Tem dia que é esse vento morno, feito pouso de pássaro no fio fino do poste da rua, no fim da tarde. Tem dia que a vida vai feito voo de pássaro e que some no horizonte e você fica a buscar a nuvem, ou a esperar que a ave volte e te encante de novo com novos voos e outros pousos. Mas a vida é esse sumir no espaço quando o espaço muda de lugar. Agora, o tempo é outro… o vento chega e vira sopro na alma e de repente você entende que não perdeu os abraços que não deu, mas que perdoou os abraços que não ganhou. Agora, o tempo é de resignar e acreditar nas palavras que o coração traduz em saudades, até o próximo voo.
Mariana Gouveia
Desvios para atravessar os quintais
Scenarium livros Artesanais
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