Meu caro M,
Bem, era um destes dias ou lugares talvez…
Roubei essa frase acima de você só para te contar que daqui a dois dias Cuiabá completará 303 anos e eu me vi caminhando pelas ruas e decidi, aproveitando o projeto fotográfico 6 on 6, te mostrar um pouco do que vi-vejo pelas ruas do meu lugar. Já faz um tempo que não falo com você e confesso que sinto falta… Aliás, sinto falta de saber mais de você e de contar coisas minhas também e de perguntar se é mesmo verdade que é avoador… Essas coisas bobas que amigos conversam-perguntam e riem juntos.
Eu apanhei um artista no instante em que ele criava sua arte. Parece a poesia quando sai da alma do poeta e ganha vida nas letras, nos cadernos, nos livros. A arte de rua ainda é considerada uma afronta a sociedade e eu poderia escrever muito sobre isso, mas eu perderia o foco de te levar comigo, quase de mãos dadas apontando aqui e ali a Cuiabá dos muros e paredes…
O artista que fez a pintura é o mesmo que tatuou as borboletas nas minhas costas… também passaria horas falando de como ele enfrenta o mundo das ruas com a arte e de como seu grito de luta às vezes é calado com repreensão… mas isso, é uma outra história. Eu só quero mesmo te passar a arte e sua essência de voz ecoando pelas ruas.
Sabe, Cuiabá possui seu nicho de artistas e com isso, os viadutos ganharam vida através das pinturas que retrata a cultura e o cotidiano de um povo de beira de rio, de viola de cocho, de Pantanal… Fica mais fácil atravessar as ruas e ver algumas paredes velhas contando arte e histórias… mas, nesse mundo tão corrido tem gente que passa e nem vê.
Sempre quando eu passo em frente a essa casa – um casarão histórico, abandonado pelas autoridades, prestes a cair, feito de adobo – parece falar comigo. Não nego o riso ao responder: o que você quer? Parece que a alma do casarão ainda está ali, à espreita de que alguém o acuda. É triste, mas é poético, eu diria.
Também tem casa que parece toda feliz… embora, eu conheça essa casa e as nuances da tristeza dela… Mas, sinto, que ela todos os dias luta para que as pessoas que cruze suas esquinas leve com elas um riso de cores na memória.
Sei que seis fotos não pode traduzir uma cidade nem a arte que habita em suas ruas… Mas, sei que caminhar com você foi só um pouco da metade do caminho… ainda iremos caminhar por florestas, por estradas e até mesmo por cartas, como essa que leva até você meu carinho e agradecer.
Você sabe porquê.
Mariana Gouveia
Scenarium Livros Artesanais
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Ale Helga – Mãe Literatura – Darlene Regina – Roseli Pedroso
só porque a arte e as cartas se misturam






Ao ler-te e ver as fotos que escolheu para esse post, me lembrei do filme A casa do lago em que o personagem apresentar seus lugares favoritos em Chicago para a personagem. E adorei a casa e sua tristeza. Linda…
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Não vi esse filme, bambina… Já é quase outro 6… Atrasei-me nos dias de Abril, mas foi por uma boa causa.
Grazie!
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Bem, depois disto falar o que? Esperava não. Fiquei todo bobo. Nunca servi de mote pra ninguém. Então, deixa eu te contar de coincidências. Faz muitos anos, muitos mesmo. Foi mesmo no tempo em que Jesus andava sobre a terra, quando eu morava lá no lugar. Minha primeira morada que era rural, sabe como é?, com os tatús, os gaviões, os gambás, os matita-perê, os cavalos, o boizim, a jaguatirica. Hoje né mais não. Bem, tinha as pessoas também. Foi nesse tempo aí de doido que eu me meti a fazer política e conheci aos comunistões véios, as comunistonas véias que faziam meio expediente de benzedeira e o lugar tinha uma paisagem que era toda uma paisagem mas não sabia que era paisagem. Recentemente entrei em contato com um amigo da época que concordou em ser meu sócio na grande tarefa de fazer a ressurreição de tudo aquilo. Não o que é hoje, algo degradado, mas aquilo que ainda existe, naquele universo paralelo onde as coisas têm substância, as paredes tem cheiro e as namoradas endereço. Invejo o teu lugar. Ele tem uma vida subterrânea, seivosa, quente. Esta Cuiabá aí, ilha. Este moço que pinta coisas, as casas falantes. Como disse, fiquei bobo. Até fui atrás da referência e veja só, eu nem me lembrava mais dela, que “era um destes dias”. E aí achei. Foi uma coisa que escrevi já lá se vão vinte e cinco anos: “A paixão segundo…”. Já escrevi, já te descrevi como tecelã de sonhos e arqueóloga de quintais e eu estava tão certo. E claro, por vocação e estro fui e continuo avoador. E sim, gostaria de conversar e caminhar com você; queria mesmo te apresentar o Miguel, meu cachorro gigante, o que é sinal de extrema confiança. Mariana, nossa castelã, como é que se diz obrigado? Se você souber me ensina?
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Ah, moço! Eu me perdi nos dias de Abril e só hoje sorvi seu comentário como quem bebe a seiva da flor. Sou pura gratidão.
Já estive em lugares diferentes dos seus e tão iguais e conhecer Miguel será a maior honra que essa castelã terá.
Eu não sei agradecer de outra maneira. Apenas te reverencio!
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Bom de ver, bom de ler.
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Grata, Cris! Imensamente grata!
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Mariana, caminhei ao seu lado conhecendo sua cidade e seus artistas urbanos. Adorei suas escolhas. Show!!!
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Roseli, querida! Senti sua presença. Grata!
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