e o sol surgir forte em minha manhã laranja
Luci,
vi que você foi no último show de Milton. Quase segurei sua mão num aceno onde seus olhos brilhavam. Nesse dia choveu aqui, Luci e enquanto a tv transmitia o evento eu via as gotas dançando na janela, como se estivessem acompanhando a música, como se já soubessem da despedida. Esses dias de novembro têm sido estranhos. Já tive todas as estações nesses 15 dias, Luci. Teve frio, calor, vento, temporal, chuva e sol…. muito sol.
A moça do tempo aqui, de vez em quando, erra a previsão… por isso, acho que virou rotina a velha frase: pode chover a qualquer hora… e até inventei um poema no meu livro O lado de dentro, dizendo que eu entendia de meteorologia. Isso de chover a qualquer hora me causa confusão, Luci, pois preciso ficar atenta ao guarda-chuvas. Confesso que sou apaixonada por guarda-chuvas, mas também sou atrapalhada com eles.
Já esqueci tantos em vários lugares que o Seiko – um dia te falo sobre ele – me disse que eu poderia montar uma loja bem grande com os que perdi e quando dizem que pode chover a qualquer hora penso no bendito guarda-chuvas. Embora, mesmo quando não chove tenho de usá-lo por causa do sol, por isso, implico com a moça do tempo por aqui.
Acho que prefiro o método que meu pai me ensinou sobre o tempo. Já te contei, Luci, que meu pai sabe quando vai chover um dia antes de acontecer sem sequer conhecer a ciência da meteorologia? Um dia, vendo as formigas indo em carreirinha para o formigueiro, ele disse: amanhã chove! E pronto, não deu outra, Luci. Na manhã seguinte amanheceu chovendo.
Meu pai tem a ciência das águas, Luci. Desde menina, eu o via com uns gravetos a procura de lugar para furar o poço. Vinha gente de tudo quanto é lugar para ele descobrir por onde a água fluía e lá ia ele, campo adentro com os gravetos na mão e em determinado ponto parava e dizia: aqui! E bastavam cavar ali que a água jorrava. Eu achava isso um poder tão grande, que chegava a pensar que meu pai tinha o poder da água benta da igreja. Vê se pode isso, Luci?!
Mas, eu entendo a moça do tempo, Luci… nem sempre a previsão acontece como ela anuncia. Há fatores fora do controle de quem olha o céu através de instrumentos. Eu mesma, daqui de onde estou posso dizer que hoje pode chover a qualquer hora, Luci e o sol surgir forte na minha manhã laranja. Isso, até eu posso prever. Agora, outro Milton, Luci, não acontecerá mais. Restará apenas as canções feitas de pura poesia para a gente desfrutar.
Beijo meu,
Mariana Gouveia
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins
Ph: Pinterest

Mariana, as moças do tempo apenas querem, com o tempo, se tornarem apresentadoras destacadas. Querem um tempo melhor para elas, assim como a Maju e a Patrícia Poeta alcançaram. Se dará certo, nem elas podem prever…
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Não penso que seja assim. Acho que as emissoras já as preparam para isso. Lembro-me que quando comecei no rádio, fui orientada a fazer todos os seguimentos. Desde a sonoplastia, até atender telefone. Acredito que algumas se destacam, inevitavelmente, como Maju e a Patrícia, claro….
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Tem razão.
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