Corredores, Codinome Locura

Tenho tido visões marinhas no tapete da sala…

Dizem que enlouqueci nos últimos dias. Deve ser abstinência de sua voz ou essa mistura de estações dentro do dia. Vejo o tempo todo asas que voam a esmo nas ondas que crio na mente.

Sinto essa obsessão incessante sobre você e suas lendas acontecendo no meu quintal. Viajo contigo pelas ruas do bairro. O horizonte se veste de cinza dentro do jardim. Por sorte, os correios hoje não funcionam. Escrevo cartas que não enviarei.

A solidão tem esse dia de domingo tatuado na pele. Tem toque onde a sensação de sua pele em minhas digitais arrepia a alma.

Deu vontade de morrer de amor. A gente deveria morrer aos domingos – quando as sombras das amoreiras ficam mais leve – de frente para o quintal em seu instinto de asa. Essa fome de maresia rasga a pele e esse muro que não rompe os diques do rio que deságua na minha rua e conto no calendário os dias que te perdi.

Mariana Gouveia
Ph: Nicoletta Ceccoli

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