Das rotinas

Dos verbos indefinidos

O cheiro da grama recém cortada dá a sensação de passado. A memória resgata lembranças que fizeram parte da infância.

Contei minha vida em carta. O rádio e sua maneira de resgatar verdades.

Tudo acontecia no século passado. A música da sua vida na voz do locutor. As ondas gravitacionais fazendo com que a viagem seja feita passo a passo.

O porta-retrato guardando a família toda. Os que já foram parecem mais presentes ainda, mesmo depois de tanto tempo.

O verbo era quase um propósito de espera.

As ervas no jardim, criando sementes – as flores sendo colo para a vida – e da semente, a flor… fruto.

O amor sendo a palavra feminina na cor. Era apenas o regresso de um mundo que sonha vontade.


Mariana Gouveia

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