Cadeados Abertos · Projeto Diário das quatro estações

Havia prenúncio de ave na chegada

Havia prenúncio de ave na chegada.

Os olhos comiam o dia amanhecendo. Alguém dava pinceladas de cores nas tintas. Verde em profusão de amor. Nos tons que ultrapassam cinquenta vezes mais do que os olhos podem contar.
Lembrou-se da aula de arte. Verde-água, verde-musgo, verde-bandeira, verde!
De repente, o inverno se desenha colorido. Pega a mala da saudade e ali guarda o instante. Ri. Logo ele aponta ali, mais ali.
Flashes que quando criança podia imitar.
Ousa repetir o gesto. Parada em um mesmo ponto. Se vendo ali, criança. Gesticulando sonhos. Ainda nem era tempo de chegadas e já murmurava alegria.
Bem ali, o dia acelerava a magia e era necessário viver.

 

Mariana Gouveia
In Cadeados Abertos – Diário das Quatro Estações
Editora Scenarium Plural
pág. 23

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