana praticamente fora do mundo, voltei. Me emociona sempre suas palavras comigo. Grata! ❤
CurtirCurtir
Fiquei aqui numa sucessão de Uau!!! a cada mês lido e admirado. Oh Mari detentora das palavras belas que tocam fundo nosso ser. Abraço repleto de poesia e carinho!
CurtirCurtido por 1 pessoa
Ah, Roseli querida! Grata tanto ❤
CurtirCurtir
Poemas fotográficos!
CurtirCurtido por 1 pessoa
Grata, moço! ❤
CurtirCurtido por 1 pessoa
Oh, the photo of the raindrops on the spiderweb is amazing 🙌
CurtirCurtido por 1 pessoa
Muito obrigada, Helena! Abraços
CurtirCurtido por 1 pessoa