Cadeados Abertos · Projeto Diário das quatro estações

Nascimento

Nascimento

Vi a vida nascer do lado da cerca. Era uma explosão de amor nos olhos de quem paria.
Lembrei-me de quantas vidas vi nascer assim, ao pé dos olhos.
Bicho de asa, de voo, de bico, bicho que ama. Era quase uma magia pura ver nascerem as coisas. A flor que brota, o milho plantado. O bebê esperado.
Vi a graça de um sol que nascia. A lua que surge enchendo o céu com sua beleza.
Sou uma parteira de nascimento. De pegar na mão e chorar pela dom da vida de quem nasce. Seja gente, seja bicho, seja planta. Tudo que nasce me toca.
Nesse instante, Deus me faz um carinho na alma.

 

Mariana Gouveia
In Cadeados Abertos – Diário das Quatro Estações
Editora Scenarium Plural
pág. 25

7 comentários em “Nascimento

    1. Cada vez que, nas férias, encontro meu pai, eu volto a ser essa criança e as lembranças me energizam, Mariel. Volto sempre em estado de êxtase, gratificada por tudo que vivi.
      Apesar de ter perdido minha mãe tão cedo – eu tinha 15 anos – tive uma infância de conto de fadas.
      Beijo

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