Ouviu Adele enquanto o pensamento voava. Rezou milagres na memória.
Escreveu o nome dele no ar — era asa e virou voo. Metamorfose em alguma mão. Viu asas na roupa do menino. O céu era horizonte azul. Havia verde em qualquer folha. Colocou cor no olho da moça de riso fácil.
As mãos eram frias e frágeis. Cabia a liberdade nas mãos. Viu as estrelas brilharem na água… O tempo refletiu nas lembranças e já era tanto tempo. Sentiu o toque da vida — que era vida em qualquer lugar — a capacidade de viver no exato momento da dor mesmo quando as asas cansam do voar… e pousam.
Mariana Gouveia
Desvios para Atravessar Quintais
Diário das Quatro Estações
Scenarium Livros Artesanais
